sexta-feira, 31 de outubro de 2014

São Leonardo de Porto Maurício

O apóstolo da Via-sacra

28 de novembro

“Recordar os passos de Jesus na Via-sacra e meditar os cruéis sofrimentos que o Redentor quis ali padecer por todo o gênero humano é um ato de piedade que torna o homem não apenas angélico”. (São Boaventura)

No ano de 1676 nasceu o primogênito do capitão da marinha, Domingos Casanova. Um menino que na pia batismal recebe o nome de Paolo Girolamo Casanova, futuramente, Leonardo de Porto Maurício.
Foi, durante sua infância, marcado pela dor e pelo sofrimento com a morte prematura de seus pais.
Alguns parentes encaminharam o pequeno Paolo para estudar em Roma. Lá, conheceu a Ordem franciscana e por ela logo se encantou, pedindo seu imediato ingresso.
Logo após sua ordenação, partiu para Florença e lá, por um bom tempo, exerceu sua atividade pastoral. Foi também em Florença que suas pregações se tornaram sinais de incontáveis conversões.
Frei Leonardo destacava-se como exímio pregador; homem simples e de oratória impecável, atingia a todos sem exceção.  Por fim, chegou aos ouvidos do Papa Clemente XII que, da Ordem franciscana, um novo luzeiro e exímio pregador arrastava multidões.
Por todos os lugares em que passava, Frei Leonardo tinha o cuidado de implantar na alma do povo a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e da Sagrada Paixão de Nosso Senhor, a adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento e o culto à Santíssima Virgem.
Grande entusiasta e defensor da Imaculada Conceição, sonhava e desejava ver proclamado seu dogma. (O Dogma da Imaculada Conceição somente foi proclamado em 1854)
Andava Frei Leonardo com seu hábito sempre surrado e puído; seus pés estavam sempre descalços. Trazia sobre o peito a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, com os cravos da Paixão.
Por todos os lugares de missão, jamais aceitou presentes ou agrados. Seu único desejo era a salvação de todos e a maior glória de Deus. Somente se afastou das santas missões por 5 anos por motivos de saúde.
O nosso Santo era por demais exigente consigo mesmo. Em todos os lugares de missão, procurava dormir em chão batido, com pouca ou quase nenhuma coberta. Para ter diante de si a lembrança da Sagrada Paixão de Nosso Senhor, fazia todos os dias o exercício da Via-sacra e nas sextas-feiras mastigava ervas amargas, em memória do sofrimento de Jesus na cruz.
Era um apaixonado pela Virgem Maria; tanto que a cada hora do dia a saudava com o bater do relógio. Em todas as missões recomendava aos ouvintes a devoção filial à Santíssima Virgem, como melhor antídoto contra o pecado mortal.
Considerava o Santíssimo Sacramento como o sol do cristianismo, a alma da fé. Adorador amoroso e fervoroso, sua fé e suas obras de caridade sempre caminharam juntas. No confessionário passava horas incontáveis e era lá que todos iam buscar o alívio do corpo e da alma.
Era austero consigo mesmo. As marcas das mortificações, o corpo macerado pelos jejuns serviam de exemplo para os seus irmãos.
Frei Leonardo, ao longo de sua vida, foi exemplo de fidelidade ao Evangelho. Num espaço de 44 anos pregou 326 missões em 84 dioceses. Ficou conhecido por haver pregado e difundido o exercício da Via-sacra.
Foi no ano de 1750, ano jubilar, que Frei Leonardo, com grande piedade e zelo, pregou a Via-sacra no Coliseu de Roma. Era o dia 27 de dezembro.
Foi a primeira vez que o Coliseu serviu para um ato religioso.
Desde aquela data ainda é costume o Santo Padre, na sexta-feira Santa, fazer o exercício da Via-sacra no Coliseu.
Com 75 anos, um corpo marcado pelas dores do tempo e pelos excessos de penitências, dá sinais de falência. Frei Leonardo está no convento de São Boaventura e foi lá que entregou sua alma. Pio VI o declarou “Beato”; Pio IX o proclamou “Santo”, e Pio XI “Padroeiro dos missionários”.

Paz e bem!





Santo Antônio de Sant’Anna Galvão


25 de outubro


O primeiro Santo brasileiro

No dia 11 de maio de 2007, estávamos em São Paulo para participar da celebração de canonização de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão por Sua Santidade o Papa Bento XVI.
Posso garantir que foi uma emoção única. Ficamos por mais de dez horas até o momento final da celebração. Louvo a Deus pela vida e missão de Frei Galvão e por ter me permitido participar de sua canonização.

Sua vida

No ano de 1739, na bela Guaratinguetá, localizada em São Paulo, nasceu Antônio de Sant’Anna Galvão, filho do Capitão mor Antônio Galvão de França (franciscano da Ordem Terceira) e de dona Isabel Leite de Barros. Seus pais eram pessoas virtuosas, caridosas e tementes a Deus. A família era constituída do casal e de seus onze filhos.
Antônio de Sant’Anna, tão logo completou 13 anos, foi enviado ao seminário dos Jesuítas na Bahia. Seu irmão José já estava lá, no mesmo seminário. A formação que ambos tiveram foi exemplar. Por toda a sua vida, Antônio de Sant’Anna fez referência aos anos em que esteve com os jesuítas.
Tão logo completou 12 anos, pediu admissão na Ordem Franciscana, e, no ano de 1762, foi ordenado sacerdote como frade da Ordem dos Menores.
No ano de 1768, sendo confessor e pregado do Convento das Recolhidas de Santa Tereza, conheceu irmã Helena, mulher de oração e virtudes notáveis.
Irmã Helena, em seus colóquios com Frei Galvão, revelou as visões e revelações que Jesus lhe fizera. Nelas, o próprio Senhor pedia a construção de um novo recolhimento, com regras mais rígidas e um modo de vida mais austero.
Por esse tempo, todas as funções e construções estavam proibidas pelo Marquês de Pombal. Pombal nutria ódio pela Igreja e, em especial, pelos jesuítas. Frei Galvão, desafiando o próprio Marquês, iniciou a construção conforme às instruções de Irmã Helena.
No ano de 1774, o recolhimento ficou pronto contra ordens superiores, porém, atendendo à solicitação do próprio Jesus. O recolhimento recebeu o nome de “Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência”.
A jovem Irmã Helena veio a falecer no ano seguinte, e, para piorar, veio a determinação oficial de fechar o mosteiro. Frei Galvão obedeceu mais não cedeu, e, logo, um levante popular fez com que o Marquês reconsiderasse sua decisão, e o convento foi reaberto.
No ano de 1802, a igreja do mosteiro ficou pronta. No ano de 1811 fundou o Recolhimento de Santa Clara, em Sorocaba, a pedido do Bispo de São Paulo. Em seguida, é enviado como guardião do Convento de São Francisco, em São Paulo.
Com o passar do anos, o avanço da idade e o enfraquecimento das forças, Frei Galvão é autorizado a morar no Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição, na Luz, num pequeno quarto, atrás do tabernáculo nos fundos da igreja. Lá era tratado com muito carinho pelas irmãs e pelos dois confrades que lhe davam assistência.
Frei Galvão era homem de oração e ardente caridade; seu olhar era cheio de bondade e de seus lábios somente se ouviam exortações e admoestações de grande sabedoria.
Era zeloso da salvação e santificação das almas. Passava horas contínuas no confessionário e, para todos os que a ele recorriam, tinha um conselho e uma palavra de alívio nos sofrimentos.
Muito famosas são as pílulas de Frei Galvão. Conta-se que, por diversas vezes, o santo fez uso de uns pequenos papelotes e neles escreveu, “Depois do parto, ó Virgem, permanecestes intacta. Mãe de Deus, intercedei por nós”. Esses papeizinhos minúsculos eram enrolados e distribuídos como remédio. Muitos e vários forma os casos de cura e alívio de todos os males e dores, inclusive em partos difíceis.
Até hoje o Mosteiro da Luz distribui centenas de pílulas, as pílulas de Frei Galvão, a todos os que lá se dirigem em suas angústias e dificuldades.
O amor de Frei Galvão pela Virgem Imaculada era uma amor sem medidas e uma confiança total em sua materna proteção.
No dia 23 de Dezembro de 1882, estando com 84 anos, gozando de uma lucidez invejável e de santidade que exalava um perfume de rosas incomparável, cercado de suas filhas espirituais, seus confrades, entrega sua alma ao Senhor.
O Recolhimento, ou Mosteiro da Luz, como hoje é conhecido, se tornou patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO. Frei Galvão projetou, construiu e ajudou até mesmo como pedreiro, e hoje é declarado como Patrono dos arquitetos.
Foi beatificado por São João Paulo II em 25 de outubro de 1998 e canonizado em 11 de maio de 2007 em São Paulo.

Que Santo Antônio de Sant’Anna Galvão nos ajude e nos inspire em gestos de paz e bem!