sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Francisco de Paula Vitor


Bem Aventurado Apóstolo da Caridade

 

“A caridade é paciente, a caridade é bondosa, não é invejosa e nem orgulhosa” (1 Cor 13-4).

La pelas Minas Gerais do século XIX, tendo em vista as descobertas de ricas jazidas de ouro, foi crescendo o numero de pessoas atraídas pelo metal precioso, e com elas o trafico de negros escravizados  vindos do Continente Africano.O comercio de escravos era bastante rendoso e próspero pois as atividades agrícolas e a mineração exigiam uma grande demanda de mão de obra. Foi nesse cenário histórico que no dia 12 de abril de 1827, em Campanha-MG, nasceu o filho da escrava Lourença Maria de Jesus, que na Pia Batismal recebeu o nome de Francisco de Paula Victor e teve como madrinha a senhora Mariana Barbara Ferreira.

Conta-se que o pequeno Francisco não conheceu a figura paterna sendo que a única referencia que possuía era o sobrenome Victor, e o único documento que lhe deram foi a certidão de Batismo.

Francisco foi muito  influenciado pela bondade de sua mãe e pela piedade e generosidade de sua madrinha Mariana, foi Dona Mariana quem lhe ensinou as primeiras letras e as orações básicas de todo cristão.Tão logo entrou na adolescência, foi encaminhado por Dona Mariana para aprender o oficio de Alfaiate e continuar seus estudos.Um episódio marcante envolveu o dono da Alfaiataria quando este ouviu Francisco dizer que sonhava em ser Padre, ele e todos os outros aprendizes começaram a caçoar e debochar de Francisco.Seu Inácio, em tom severo sentenciou: Lembre-se, rapaz! No dia em que você for Padre, as minhas galinhas criarão dentes...Não se esqueça de quem é escravo, é escravo e basta!Não tem nenhum direito!

O que percebemos é que Francisco apesar de todas as ofensas e humilhações jamais perdeu a ternura, nunca guardou mágoas ou ressentimentos de ninguém e também nunca desistiu de seus sonhos, o Sacerdócio era o que mais desejava viver.

Ao saber do episódio, Dona Mariana prometeu ajudá-lo, e disse que falaria com o Bispo Dom Antonio Ferreira Viçoso na próxima visita que fizesse a Campanha.Dom Viçoso foi sempre um fiel defensor da Abolição da Escravatura, defendia os negros e por sua posição abolicionista conquistou muitos inimigos e também muitos admiradores.

Conforme o prometido, tão logo Dom Viçoso pisou em Campanha, la estava Dona Mariana com seu afilhado Francisco na porta da casa Paroquial, a emoção de ambos era imensa,  acaso o senhor Bispo recusaria um pedido de Dona Mariana? Dom Antonio, ao ouvir o pedido de Dona Mariana, ficou profundamente emocionado e logo quis ouvir os argumentos do jovem Francisco. Francisco expos todos os seus sonhos e anseios em se tornar um Sacerdote, foi tão convincente que o Bispo logo aceitou.Todos foram as lagrimas e dona Mariana tranquilizou o Senhor Bispo quanto ao enxoval e tudo quanto fosse necessário para o novo seminarista.

O dia 05 de Junho de 1849, estando Francisco com 22 anos, foi marcado para sempre, afinal na manhã daquele mesmo dia, La estava nosso jovem na porta do Seminário Diocesano de Mariana.Não se pode negar que sua chegada foi marcada pela rejeição e pela discriminação, seus colegas num primeiro momento não aceitaram a ideia de estudarem com um escravo, alguns foram mais brandos outros mais rigorosos,porem, com a intervenção do senhor Reitor, todas as questões foram resolvidas, pelo menos aparentemente.Francisco se destacava pela sua inteligência, era atencioso com todos principalmente para com aqueles que mais dificuldades apresentavam nos estudos e que por coincidência eram aqueles que mais o rejeitaram na sua entrada no Seminário.Em seu coração não havia espaço para rancores e mágoas era tudo para todos e estava sempre pronto para executar toda e qualquer tarefa e tudo fazia com alegria.Dia a dia todos no Seminário ficavam edificados com os gestos e as atitudes do jovem Francisco.

O tempo dos estudos chegava ao final, tudo estava pronto para a sua ordenação, tudo era emoção uma emoção de todos a começar por sua mãe, sua madrinha Dona Mariana, o próprio Dom Viçoso estava muito ansioso pois em sua Diocese seria ordenado o primeiro Padre negro do  Brasil,o próprio Francisco estava radiante. Enfim chegara o dia tão esperado, dia 14 de junho de l851, Francisco recebe das mãos de Dom Viçoso as ordens sacras e todos, ao final da celebração, se achegam diante do Neo- Sacerdote para beijar-lhe as mãos e pedir-lhe a benção.

Dom Viçoso anuncia que Padre Victor será o novo Vigario Paroquial em sua cidade natal, Campanha, todos aplaudem com emoção, tudo é encantamento para o novo Padre e para a comunidade paroquial, bênçãos nas casas, nos estabelecimentos comerciais, sítios,  animais etc.

No ano seguinte, no dia 13 de junho de 1852(Dia de Santo Antonio de Padua),Padre Francisco de Paula Victor assume a Paróquia da cidade de Três Pontas-MG e la permaneceu por 53 anos.Padre Victor, como ficou conhecido, tornou-se tudo para todos, conquistou a todos com sua bondade, sua presença era remédio para os doentes e enfermos, sua alegria contagiava os tristes e abatidos, era amado por todos...

Foi zeloso catequista, seus encontros catequéticos eram marcados pelas histórias Bíblicas e pelas vidas dos santos. Padre Victor prezava pela formação de seus paroquianos e para eles construiu  a Escola Sagrada Familia, uma escola referencia para todos,  sem distinção de classe social, enfim para ricos e pobres, senhores e escravos etc.Pessoas ilustres passaram pelos bancos escolares da Sagrada Familia.

No seu ofício de sacerdote foi incansável, nuca deixou seus paroquianos sem a Santa Missa, seu tempo era todo destinado a salvar almas, nutria um amor incondicional pela Virgem Maria e pela Sagrada Eucaristia.Sempre foi pobre, sua única fonte de renda eram as esmolas e delas fazia uso em favor dos mais necessitados, sua casa era refúgio dos pobres e desvalidos, nada considerava de seu, tudo era de todos.

O dia 23 de setembro de 1905, marcou profundamente a cidade de Três Pontas, o Pároco Padre Victor, estava com 78 anos,  e foi vitima de um AVC que o levou a óbito, não tinha nada de seu, alem da roupa do corpo.A notícia deixou a cidade em estado de choque, todos choravam a morte do pai de todos o Cura de Três Pontas voltava para a casa do PAI.

Seu corpo permaneceu por três dias sendo velado, pois o numero de pessoas que chegavam a cada momento, era incontável, pelos três dias, de seu corpo exalou um suave perfume.O sepultamento foi marcado pela presença de incontáveis autoridades civis, eclesiásticas, militares, todos queriam dar adeus ao Santo de Três Pontas.

Hoje seus restos mortais  repousam na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda em Três Pontas, graças incontáveis lhe são atribuídas, muitos peregrinos ao longo desses 111 anos recorreram a sua intercessão.

No dia 14 de novembro de 2015, a Igreja declara Padre Francisco de Paula Victor, Bem Aventurado, que possamos com seu exemplo e seu amor, seguir Jesus Cristo e viver o Santo Evangelho.

PAZ E BEM

Marcio Antonio Reiser OFS.

 

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