segunda-feira, 17 de março de 2014

São José de Anchieta


9 de junho


“És mãe e Virgem, Mãe Dulcíssima da Vida! Digamos tudo: Tu és a Mãe de Deus! Deste à luz o Unigênito do Pai: Cremos que ele é teu filho único e Primeiro. Somente ele nasceu do teu seio, deixando intacta a estrada triunfal da tua virgindade”. (Poema da Virgem – José de Anchieta).

A bela Tenerife, das Ilhas Canárias na Espanha, é testemunha do grande acontecimento que marcou o dia 19 de março de 1534: o nascimento do pequeno José de Anchieta, seu filho mais ilustre. Depois de horas difíceis de parto, o pequeno José (nome escolhido em homenagem a São José), vem ao mundo, trazendo alegria ao lar do Sr. João Lopes de Anchieta e de Dona Mência Dias de Clavijo y Larena.
D. Mência, filha de judeus convertidos ao catolicismo, era mulher forte e decidida; depois de José teve mais onze filhos, sendo três sacerdotes. Anchieta viveu com os pais até os 14 anos, depois se mudou para Coimbra em Portugal, onde foi estudar no Colégio das Artes, anexo à Universidade de Coimbra.
Em Coimbra estudou latim, dialética e filosofia, estudos estes que facilitaram seu ingresso na Companhia de Jesus, ordem recém fundada, por um parente distante Inácio de Loyola; Anchieta estava com 17 anos.
Anchieta foi noviço exemplar, distinguia-se pela sua humildade, obediência e extremada devoção a Ssma. Virgem Maria.
Dedicado e prestativo a todo e qualquer serviço, o jovem José não media esforços em tudo realizar para a maior glória de Deus. Seu corpo frágil sentiu por demais os esforços e trabalhos pesados. As dores na juntas e na coluna eram insuportáveis a tal ponto que pensou em deixar a ordem.
Aconselhado por seus superiores, que muito o estimavam, a partir para as Missões no Brasil, tendo em vista o clima tropical, Anchieta com 19 anos, embarcou para o Brasil em 1553, na expedição do Pe. Luis da Grã. Depois de 6 meses de viagem, chegou a São Vicente no natal daquele ano, e de lá foi para o planalto da Piratininga.
O jovem Anchieta dedicou-se a catequizar os índios brasileiros e para isso foi trabalhar com o Pe. Auspicueta e com ele aprender as primeiras palavras do Abanheega, língua geral dos índios Tupis e Guaranis, aprendendo seus idiomas, seus costumes e lendas.
Foi o primeiro a perceber que existia uma raiz comum nos diversos idiomas indígenas falados em nossa terra. Anchieta foi quem consagrou o termo “Tupi” para designar essa raiz comum entre os idiomas indígenas e foi a partir desse entendimento que ele elaborou a gramática da língua.
Suas incontáveis cartas serviram e servem de estudos para a história do Brasil; seus relatos contribuíram grandemente para a elaboração do perfil histórico do povo brasileiro. Anchieta, ao contrário do que muitos historiadores dizem, evangelizou os índios conforme os seus costumes e deles conquistou plena confiança. Ensinava-lhes o latim e compôs poesias em tupi; além de peças teatrais e autos. Ainda hoje Padre Anchieta é considerado patrono do teatro brasileiro.
Como poeta, sua obra prima é sem dúvida, o poema em latim à Bem-Aventurada Virgem Maria, escrito primeiramente nas areias da praia de Iperiog, no litoral santista, quando ficou prisioneiro dos Tamoyos por 5 meses. Quando foi libertado, transcreveu o poema de mais de 5000 versos para o papel.
No dia 25 de janeiro de 1554, o Pe. Manuel de Nóbrega celebra a missa festiva da conversão de São Paulo, no pátio do colégio, e com Anchieta é lançada a pedra fundamental da cidade de São Paulo.
José de Anchieta segue em companhia do Capitão-Mor-Estácio de Sá em direção a baía da Guanabara e em 1º março de 1565, lançam os primeiros fundamentos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
José de Anchieta foi ordenado sacerdote em São Salvador da Bahia. Pe. Anchieta sempre se mostrou como homem zeloso e sacerdote piedoso. Tinha grande devoção aos santos anjos. Foi num determinado momento da história que uma estranha epidemia atingiu os índios.
A situação era catastrófica e José de Anchieta, além de socorrer as vitimas e cuidar dos ferimentos, organizou uma novena em honra aos nove coros angélicos e com orações e procissões a epidemia foi cessando até o fim da novena.
Pe. José de Anchieta é escolhido Provincial da Ordem no ano de 1567, tendo em vista a morte do Pe. Manuel da Nóbrega. Foi com ele, Pe. Manuel da Nóbraga, que Anchieta conseguiu reatar a paz entre os portugueses e os índios Tamoyos.
Seus últimos anos de vida passou no estado do Espírito Santo, cidade de Reretiba, hoje Anchieta em sua homenagem.
No dia 09 de junho de 1597, com 63 anos e uma grandiosa história, já sem forças, e com seu corpo marcado pelas deformações dos ossos e juntas, que lhe causavam muitas dores, é assistido por 5 colegas e, depois de receber o Santo Viático, entrega sua alma ao Senhor. Seu corpo foi levado pelos índios até Vitória do Espírito Santo, e, nos 80 Km do percurso, os índios cantavam e rezavam em seu idioma, tomados pelas lágrimas e pela comoção.
Que São José de Anchieta nos inspire um desejo ardente de anunciarmos Jesus Cristo. No próximo dia 2 de Abril de 2014, o Santo Padre, Papa Francisco, assinará, atendendo aos incontáveis pedidos de Dom Odílio Scherer de Dom Raimundo Damasceno e de todos os bispos do Brasil, o Decreto de Canonização do Padre José de Anchieta.
Ao declarar José de Anchieta, “Santo”; a Igreja reconhece o valor inestimável de sua vida, totalmente dedicada e consumida em favor de um Brasil recém-descoberto e conhecido. Amém
Oração do Manto de Anchieta
Beato Anchieta, cujo coração abrasado pelo amor ao próximo buscou com afinco aliviar os males do corpo e da alma de todos os que estivessem necessitados, aliviai-nos hoje das aflições deste mundo tão conturbado.E assim como vosso santo manto tantas vezes vos protegeu do sol, do frio, dos ventos, das tempestades e dos perigos da selva, nas incansáveis andanças por terras do Brasil em nome do Senhor, rogamos também neste momento a vossa proteção.  Recolhei-nos de agora em diante sob ele.  Abrigai, envolvei, agasalhai e protegei o nosso corpo dos perigos que diariamente estamos sujeitos a enfrentar, fazendo com que possamos nos tornar invisíveis diante da agressão e da violência de um assalto e de um sequestro.  Abrigai também a nossa razão, o nosso entendimento, o nosso coração e a nossa alma para que reconfortados, fortalecidos e interiormente harmonizados possamos construir a nossa existência neste mundo, como o fizestes, "para a maior glória de Deus".
Beato Pe. Anchieta, a vós que num ato de coragem, tão próprio da vossa infinita bondade e do vosso amor ao próximo, vos tornastes refém dos indígenas, em nome da paz entre todos os irmãos, rogamos também que abrandeis hoje o coração de todos aqueles que nos tornam diariamente reféns do temor em decorrência dos seus atos de desmando cruel.  Dai-lhes discernimento!


Amém!

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