quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Frei Bruno Linden, O. F. M.


Frei Bruno Linden, O. F. M.


24 de fevereiro

“Eis o meio de reconhecer se o servo de Deus tem o espírito do Senhor. Se Deus por meio dele operar alguma boa obra, e ele não o atribuir a si, pois o seu próprio eu é sempre inimigo de todo bem, mas antes considerar como ele próprio é insignificante e se julgar menor que todos os outros homens.” (Admoestações de São Francisco de Assis)

Toda a igreja do Brasil se alegra e se une à diocese de Joaçaba, com a abertura do processo de beatificação do franciscano Frei Bruno Linden, O. F. M.. Quanto a nós, seus fiéis devotos, cumpre-nos o dever de rezar e esperar para que ele seja elevado à honra dos altares.

“Quem foi Frei Bruno?”

Era um dia de outono, já bastante frio; a bela Düsseldorf (Alemanha) enquadrava um cenário belíssimo com o por do sol dourado do outono. As montanhas e as vegetações adquirem um brilho luminoso e indescritível.
A igreja, em festa, celebrava a natividade da Ssma. Virgem Maria, era o dia 08 de setembro de 1876, e foi neste dia histórico que veio ao mundo Humbertus Linden Junior, filho de Humbertus Linden e Goelden. O lar piedoso e temente a Deus os Linden despertou, já desde muito cedo, o desejo de se tornar sacerdote.
Ao manifestar aos pais o desejo de ingressar no noviciado dos franciscanos da Saxônia, na Holanda, Humbertus ainda não havia completado 18 anos. Seus pais, com os olhos mareados pela emoção, abençoam a decisão do filho, e, em tudo, louvam a Deus pela escolha do filho.
Quanto tomou o hábito de São Francisco, era o dia 13 de maio de 1894, e ao tomar o hábito, mudou o nome, passou a se chamar Frei Bruno Linden.
Ainda estavam no noviciado quando, em nome da santa obediência, são destinados para a “Missão brasileira”, e, assim sendo, no dia 12 de junho de 1894, aportaram em Salvador. Foi na Bahia de todos os santos que Frei Bruno terminou o noviciado, estudou filosofia e teologia e fez sua profissão religiosa, solene, em 19 de maio de 1898.
Logo no início do novo século, Frei Bruno é enviado a Petrópolis, no Rio de Janeiro, e lá é ordenado sacerdote no dia 10 de maio de 1901. Lá permaneceu por mais 3 anos, e foi somente em 1904 que foi transferido para Gaspar (SC). Lá, em Gaspar, exerceu a função de superior e pároco até 1906; por mais três anos permaneceu no mesmo lugar, porém, como coadjutor. Foi também em Gaspar que Frei Bruno erigiu a Fraternidade Santo Antônio, sendo seu primeiro assistente.
De Gaspar foi transferido para São José, e, em 1917, em nome da santa obediência, Frei Bruno vai para o Rio Grande do Sul como superior e vigário, na cidade de Não-me-toque.
Em 1926, mais uma vez é transferido, agora para Rodeio, onde permaneceu até 1945. Foi, por quase 20 anos, um testemunho edificante para todos os que com ele conviveram. Sua vida foi marcada por um gesto de total desprendimento e ardente caridade.
Por incontáveis vezes, aos Domingos, depois do almoço, ajeitava os cestos em cima de um jumento e neles colocava todo o tipo de doações que recebia e levava às famílias mais necessitadas, retornando somente a noite, cansado e feliz.
Frei Bruno foi um incansável peregrino do Evangelho e da caridade. Era acolhido por todos com carinho e veneração; era o Frade Santo!
Foi, por definição do capitulo de 1945, que Frei Bruno foi transferido para Esteves Junior e no final do mesmo ano para Xaxim, onde, por 6 anos, foi superior e pároco. Ficou em Xaxim por mais 3 anos como coadjutor.
Quando completou 80 anos, foi transferido para Joaçaba; era o ano de 1956. O trabalho sem descanso, as longas caminhadas marcaram o velho Frei com dores nas juntas e um peso nas pernas.
Por recomendação do provincial, foi para Luzerna para um repouso forçado. Jamais Frei Bruno pensou em descansar, estava sempre em busca de oportunidades de fazer o bem.
Sentindo-se bem melhor, Frei Bruno retorna a Joaçaba para alegria de todo a comunidade. Seus últimos 4 anos de vida foram consumidos naquela cidade.
Apesar das dores e do peso das pernas, caminhava de manhã à noite, visitava os doentes, benzia casas, aconselhava e reconciliava casais; era sem dúvida um arauto da Paz e do Bem!
Subia as ladeiras em zigue-zague, e, sempre se apoiando no velho guarda-chuva, suas caminhadas começavam logo depois da Santa Missa, às 5h 30. Retornava pouco antes do almoço, e descasava na igreja com a cabeça apoiada no altar de Nossa Senhora, rezando e cochilando.
Frei Bruno foi um pai para os presos, deu-lhes uma bola de futebol, levava-lhes todo tipo de agrados, como doce, guloseimas, revistas, livros, terços, medalhas, etc. Certa vez, conseguiu tinta para a pintura das celas que estavam imundas.
As crianças estavam sempre às voltas com Frei Bruno, era um santo brincalhão que a todos encantava. No catecismo, se fazia um silêncio espetacular quando Frei Bruno contava a vida dos santos e os feitos de Jesus. Tudo permeado de poesia e encanto.
A cada dia tornava-se visível o cansaço e as limitações de Frei Bruno. Já no ano de 1958, celebrava a Santa Missa às 5h 30, e em seguida ficava no confessionário por muitas horas.
Sua correspondência era por demais volumosa para ser respondida, sua vista estava fraca. A dificuldade para andar faz com que Frei Bruno tire da cintura a Coroa das alegrias de Nossa Senhora, por ser muito pesada. Alguns dias depois colocou novamente a Coroa, dizendo que a Virgem Maria merecia seu esforço.
Todos os dias se preparava para partir, a Comunhão para ele era o Viático. Ainda em outubro de 1959, vai a Luzerna para tratar dos assuntos da Pia União das Missas Ingolstadt. Era um apóstolo incansável dessas associações.
As sandálias franciscanas estavam pesadas demais, anda de chinelos e bengala. O rosário era seu companheiro inseparável, desfiava uma infinidade de contas e orações.
No dia 24 de fevereiro de 1960, como de costume, Frei Bruno assiste à Santa Missa das 5h 30, atende confissões, recebe algumas pessoas, vai para o seu quarto descansar e o seu descanso foi eterno.
Frei Bruno Linden, O. F. M., comoveu a cidade de Joaçaba, seu sepultamento foi memorável e inigualável.
Aguardamos ansiosos a declaração oficial da Santa Igreja, daquilo que nós já cremos que Frei Bruno é Santo e está no céu intercedendo por nós.
Frei Bruno, rogai por nós!