sexta-feira, 19 de junho de 2015

“BEATA ALBERTINA BERKENBROCK”


“15 DE JUNHO”

“MARTIR DA CASTIDADE”



“Uma coisa peço a Javé, e só esta procuro: é habitar na casa de Javé, todos os dias de minha vida, para gozar a doçura de Javé e contemplar o seu templo”. (Salmo 27)


No dia 11 de abril de 1919, no belo município de Imaruí, em São Luis - Santa Catarina, nasceu Albertina, filha dos agricultores Henrique e Josefina Berkenbrock. Foi levada a pia batismal no dia 25 de maio de 1919.
Sua família, virtuosa e temente a Deus, logo lhe transmitiu o valor de uma vida de oração ensinando-lhe as principais orações do cristão, que por ela eram recitadas várias vezes ao dia. A participação da Santa Missa, era para a pequena Albertina um encantamento principalmente depois que recebeu a primeira comunhão em 16 de agosto de 1928.
Albertina dizia que o dia mais feliz de sua vida, foi realmente o dia de sua 1º comunhão; Jesus Eucarístico era o seu tudo. Pela virgem Maria nutria um carinho e uma devoção especial. O Santo Terço era rezado em família todas as noites, e Albertina sempre se recomendava a virgem Maria pela salvação de todos e pela sua própria.
Jovem de aspecto saudável e forte, sempre ajudou seus pais nos serviços mais pesados da roça e nos afazeres domésticos.
Gostava de cuidar dos irmãos menores, era sempre muito alegre e generosa para com todos. Não poupava esforços em praticar a caridade e a generosidade na comunidade. Todos nutriam pela pequena Albertina, um carinho especial.
Seus olhos reluziam uma beleza celestial, seu olhar era encantador e expressava a pureza que residia em seu coração que não conseguia ver maldade humana.
Sempre zelosa em seus afazeres, ao perceber que um boi de seu pai estava desaparecido, e o dia já ia avançando, saiu a procura pelas matas próximas de sua casa.
Ao longe avistou Maneco, um empresário de seu pai que transportava feijão em sua carroça. Albertina perguntou ao Maneco se por acaso não viu o boi, que estava desaparecido.
Manoco, ente um desejo incontrolável, de realizar suas fantasias com pequena Albertina e indica-lhe um caminho contrário, distante e perigoso. Pensou em seu ardiloso coração: “se Albertina não aceitar, vou usar o canivete”.
Albertina sem desconfiar de nada segue a indicação de Maneco entrar por entre a mata e de repente, por entra a folhagem percebe a presença de Maneco, e este sem disfarçar propõe suas intenções a pequena Albertina ela, no mesmo instante, recusa com determinação a proposta de Maneco.
Vendo-se em perigo, Albertina tenta fugir, Maneco, num acesso de raiva e fúria derruba Albertina e com violência luta com todas as forças contra a menina, e esta com todas as suas forças defende sua honra.
Maneco ao perceber que nada conseguirá, agarra Albertina pelos cabelos e enterra o canivete em seu pescoço. Albertina esta morta, seu corpo lavado de sangue, porém sua honra e virgindade intactas por amor a Deus.
O assassino vai a casa da família Berkenbrock e diz ter encontrado o corpo de Albertina e que sabia quem tinha cometido o crime; acusou João Candinho, que mesmo afirmando ser inocente, foi preso.
Durante o velório, um grande número de vizinhos, parentes e amigos lotaram a casa dos Berkenbrock. Maneco estava lá e cada vez que chegava perto do caixão de Albertina, o sangue escorria do corte do pescoço.
Todos começaram a desconfiar, e Maneco fugiu, foi preso em Aratingaúba e confessou além do assassinato de Albertina, os seus outros crimes. Maneco foi condenado e morreu depois de alguns anos na prisão.
Albertina passou a ser considerada Santa por todo o povo, e de muitos lugares chegavam caravanas para visitar o túmulo da virgem mártir. Muitas graças foram alcançadas.
Em 2000 Dom Hilário Moser, retomou a causa de beatificação, sendo assinado o decreto em 16 de dezembro de 2006, pelo papa Bento XVI; e por se tratar de martírio não é necessário a comprovação de milagre.
Albertina foi beatificada em 20 de outubro de 2007 em frente a Catedral de Tubarão (SC).
Que seu exemplo nos encoraje, beata Albertina Berkenbrock.







segunda-feira, 11 de maio de 2015

Maria Nossa Mãe e Nossa Senhora:


“Eis que  finalmente voltou o Mês da linda Mãezinha...” Assim escreveu São Pio de Pietrelcina, no início do mês de Maio.

A tradição nos lembra que o mês de Maio é chamado, também, de mês das graças e das Glorias de Maria.Quem bem celebra o mês de maio, agraciado há de ficar.
Somos herdeiros dos costumes e das tradições Européias, e lá, no mês de Maio é primavera e portanto o mês das flores, e MARIA sempre chamada de Rainha das Flores, a ROSA MISTICA do jardim do SENHOR.

No ano de 1965, o PAPA PAULO VI(BEATO) escreveu: “Porque o mês de Maio traz esta poderosa chamada a uma intensa e confiante oração, e porque nele nossos pedidos acham mais fácil acesso ao CORAÇÃO MISERICORDIOSO DA VIRGEM, foi feito uso  pelos nossos pré-decessores escolher este mês , consagrado a Maria para  convidar o povo cristão a orações públicas, cada vez que a IGREJA necessitasse ou que qualquer perigo ameaçasse o mundo”.

É de suma importância manifestar o nosso amor e nossa devoção a MÃE DO SENHOR, São Luiz Maria Gringhon de Monfort assim escreveu:”OH! Se Maria fosse ao menos conhecida, quão mais  admirável seria a nossa fé, e como seriam diferentes as nossa comunhões”.
ELA o paraíso do novo adão, a fonte selada; torna-se, pelo seu sim, o primeiro sacrário da terra, a Arca da Nova Aliança.Traz em seu ventre o VERBO encarnado, o  Messias, o Salvador tão esperado.

É de se admirar o quanto o SENHOR nos ama. Deixa JESUS, o seu trono de Gloria para adormecer nos ternos braços de sua Mãezinha Maria. Os mangares celestes são trocados pelo leite virginal de Maria, suas vestes reais, trocadas pelas tecidas pelas mãos Imaculadas, também de Maria.  E qual palácio real poderia acolher o REI dos CÉUS ? Outro não seria que a humilde  casinha de Nazaré, tão simples e tão acolhedora, em suas paredes ainda ecoavam as palavras de Gabriel e o Fiat de Maria.

Podemos até imaginar o quanto JESUS foi feliz desfrutando da companhia de seus pais, o cotidiano terreno foi divinizado pela presença do SENHOR...
São Jose de Anchieta, Apóstolo e Missionário do Brasil, escreveu nas areias  da praia, o maior e o mais belo poema em honra da Santíssima Virgem Maria, com quase 6000 versos, entre eles destacamos:”SALVE Ò MARIA! TEU HUMANO SEMBLANTE É  TÃO NOBRE QUE TUA FORMOSURA VENCE  TODAS AS BELEZAS TERRENAS”.

Impossível encontrar tantas virtudes em uma só criatura, sómente a IMACULADA, desde todo o sempre, foi adornada de tanta beleza e graça. Como não poderia ser diferente, afinal  ela fora escolhida para  dar a forma humana ao filho de DEUS.Era tanta beleza e graça que o Embaixador do Céu, o Anjo Gabriel, caiu de joelhos e por algum tempo não ousou levantar os olhos, parecia impossível encontrar tanta beleza em uma só criatura, e exclamou: AVE CHEIA DE GRAÇA...
A ternura e bondade da Jovem Maria de Nazare, encantava a todos que a conheciam, seus vizinhos e amigos lhe tinham em grande estima, os parentes  eram admiradores  de seu comprometimento e seu gestos de solidariedade, mesmo com todas as suas dificuldades, era um tudo para todos que a ela recorriam. O pequeno Jesus, sentia um grande orgulho por tudo  de bom que falavam de sua MÂE. Era muito amada por todos...

Penso que a dor maior do SENHOR, foi pensar na separação carnal de sua mãe, Ele sabia que ela não tinha mais ninguém, e com sua partida ela ficaria desprotegida, sua hora já estava chegando era preciso bem prepará-la!
JESUS vai a Nazare e fica com sua Mãe por alguns dias, sómente os dois, iam revivendo as lembranças e juntos riam e brincavam, era um misto de cumplicidade e amor.Mãe e filho eis o mistério de amor! O Plano amoroso de DEUS Pai, teve o consentimento dos dois, um Plano de amor que seria consumado numa cruz.
JESUS é preso! Todos o abandonam! Eis que surge, silenciosa a MÃE DAS DORES, acompanha todos os momentos  finas do Filho, seu olhar de Mãe conforta a dor do Filho, eram trocas de olhares impossíveis de serem desvendadas, entre os dois tudo era mistério de amor.Ei-lo pendurado! A Mãe em Pé, como a dizer:”EIS-ME AQUI, MEU FILHO”, eram dois corações rasgados,um  pela lança o outro pela  ingratidão dos homens!
Poucas palavras e muitos gestos, e tudo esta consumado...
Eis o que lhe colocam nos braços, o seu MENINO, fruto de suas entranhas, com seu corpo totalmente desfigurado e completamente gélido.As mãos da Mãe acariciam os cabelos endurecidos pelo sangue, o rosto escarnecido  e desfigurado a levam a dizer:”MEU FILHO< SANGUE DO MEU SANGUE E CARNE DA MINHA CARNE”.

Na Maternidade DEUS  divinizou a mulher, que todas as mulheres possam ter em seus corações essa certeza. Ser mãe é viver no Paraíso!
PAZ E BEM!            

Marcio Antonio Reiser OFS.

domingo, 10 de maio de 2015

São Bento José Labre


16 de abril

O Mendigo de Cristo

Em Amettes, próximo a Arras, na França, no dia 27 de Março de 1748 nasce Bento José Labre, o primeiro de uma prole de quinze filhos. Seus pais eram modestos agricultores, porém, generosos e tementes a Deus.
Bento, assim como os outros irmãos, estudou numa escola rural. O pouco estudo lhe rendeu muitos valores. Aprendeu o latim com um irmão de sua mãe, e logo cedo sentiu o despertar do servir a Deus. Desejava ser monge trapista.
Quando completou 18 anos, com o consentimento dos pais, ingressou no convento trapista de Santa Algegonda. Sua permanência foi curta; os monges não o aprovaram. Não se dando por vencido, viajou centenas de quilômetros, debaixo de um rigoroso inverno, até a Normandia, onde pediu admissão no convento cisterciense de Montaigne. Não obteve autorização para ingressar.
Por mais duas vezes, Bento José ainda tentou ingressar em mais dois conventos: o dos cartuchos de Neuville e o de Sept-fons, e em nenhuma das duas vezes obteve sucesso. O desejo de servir a Deus e anunciar o Evangelho era maior do que todas as recusas.
Já peregrinando por dois anos, Bento, com 20 anos, decidiu que o seu mosteiro seria as estradas e, como peregrino, anunciaria o Evangelho nas periferias e ruas das cidades por onde passasse.
Em seu embornal de peregrino, levava somente o Novo Testamento, a Imitação de Cristo, o Breviário; o crucifixo trazia ao pescoço e o terço sempre nas mãos e em atitude de oração.
Seu quarto de dormir eram as ruínas do Coliseu. Alimentava-se das esmolas que recebia; pães, ervas, eram-lhe suficientes, além da água. Durante o dia, percorria as igrejas de Roma, além de todos os lugares sagrados da região.
Percorreu todos os santuários da Itália; somente o de Loreto visitou 11 vezes. Bento caminhava rezando e meditando e junto aos mendigos de Roma, lia o Evangelho, e ensinava-lhes a oração do santo rosário.
Sua vida de peregrino maltratou sua saúde; o frio, a neve, a pouca alimentação foram limitando as forças do mendigo de Deus, Bento José.
As condições de higiene eram por demais precárias, seus pés estavam feridos e cansados, suas pernas deformadas pelas andanças e pela artrose, suas mãos calejadas,  seu olhar cansado era como um farol luminoso da Graça.
Por todos aqueles anos, conquistou a simpatia de todos: sacerdotes, religiosos, estudantes, crianças, idosos e comerciantes. Todos lhe tinham em grande estima e respeito.
Bento José, apesar de sua aparência descuidada, era visto como um santo; suas palavras eram sempre de amor, gratidão, respeito e exortação. Por onde passava, traçava o sinal da cruz e a todos abençoava.
Cumpriu, por assim dizer, o seu ministério entre os mendigos e moradores de rua; seu apostolado foi grandioso pela sua pobreza e simplicidade.
Na primavera, já doente e cansado, o mendigo de Deus é encontrado agonizando na rua. É levado para a casa de um amigo, onde veio a falecer no ano de 1783.
Foi sepultado próximo da Igreja de Santa Maria dos Montes, e seu túmulo logo passou a ser visitado e tornou-se um lugar de romarias.
Suas virtudes foram reconhecidas pela Igreja e no ano de 1881 foi canonizado pelo Papa Leão XIII.
Que seu exemplo de amor e desprendimento nos inspire a praticar a verdadeira caridade.
Amem!

São Bento José Labre, rogai por nós!

segunda-feira, 9 de março de 2015

“São Longinos (Longuinho)”

15 de março
“... Chegando, porém a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com um lança e imediatamente saiu sangue e água (Jo 19, 33-34)”.
Eis que o coração é rasgado pela lança de um soldado romano, are-se ali o oceano da misericórdia, sangue e água jorram em abundância... Nasce a Igreja, fonte dos sacramentos. O soldado romano Longinus (Longinos), que com sua lança abriu-lhe a chaga do coração foi o primeiro a experimentar, e sentir os efeitos da graça redentora da Cruz. Seus olhos se abriram e seu coração foi tocado pelo arrependimento de seus muitos pecados.
O nome Longuinho vem de Longinus. Porém Longinos vem do grego Ionkhe, que quer dizer lança, lançador. Diz à tradição que Longino chamava-se Cássio, e era um dos centuriões romanos escalados para vigiar o Jesus na Cruz.
Cássio era um dos melhores centuriões romanos, gozava de prestígio junto às autoridades de Roma. Alguns estudiosos afirmam que o bravo soldado sofria de uma grave enfermidade nos olhos; foi no exato momento que o coração de Jesus, rasgando seu sangue preciosissímo respingou em seus olhos curando da cegueira física e espiritual. Prostrou-se por terra e por vezes repetiu: “... Na verdade este homem era um justo” (Lc. 23,47).
Um não judeu tornou-se o primeiro Cristão da história, o convertido da Cruz renunciou a sua condição militar do Império de Cesar e foi instruído pelos apóstolos.
Podemos supor que estivesse também em pentecostes. Foi batizado e partiu para Cesaréia e em seguida Capadócia, muitos se converteram por seu testemunho e sua pregação. Certa vez foi aprisionado pelo exército do governador romano, que queria obrigá-lo a fazer sacrifícios aos deuses pagãos romanos. Longinos recusou-se, e teve sua língua cortada e seus dentes arrancados com furor e crueldade.
Para o espanto de todos, mesmo depois de tanta violência, Longinos voltou a falar e enfrentou o governador quebrando seus ídolos pagãos. Diz-se que dos ídolos saíram vários demônios que se apoderaram do corpo do governador, que começou a gemer e gritar com grande furor.
-Longinos perguntou aos demônios: Por que viviam dentro dos ídolos? E eles responderam:
-Nossa habitação é aonde não se fala o nome de Cristo e nem se faz o seu sinal.
Por ordem do governador  e a seu pedido, Longinos foi decapitado, e em seguida o próprio governador prostrou-se por terra em lágrimas de arrependimento, implorou o perdão de Deus, prometendo tornar-se uma pessoa melhor e um cristão exemplar.
Longinos, é muito venerado na Espanha e também no Brasil; em Guararema, interior de São Paulo encontra-se uma imagem de São Longinos.
Oração a São Longinos:

Glorioso São Longinos, a vós suplicamos cheios de confiança em vossa intercessão. Sentimo-nos atraídos a vós por uma especial devoção, e sabemos que nossas súplicas serão ouvidas por Deus Nosso Senhor, se vós, tão amado por Ele, nos fizer representar.
Vossa caridade, reflexo admirável, inclina-se a socorrer toda miséria, a consolar todo sofrimento,a suprir toda necessidade em proveito de nossas almas, e assegurar cada vez mais nossa eterna salvação, com a prática de boas obras e a imitação de vossas virtudes! Amém
PS: Por crendice ou devoção, no Brasil, São Longinos é recorrido para achar coisas perdidas e em retribuição dar três pulinhos... Não se sabe nem a origem e nem a razão de tal devoção.

Paz e Bem! 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Nossa Senhora do Desterro


18 de fevereiro

Padroeira dos migrantes

Um véu cintilante de estrelas cobria o céu azul-escuro da encantadora Belém. “Belém de Judá... de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo” (Miq. 5, 2).
Os Magos partiram, por outro caminho, conforme o aviso que tiveram em sonho! Herodes, furioso, persegue o Menino em Belém e arredores, e determina a execução de todos os meninos de dois anos para baixo.

“É o massacre dos inocentes”. Os primeiros a derramarem o sangue em nome de Jesus!
José, Maria e o Pequeno Jesus estão a caminho! Imaginemos o susto que o aviso do anjo lhes causou. Estavam longe de casa, por certo, o que traziam na bagagem, nada mais era do que lhes permitia a pobreza, e os bens, que a Providência Divina lhes proporcionou pelas mãos dos Magos.
José transforma o lombo do fiel burrinho num trono confortável e aquecido!
Ó feliz burrinho! A passos lentos transportavas, orgulhoso, a Rainha escolhida com o Pequeno Rei em seus braços.
O caminhar era silencioso, Maria pensava nas palavras do Anjo Gabriel. Lembrava das profecias do velho Simeão no Templo. “Uma espada de dor transpassará a tua alma”. Tudo era guardado em seu coração! A dor transformava-se em alegria quando contemplava o rosto sereno do seu menino, nascido de suas entranhas e que também era o seu Deus!
Passo a passo, o jovem e justo carpinteiro José, pensava no futuro; pensava na nova vida no Egito e em seu coração refletia sobre um outro José, o filho de Jacó, que foi para o Egito como escravo, tornou-se o conselheiro real e salvou a descendência do povo de Israel da miséria. E também lembrou-se do grande libertador do povo de Israel, Moisés do Egito!
Uma viagem penosa e perigosa, a escuridão da noite através de desertos e florestas, animais bravios e salteadores! Os sobressaltos que padeceu a Sagrada Família, durante o trajeto, dariam subsídios suficientes para uma comovente novela de aventuras.
São Pedro Crisólogo escreveu, tão belamente, sobre a necessidade da fuga e justificou assim: “Que Cristo fugisse, foi mistério, não temor; foi virtude divina, não fraqueza humana; não fugiu por causa da morte do Autor da Vida, mas por causa da Vida do Mundo. Pois tendo vindo para morrer, fugiria a morte?...”.
Uma antiga lenda nos diz que, à passagem da Sagrada Família rumo ao Egito, as palmeiras inclinavam-se, as fontes brotavam e os corações eram transformados por uma presença desconhecida!
A tradição nos mostra a cidade de Heliópolis, centro do culto ao Sol, como lugar escolhido pela Sagrada Família para residirem. Lá já viviam muitos Hebreus, e lá também existia um templo ao Deus verdadeiro!
Lá permaneceu a Sagrada Família até a morte de Herodes! Era o quarto ou quinto ano da era Cristã. Mais uma vez a palavra do Senhor se cumpria! “Eu chamei do Egito o Meu Filho” (Os 11, 1).
O Verbo de Deus encarnado, a Palavra de Deus, ou o Próprio Evangelho vivo é apresentado aos pagãos. O Egito mais uma vez é lugar de exílio e testemunha do plano Salvador de Deus!
“A Sagrada Família nos ensina e aconselha a praticar o apostolado sempre e em todos os lugares, e até em circunstâncias desfavoráveis da vida, às vezes contra o nosso próprio gosto, somos obrigados a partir!”.
O homem põe e Deus dispõe.
Herodes persegue e Deus prossegue!
Nossa Senhora do Desterro é a protetora de todos aqueles que por vontade própria, ou por situações adversas, deixam suas terras em busca de um mundo melhor.
A nossa capital Florianópolis chamou-se por mais de dois séculos “Vila do desterro”, pois nasceu em torno da capela construída em 1673 por Francisco Dias Velho. Na Catedral de Florianópolis encontra-se a maravilhosa escultura em tília, de tamanho natural, de autoria do escultor Demetz; trata-se da imagem do desterro da Sagrada Família para o Egito. A obra é marcada por tanta beleza que é considerada uma das mais belas do mundo.

Que a Virgem do Desterro nos abençoe e nos conduza para o bem caminho!


Paz e bem!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Nossa Senhora da Guia



Eis o paraíso do novo Adão, o jardim secreto de Deus. Um jardim de flores multicores que exalam os odores de todas as virtudes. Eis o jardim que o Senhor plenificou com suas maravilhas... Eis a Santíssima Virgem Maria, nossa senhora e nossa guia.

Eis que os magos partiram do oriente; seguiram a estrela guia por dias a fio. Estavam no caminho certo: a estrela apontava para Israel. De repente, deixam de seguir a guia e entram em Jerusalém; na verdade deixaram de seguir a luz e encontraram as trevas: o ódio e a hipocrisia de Herodes.
Quando perceberam o erro, depois de algumas informações desencontradas, tornam a olhar para o céu e lá encontram novamente a estrela que os orienta, a estrela guia...
Belém de Judá, eis o local indicado. Quando olham novamente para o céu, percebem que o seu brilho ficou mais intenso. É aqui!!!
Encontraram a cidade, só faltava encontrar o pequeno Rei, o Rei de Israel apontado pela guia. Andando pelos campos, encontram uma estrebaria e, nela, o reizinho no colo de sua mãe e José, o pai silencioso.
Inclinam-se em adoração e, por alguns minutos, permanecem calados. O encontro daquela criança os deixou sem fala.
Entregam os presentes, manifestam seus louvores e partem de volta com a certeza de ter encontrado a Luz do mundo no rosto rosado daquele menino.
A estrela de Belém foi a guia luminosa que anunciou a todas as nações o nascimento do filho de Deus.
O pequeno Jesus, o filho de Deus humanado, vê-se envolto em faixas e mantas quentes confeccionadas por sua mãezinha.
Eis que o menino com fome, chorando, implora pelo leite materno, o manjar das delícias... Em tudo o pequeno depende de sua mãe. Ela é a mãe e guia do pequeno Jesus. Seus pequenos passos são guiados pela determinação de Maria.
Em todos os momentos e de todos as formas, Jesus teve necessidade da orientação da direção de Maria.
Humanamente falando, podemos dizer que Jesus quis, desejou e permitiu ser guiado pela Santíssima Virgem.
Durante sua vida pública, Cristo demonstrou conhecer as minúcias da existência simples dos operários e camponeses, aprendidas diretamente de sua mãe e de seu pai adotivo, José.
O título de Nossa Senhora da Guia é litúrgico e tem sua origem na Igreja Ortodoxa, onde a Virgem Maria é invocada sob o nome de “Odigitria”, que significa “Condutora”, “Guia” de Jesus, desde sua infância até a sua vida pública e consequentemente, guia e protetora do povo de Deus.
Sua festa foi instituída pelo Papa Pio VII que determinou sua comemoração no segundo Domingo após a Epifania do Senhor.

Oração

Ó Virgem bendita, guiai nossos passos, protegei-nos e livrai-nos de todos os perigos e de todo o mal. Nas mais diversas circunstâncias da vida, mostrai-nos Jesus, que é caminho, verdade e vida.
Ó Senhora da Guia, abençoai a Nossa Igreja, guiai o Santo Padre o Papa Francisco, nosso Bispo diocesano, todo o clero.
Pedimo-vos, também, sede a guia dos agonizantes e moribundos até a Pátria Celeste; o consolo das almas do purgatório e o auxílio de todos os vossos filhos e filhas que peregrinam por este mundo. Amém.

Nossa Senhora da Guia,
guia-nos!


Amém.