quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Nossa Senhora do Desterro


18 de fevereiro

Padroeira dos migrantes

Um véu cintilante de estrelas cobria o céu azul-escuro da encantadora Belém. “Belém de Judá... de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo” (Miq. 5, 2).
Os Magos partiram, por outro caminho, conforme o aviso que tiveram em sonho! Herodes, furioso, persegue o Menino em Belém e arredores, e determina a execução de todos os meninos de dois anos para baixo.

“É o massacre dos inocentes”. Os primeiros a derramarem o sangue em nome de Jesus!
José, Maria e o Pequeno Jesus estão a caminho! Imaginemos o susto que o aviso do anjo lhes causou. Estavam longe de casa, por certo, o que traziam na bagagem, nada mais era do que lhes permitia a pobreza, e os bens, que a Providência Divina lhes proporcionou pelas mãos dos Magos.
José transforma o lombo do fiel burrinho num trono confortável e aquecido!
Ó feliz burrinho! A passos lentos transportavas, orgulhoso, a Rainha escolhida com o Pequeno Rei em seus braços.
O caminhar era silencioso, Maria pensava nas palavras do Anjo Gabriel. Lembrava das profecias do velho Simeão no Templo. “Uma espada de dor transpassará a tua alma”. Tudo era guardado em seu coração! A dor transformava-se em alegria quando contemplava o rosto sereno do seu menino, nascido de suas entranhas e que também era o seu Deus!
Passo a passo, o jovem e justo carpinteiro José, pensava no futuro; pensava na nova vida no Egito e em seu coração refletia sobre um outro José, o filho de Jacó, que foi para o Egito como escravo, tornou-se o conselheiro real e salvou a descendência do povo de Israel da miséria. E também lembrou-se do grande libertador do povo de Israel, Moisés do Egito!
Uma viagem penosa e perigosa, a escuridão da noite através de desertos e florestas, animais bravios e salteadores! Os sobressaltos que padeceu a Sagrada Família, durante o trajeto, dariam subsídios suficientes para uma comovente novela de aventuras.
São Pedro Crisólogo escreveu, tão belamente, sobre a necessidade da fuga e justificou assim: “Que Cristo fugisse, foi mistério, não temor; foi virtude divina, não fraqueza humana; não fugiu por causa da morte do Autor da Vida, mas por causa da Vida do Mundo. Pois tendo vindo para morrer, fugiria a morte?...”.
Uma antiga lenda nos diz que, à passagem da Sagrada Família rumo ao Egito, as palmeiras inclinavam-se, as fontes brotavam e os corações eram transformados por uma presença desconhecida!
A tradição nos mostra a cidade de Heliópolis, centro do culto ao Sol, como lugar escolhido pela Sagrada Família para residirem. Lá já viviam muitos Hebreus, e lá também existia um templo ao Deus verdadeiro!
Lá permaneceu a Sagrada Família até a morte de Herodes! Era o quarto ou quinto ano da era Cristã. Mais uma vez a palavra do Senhor se cumpria! “Eu chamei do Egito o Meu Filho” (Os 11, 1).
O Verbo de Deus encarnado, a Palavra de Deus, ou o Próprio Evangelho vivo é apresentado aos pagãos. O Egito mais uma vez é lugar de exílio e testemunha do plano Salvador de Deus!
“A Sagrada Família nos ensina e aconselha a praticar o apostolado sempre e em todos os lugares, e até em circunstâncias desfavoráveis da vida, às vezes contra o nosso próprio gosto, somos obrigados a partir!”.
O homem põe e Deus dispõe.
Herodes persegue e Deus prossegue!
Nossa Senhora do Desterro é a protetora de todos aqueles que por vontade própria, ou por situações adversas, deixam suas terras em busca de um mundo melhor.
A nossa capital Florianópolis chamou-se por mais de dois séculos “Vila do desterro”, pois nasceu em torno da capela construída em 1673 por Francisco Dias Velho. Na Catedral de Florianópolis encontra-se a maravilhosa escultura em tília, de tamanho natural, de autoria do escultor Demetz; trata-se da imagem do desterro da Sagrada Família para o Egito. A obra é marcada por tanta beleza que é considerada uma das mais belas do mundo.

Que a Virgem do Desterro nos abençoe e nos conduza para o bem caminho!


Paz e bem!