sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A caridade e a doutrina social da Igreja





A Caridade e a Doutrina Social Da Igreja

“Mas, Quando Dás Esmola, Não Saiba A
Tua Esquerda O Que Faz A Tua Direita... ”(Mt 6,3).

Ao longo de 2000 anos de história, a igreja apresentou ao mundo uma infinidade de documentos, que compõem a sua doutrina social.
Os santos padres, ao redigirem os referidos documentos, tomaram por base os ensinamentos de nosso Senhor Jesus Cristo e do seu evangelho, então podemos dizer que todos os documentos foram inspirados por Deus.
O livro dos atos dos apóstolos nos apresenta, por diversas vezes, as preocupações dos primeiros cristãos, que depois de pentecostes, dão sinais de preocupação com as necessidades dos irmãos. “Vendiam suas propriedades e os seus bens, e distribuíam o valor por todos, conforme a necessidade de cada um”. (Atos 2,45)
Também no livro dos atos dos apóstolos, capítulo 6, percebemos a preocupação em designar alguns homens de boa índole para o cuidado dos órfãos e das viúvas. Desde aquele instante e, também, por inspiração divina escolheram, entre os discípulos, os primeiros sete diáconos.
A preocupação com o outro, com o bem-estar de cada um, e o resgate da dignidade humana devem estar no centro, no interior de cada coração pois é no coração que encontramos o amor, a caridade.
“A caridade é paciente...”, como escreveu São Paulo, ela não se esgota, e é tão somente ela que teremos como medida de nossas ações.
Quantos foram os homens e as mulheres que dando um testemunho de fé, empunharam o estandarte da caridade e consumiram suas vidas, por amor à Cristo e aos irmãos.
Num tempo de grandes dificuldades, alguns cristãos foram até Santo Agostinho para se lamentar. O grande Santo assim os falou: “vocês dizem: os tempos são maus; os tempos são difíceis e pesados. Vivam bem e vocês mudarão os tempos”.
Por certo o mundo só é melhor por que conheceu a generosidade de reis e rainhas como: Luis da França, Santa Izabel da Hungria, Santa Helena, Santa Edwiges.,etc..
Assim também conheceu a caridade de: Antônio de Pádua, Vicente de Paulo, Luisa de Marilac, Francisco de Assis, Dom Bosco e Maria Mazarello, Damião de Molokai, Santa Paulina, Madre Tereza, Irmã Dulce, etc, e que deixaram o perfume do amor por onde passaram.
Em cada momento da história, uma nova encíclica, um novo documento; É o pensamento da igreja acompanhando as novas investidas do homem, enaltecendo os grandes feitos que promovem a vida e denunciando as atrocidades que geram a morte..
O nosso Papa Bento XVI em sua encíclica “Caritas In Veritate”, afirma que a doutrina social da igreja é: “o elemento essencial de evangelização...”
Concluindo, devemos entender que é impossível falar do amor de Deus, sem manifestar esse amor concretamente através de gestos e ações que promovam o crescimento total da pessoa humana.
Devemos saciar a fome em todos os seus aspectos, como: da verdade, da justiça, da dignidade, de amor, da palavra, de Deus, da eucaristia e de pão.
Cristo mostrou-nos que amar é dar a vida por todos. O amor que se reparte,não se divide,ele se multiplica.
A fé, a esperança e a caridade... das três permanece somente a caridade., o Amor...

São Pedro Claver



São Pedro Claver
9 De Setembro

“O Servo Dos Escravos”

“Cremos que Pedro Claver, o apóstolo dos negros, o servo dos escravos, é santo do céu e junto ao Pai. Intercessor de todos, particularmente daqueles por quem mais se interessou; os escravos.” (Papa Pio IX).

No ano de 1581, na pequena e singela Verdu, na Espanha, nasceu Pedro Claver, um menino tão frágil e tão miúdo que parecia não vingar.
Seus pais eram nobres, porém simples, piedosos e extremamente generosos, tão que sua casa paterna era conhecida em toda região, como casa de acolhida e caridade.
O pequeno Pedro cresceu e se desenvolveu gradativamente em todos os sentidos. Desde muito cedo foi estudar no colégio dos Jesuítas. Era dotado de uma inteligência extraordinária e logo cedo manifestou o desejo de torna-se sacerdote.
No ano de 1602, entrou definitivamente na companhia de Jesus, em Barcelona, e logo que terminou o noviciado viajou para a ilha de Maiorca para estudar filosofia.
Na ilha de Maiorca encontrou um santo mestre e orientador espiritual, o irmão e futuro santo Afonso Rodrigues, e foi com este santo mestre que Pedro Claver aprendeu a buscar o caminho da perfeição.
Por determinação dos superiores, no ano de 1610, Pedro Claver foi mandado como missionário para Cartagena, cidade portuária da Colômbia. Foi justamente ali que o jovem seminarista Pedro, descobriu sua missão: a de ser o anjo da guarda dos escravos que vinham nos navios negreiros da África, para serem vendidos na América.
Ordenou-se sacerdote Jesuíta, e outra coisa não desejava senão servir os irmãos escravos, que chegavam a todo o momento.
O jovem Pe. Pedro tão logo recebia a notícia da chegada do navio, corria para o porto carregado de frutas, pães, vinhos, etc., para alimentar centenas de pessoas desfiguradas pela fome e pelo sofrimento. O que mais comovia o jovem padre era o olhar assustado e a expressão de pavor.
Nada entendiam, porém as expressões de amor, o sorriso afetuoso e o olhar terno, davam aos recém-chegados uma centelha de esperança.
Uma grande maioria chegava coberta de chagas e feridas expostas, seus corpos, equeléticos tinham que ser escorados nos braços do Pe. Pedro. A caridade impunha os maiores sacrifícios, porém o jovem padre por horas incontáveis lavava e tratava de cada um em particular.
Quando saiam dos navios eram levados para galpões insalubres, sem ventilação e extremamente insuficiente para acomodar dignamente tantos escravos.
A dor, as doenças, a fome e o desespero davam aquele lugar um aspecto horrível, era tanta crueldade imposta, que nem pareciam humanos.
A presença do Pe. Pedro por certo amenizou o sofrimento e com o tempo através de alguns tradutores, começou a falar do amor de Jesus e do seu sofrimento redentor.
Todos aqueles que iam recuperando a saúde e as forças, passavam a ajudar o padre no socorro dos mais debilitados, e como isso lhes dava alegria.
Dia a dia os escravos se iam, os novos donos vinham buscá-los. Cada qual com um preço diferenciado, para o Pe. Pedro o valor de cada um era a salvação da alma. Partiam confortados pelo anjo bom, eram recomendados aos proprietários, que zelassem pela integridade física e moral dos negros. Algumas vezes os senhores atendiam as exortações do padre.
A cada ano, 12.000 negros deixavam a África em direção a Cartagena, como animais em gaiolas. Seus pés e mãos eram amarrados, os porões eram escuros e úmidos, uma única refeição era servida ao dia e era feita de farinha de milho cru e água.
Sem dúvida alguma, uma das maiores vergonhas da humanidade, foi à escravidão, um tempo sombrio da história, que é impossível de esquecer. E é bom que não se esqueça do que o próprio homem é capaz de fazer com o seu semelhante.
Vários papas condenaram por diversas vezes o comércio de escravos, a exortação da Igreja era ignorada pelos detentores do poder.
As doenças, as epidemias eram uma constante entre os escravos, o casebre do missionário era de todos, o incansável pai não encontrava tempo para o descanso, era tudo para todos. Sempre depois de um dia cheio de fadigas, a noite impunha a si mesmo, as maiores penitencias.
Pedro Claver, durante 40 anos, foi incansável apóstolo entre os escravos, calcula-se que tenha batizado mais de 350.000 escravos. Sempre estava cercado de seus filhos, e conhecia cada um em particular.
Pedro Claver foi várias vezes ameaçado de morte, na calava a vós diante das crueldades e das injustiças. Foi vítima de várias emboscadas. Deus era o seu refúgio.
No final de sua vida, foi vítima de sua incansável caridade, a epidemia de 1650, fez dele uma das primeiras vítimas deixando-o paralítico. Em seu leito atendia confissões e era incansável em abençoar.
Por 4 anos assim permaneceu, com resignação e aceitação da vontade de Deus, até que entregou sua santa alma a Deus na festa da natividade de Nossa Senhora, estava com 73 anos.
O pranto e a dor dos negros ecoaram por toda a Colômbia e a América. O pai e apóstolo dos escravos deixava um exército de órfãos.
Foi beatificado em 1851, e canonizado em 1888.
Que seu exemplo nos inspire e nos revigore, São Pedro Claver.