domingo, 28 de fevereiro de 2016

“Beata: IRMÃ DULCE DOS POBRES”

“Uma sociedade só pode ser feliz quando o conhecimento estiver plenamente dividido entre todos os seus filhos”.(Irmã Dulce)


No ano de 1914, mais precisamente no dia 26 de maio, mês dedicado a Virgem Maria, nasceu a primeira filha do renomado Cirurgião Dentista da cidade de Salvador(Bahia), Dr. Augusto Lopes  Pontes casado com Dona Dulce Pontes. Na Pia Batismal a menina recebeu o nome de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, na sequencia nasceram Augusto, Dulcinha, Geraldo e Regina, que veio a falecer logo após o parto assim como sua mãe.
Dr. Augusto, alem de cirurgião dentista, lecionava na Universidade de Bahia portanto era claro que as condições financeiras da família eram privilegiadas.Sempre foi um pai presente, aos filhos ensinou os mais vivos sentimentos de Fé,  amor ao próximo, generosidade e partilha, era uma família exemplar. Tão logo ficaram órfãos de mãe,  Maria Rita e seus irmãos passaram a ser cuidados pelas tias que eram bondosas porem rigorosas e severas  na educação dos pequenos.Depois de alguns anos Dr. Augusto casou-se novamente e dessa nova união nasceram  Terezinha e Ana  Maria.
Maria Rita , tão logo entrou na adolescência começou  a despertar para as realidades desiguais em que viviam tantas pessoas , eram poucos os que gozavam de tantos privilégios, com a sua família. Uma de suas tias,Dona Madalena todos os domingos, logo depois da Santa Missa, levava Maria Rita para visitar os doentes e enfermos, os pobres e marginalizados  da periferia de Salvador, todos recebiam carinho, atenção e algum recurso material de que precisavam.A jovem Maria Rita ficava encantada com todo esse trabalho.Tocada pela graça, começou a praticar sua obras de caridade na porta de sua casa, eram muitos os que recorriam a bondade da pequena Jovem.Maria Rita sempre teve o apoio do pai para as suas  obras, Dr. Augusto não se deixava vencer em generosidade.
Foi no ano de 1929 que Maria Rita entrou para a ORDEM FRANCISCANA SECULAR, onde professou solenemente no dia  15 de janeiro de 1933, passou a ser o braço direito de seu confessor Frei Hildebrando  Kruthaup OFM e com ele fundou a “União Operaria  de São Francisco de Assis”, que mais tarde passou a se chamar “ Círculo Operário da Bahia”.
Nunca foi surpresa para ninguém o desejo  de Maria Rita de se tornar religiosa, porem atendendo a um pedido de seu pai decidiu  concluir a escola Normal. Cumprida a promessa, Maria Rita ingressou no Convento do Carmo, na cidade de São Cristóvão(Sergipe), no mês de fevereiro de 1934, era o convento das irmãs missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de DEUS.La ela adotou o nome de Irmã Dulce, em homenagem a sua falecida mãe.No ano de 1938, junto com outras noviças  emitiu os votos perpétuos.
A década de trinta marcou profundamente a vida do povo nordestino, a seca era implacável  assolava o sertão, incontáveis foram os sertanejos que deixaram suas terras e partiram  para as grandes cidades do nordeste e do sudeste.A cidade de Salvador, assim como as outras cidades grandes, tornou-se um cenário de desolação e miséria.Era impossível atender tanta demanda.Foi Por esse tempo que Irmão Dulce retornou a Salvador seu coração ficou apertado em ver tantos irmãos e irmãs a margem das ruas e vielas da cidade.Chegando ao convento, foi designada para os serviços de Porteira  e sacristã. Em nome da obediência, começou a fazer um curso de  Farmácia com noções de enfermagem, logo em seguida exerceu a função de enfermeira chefe do setor de radiologia do Hospital Espanhol.
Num belo dia recebeu a noticia de sua transferência para o Colégio Santa Bernadete, também em Salvador, em nome da santa obediência aceitou e partiu, claro que seu coração estava sangrando, afinal adorava cuidar dos doentes e enfermos.Irmã Dulce não reclamou, porem suas superioras perceberam o seu silencioso sofrimento, decidiram por autoriza-la a cuidar dos pobres e marginalizados da periferia.Seus olhos brilharam de emoção e gratidão, era tudo o que ela mais queria. Logo arregaçou as mangas e partiu para a ação, começou pela alfabetização dos filhos dos operários, em seguida com a evangelização das crianças e depois com adultos, assim como a alfabetização, indo inclusive para os pátios das fabricas no horário do almoço.
Irmã Dulce era um tudo para todos, seu jeito simples, alegre e humilde encantava a todos que sentiam o seu toque ou ouviam seus ensinamentos. Suas mãos viviam carregadas de provimentos para os mais necessitados, era um ir e vir sem conta. Em seu coração sempre achou que nada fez, tudo foi um nada diante do imenso amor de DEUS.Sempre com seu gesto de pedir de estender a mão em súplica pelos menos favorecidos, recebeu como recompensa um escarrada em suas mãos ao que prontamente respondeu:”Isso eu sei, é para mim e eu agradeço, agora seja generoso e abra o seu coração para os menos favorecidos, o homem meio que envergonhado e  sem jeito, tirou do bolso uma significativa quantia e colocou nas mãos de Irmã Dulce. Ela feliz da vida saiu louvando a DEUS por todas as coisas.
Muitos eram contrários aos seus gestos outros , não só apoiavam como ajudavam da melhor maneira que podiam, sua fama se espalhava pela grande Bahia de todos os Santos. Num belo dia, andando pela rua ouviu uns gritos:” Irmã Dulce, Irmã não me deixe morrer na rua”, era o grito de um menino de doze anos, que estava doente.irmã Dulce, prontamente tomou o menino pelas mãos, e sem nada para oferecer saiu com ele pelas ruas. Ao passar pela Ilha dos Ratos, um bairro pobre de Salvador, avistou um conjunto de casas abandonadas e não contando tempo pediu a um transeunte que arrombasse a porta da casa, arrombamento feito estava aberta a porta do primeiro Hospital de Irmã Dulce.
Tão logo apareceram outros doentes, mais casas foram arrombadas, assim sendo logo Irmã Dulce foi expulsa das casas com seus doentes,indo para os arcos da rampa, próximo a Igreja do Bom Fim, de lá foi expulsa pelo Prefeito. Sobrou somente um opção: Ocupar o  antigo galinheiro do Convento Santo Antonio, obteve para tanto o consentimento da superiora.Como a  mudança da Sede do Circulo Operário era necessária, Irmã Dulce e Frei Hildebrando foram de porta em porta pedir ajuda para comprar o terreno ao lado do convento, adquirido o terreno e com a ajuda dos operários do Círculo, foi construído o primeiro núcleo do Albergue Santo Antonio.Sómente em 1959, com recursos vindo de muitos lugares, foi construído o Hospital Santo Antonio e criada as Obras Sociais Irmã Dulce.Em seguida vieram o pavilhão para os idosos, centro de recuperação  e profissionalização dos Jovens, nos jovens ela colocava toda a sua esperança, nunca desanimava quando fugiam e retornavam para as ruas.Volta e meia achava um jeito de ir buscá-los.Nunca desistir, jamais desanimar o Senhor os amou primeiro...
Por duas vezes Irmã Dulce esteve com São João Paulo II, na segunda estava no Hospital bastante debilitada.Amada por muitos, admirada por todos, políticos, cantores, artistas, personalidades internacionais etc.Irmã Dulce dormia poucas horas por dia e pouco que dormia era numa cadeira de madeira, tipo cadeira do papai.Seu dia era de idas e vindas em busca de recursos para as suas obras, mesmo enfraquecida pela enfermidade(enfisema pulmonar com outros agravantes), nunca deixou-se  abater, era um consumir-se por amor; A DEUS e aos irmãos.
Seu martírio durou 16 meses no Hospital, seu consolo eram as irmãs, seus familiares, seus colaboradores e os pobres que tanto amava.No dia 13 de março de 1992, O Brasil recebeu com dor a noticia da morte de Irmã Dulce, o anjo bom da Bahia,  a Dulce dos Pobres, foi uma comoção geral e uma incontável multidão acompanhou o funeral e o cortejo fúnebre, muitas autoridades da Bahia e do Brasil se colocaram em fila para a despedida daquela que já  gozava a Bem-Aventurança do céu.
Sua relíquias foram trasladadas para a Igreja Imaculada Conceição da Mãe de DEUS, no ano de 2010, quando o então Papa Bento XVI, reconhecendo o milagre, declarou Irmã Dulce-Bem Aventurada.Que seu exemplo nos inspire, seu amor a Jesus Eucarístico, a Virgem da Conceição e a Santo Antonio nos motivem a viver melhor o Santo evangelho
Beata Irmão Dulce dos Pobres, rogai por nós...
PAZ E BEM

Marcio Antonio Reiser OFS

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Francisco de Paula Vitor


Bem Aventurado Apóstolo da Caridade

 

“A caridade é paciente, a caridade é bondosa, não é invejosa e nem orgulhosa” (1 Cor 13-4).

La pelas Minas Gerais do século XIX, tendo em vista as descobertas de ricas jazidas de ouro, foi crescendo o numero de pessoas atraídas pelo metal precioso, e com elas o trafico de negros escravizados  vindos do Continente Africano.O comercio de escravos era bastante rendoso e próspero pois as atividades agrícolas e a mineração exigiam uma grande demanda de mão de obra. Foi nesse cenário histórico que no dia 12 de abril de 1827, em Campanha-MG, nasceu o filho da escrava Lourença Maria de Jesus, que na Pia Batismal recebeu o nome de Francisco de Paula Victor e teve como madrinha a senhora Mariana Barbara Ferreira.

Conta-se que o pequeno Francisco não conheceu a figura paterna sendo que a única referencia que possuía era o sobrenome Victor, e o único documento que lhe deram foi a certidão de Batismo.

Francisco foi muito  influenciado pela bondade de sua mãe e pela piedade e generosidade de sua madrinha Mariana, foi Dona Mariana quem lhe ensinou as primeiras letras e as orações básicas de todo cristão.Tão logo entrou na adolescência, foi encaminhado por Dona Mariana para aprender o oficio de Alfaiate e continuar seus estudos.Um episódio marcante envolveu o dono da Alfaiataria quando este ouviu Francisco dizer que sonhava em ser Padre, ele e todos os outros aprendizes começaram a caçoar e debochar de Francisco.Seu Inácio, em tom severo sentenciou: Lembre-se, rapaz! No dia em que você for Padre, as minhas galinhas criarão dentes...Não se esqueça de quem é escravo, é escravo e basta!Não tem nenhum direito!

O que percebemos é que Francisco apesar de todas as ofensas e humilhações jamais perdeu a ternura, nunca guardou mágoas ou ressentimentos de ninguém e também nunca desistiu de seus sonhos, o Sacerdócio era o que mais desejava viver.

Ao saber do episódio, Dona Mariana prometeu ajudá-lo, e disse que falaria com o Bispo Dom Antonio Ferreira Viçoso na próxima visita que fizesse a Campanha.Dom Viçoso foi sempre um fiel defensor da Abolição da Escravatura, defendia os negros e por sua posição abolicionista conquistou muitos inimigos e também muitos admiradores.

Conforme o prometido, tão logo Dom Viçoso pisou em Campanha, la estava Dona Mariana com seu afilhado Francisco na porta da casa Paroquial, a emoção de ambos era imensa,  acaso o senhor Bispo recusaria um pedido de Dona Mariana? Dom Antonio, ao ouvir o pedido de Dona Mariana, ficou profundamente emocionado e logo quis ouvir os argumentos do jovem Francisco. Francisco expos todos os seus sonhos e anseios em se tornar um Sacerdote, foi tão convincente que o Bispo logo aceitou.Todos foram as lagrimas e dona Mariana tranquilizou o Senhor Bispo quanto ao enxoval e tudo quanto fosse necessário para o novo seminarista.

O dia 05 de Junho de 1849, estando Francisco com 22 anos, foi marcado para sempre, afinal na manhã daquele mesmo dia, La estava nosso jovem na porta do Seminário Diocesano de Mariana.Não se pode negar que sua chegada foi marcada pela rejeição e pela discriminação, seus colegas num primeiro momento não aceitaram a ideia de estudarem com um escravo, alguns foram mais brandos outros mais rigorosos,porem, com a intervenção do senhor Reitor, todas as questões foram resolvidas, pelo menos aparentemente.Francisco se destacava pela sua inteligência, era atencioso com todos principalmente para com aqueles que mais dificuldades apresentavam nos estudos e que por coincidência eram aqueles que mais o rejeitaram na sua entrada no Seminário.Em seu coração não havia espaço para rancores e mágoas era tudo para todos e estava sempre pronto para executar toda e qualquer tarefa e tudo fazia com alegria.Dia a dia todos no Seminário ficavam edificados com os gestos e as atitudes do jovem Francisco.

O tempo dos estudos chegava ao final, tudo estava pronto para a sua ordenação, tudo era emoção uma emoção de todos a começar por sua mãe, sua madrinha Dona Mariana, o próprio Dom Viçoso estava muito ansioso pois em sua Diocese seria ordenado o primeiro Padre negro do  Brasil,o próprio Francisco estava radiante. Enfim chegara o dia tão esperado, dia 14 de junho de l851, Francisco recebe das mãos de Dom Viçoso as ordens sacras e todos, ao final da celebração, se achegam diante do Neo- Sacerdote para beijar-lhe as mãos e pedir-lhe a benção.

Dom Viçoso anuncia que Padre Victor será o novo Vigario Paroquial em sua cidade natal, Campanha, todos aplaudem com emoção, tudo é encantamento para o novo Padre e para a comunidade paroquial, bênçãos nas casas, nos estabelecimentos comerciais, sítios,  animais etc.

No ano seguinte, no dia 13 de junho de 1852(Dia de Santo Antonio de Padua),Padre Francisco de Paula Victor assume a Paróquia da cidade de Três Pontas-MG e la permaneceu por 53 anos.Padre Victor, como ficou conhecido, tornou-se tudo para todos, conquistou a todos com sua bondade, sua presença era remédio para os doentes e enfermos, sua alegria contagiava os tristes e abatidos, era amado por todos...

Foi zeloso catequista, seus encontros catequéticos eram marcados pelas histórias Bíblicas e pelas vidas dos santos. Padre Victor prezava pela formação de seus paroquianos e para eles construiu  a Escola Sagrada Familia, uma escola referencia para todos,  sem distinção de classe social, enfim para ricos e pobres, senhores e escravos etc.Pessoas ilustres passaram pelos bancos escolares da Sagrada Familia.

No seu ofício de sacerdote foi incansável, nuca deixou seus paroquianos sem a Santa Missa, seu tempo era todo destinado a salvar almas, nutria um amor incondicional pela Virgem Maria e pela Sagrada Eucaristia.Sempre foi pobre, sua única fonte de renda eram as esmolas e delas fazia uso em favor dos mais necessitados, sua casa era refúgio dos pobres e desvalidos, nada considerava de seu, tudo era de todos.

O dia 23 de setembro de 1905, marcou profundamente a cidade de Três Pontas, o Pároco Padre Victor, estava com 78 anos,  e foi vitima de um AVC que o levou a óbito, não tinha nada de seu, alem da roupa do corpo.A notícia deixou a cidade em estado de choque, todos choravam a morte do pai de todos o Cura de Três Pontas voltava para a casa do PAI.

Seu corpo permaneceu por três dias sendo velado, pois o numero de pessoas que chegavam a cada momento, era incontável, pelos três dias, de seu corpo exalou um suave perfume.O sepultamento foi marcado pela presença de incontáveis autoridades civis, eclesiásticas, militares, todos queriam dar adeus ao Santo de Três Pontas.

Hoje seus restos mortais  repousam na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda em Três Pontas, graças incontáveis lhe são atribuídas, muitos peregrinos ao longo desses 111 anos recorreram a sua intercessão.

No dia 14 de novembro de 2015, a Igreja declara Padre Francisco de Paula Victor, Bem Aventurado, que possamos com seu exemplo e seu amor, seguir Jesus Cristo e viver o Santo Evangelho.

PAZ E BEM

Marcio Antonio Reiser OFS.