sexta-feira, 31 de outubro de 2014

São Leonardo de Porto Maurício

O apóstolo da Via-sacra

28 de novembro

“Recordar os passos de Jesus na Via-sacra e meditar os cruéis sofrimentos que o Redentor quis ali padecer por todo o gênero humano é um ato de piedade que torna o homem não apenas angélico”. (São Boaventura)

No ano de 1676 nasceu o primogênito do capitão da marinha, Domingos Casanova. Um menino que na pia batismal recebe o nome de Paolo Girolamo Casanova, futuramente, Leonardo de Porto Maurício.
Foi, durante sua infância, marcado pela dor e pelo sofrimento com a morte prematura de seus pais.
Alguns parentes encaminharam o pequeno Paolo para estudar em Roma. Lá, conheceu a Ordem franciscana e por ela logo se encantou, pedindo seu imediato ingresso.
Logo após sua ordenação, partiu para Florença e lá, por um bom tempo, exerceu sua atividade pastoral. Foi também em Florença que suas pregações se tornaram sinais de incontáveis conversões.
Frei Leonardo destacava-se como exímio pregador; homem simples e de oratória impecável, atingia a todos sem exceção.  Por fim, chegou aos ouvidos do Papa Clemente XII que, da Ordem franciscana, um novo luzeiro e exímio pregador arrastava multidões.
Por todos os lugares em que passava, Frei Leonardo tinha o cuidado de implantar na alma do povo a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e da Sagrada Paixão de Nosso Senhor, a adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento e o culto à Santíssima Virgem.
Grande entusiasta e defensor da Imaculada Conceição, sonhava e desejava ver proclamado seu dogma. (O Dogma da Imaculada Conceição somente foi proclamado em 1854)
Andava Frei Leonardo com seu hábito sempre surrado e puído; seus pés estavam sempre descalços. Trazia sobre o peito a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, com os cravos da Paixão.
Por todos os lugares de missão, jamais aceitou presentes ou agrados. Seu único desejo era a salvação de todos e a maior glória de Deus. Somente se afastou das santas missões por 5 anos por motivos de saúde.
O nosso Santo era por demais exigente consigo mesmo. Em todos os lugares de missão, procurava dormir em chão batido, com pouca ou quase nenhuma coberta. Para ter diante de si a lembrança da Sagrada Paixão de Nosso Senhor, fazia todos os dias o exercício da Via-sacra e nas sextas-feiras mastigava ervas amargas, em memória do sofrimento de Jesus na cruz.
Era um apaixonado pela Virgem Maria; tanto que a cada hora do dia a saudava com o bater do relógio. Em todas as missões recomendava aos ouvintes a devoção filial à Santíssima Virgem, como melhor antídoto contra o pecado mortal.
Considerava o Santíssimo Sacramento como o sol do cristianismo, a alma da fé. Adorador amoroso e fervoroso, sua fé e suas obras de caridade sempre caminharam juntas. No confessionário passava horas incontáveis e era lá que todos iam buscar o alívio do corpo e da alma.
Era austero consigo mesmo. As marcas das mortificações, o corpo macerado pelos jejuns serviam de exemplo para os seus irmãos.
Frei Leonardo, ao longo de sua vida, foi exemplo de fidelidade ao Evangelho. Num espaço de 44 anos pregou 326 missões em 84 dioceses. Ficou conhecido por haver pregado e difundido o exercício da Via-sacra.
Foi no ano de 1750, ano jubilar, que Frei Leonardo, com grande piedade e zelo, pregou a Via-sacra no Coliseu de Roma. Era o dia 27 de dezembro.
Foi a primeira vez que o Coliseu serviu para um ato religioso.
Desde aquela data ainda é costume o Santo Padre, na sexta-feira Santa, fazer o exercício da Via-sacra no Coliseu.
Com 75 anos, um corpo marcado pelas dores do tempo e pelos excessos de penitências, dá sinais de falência. Frei Leonardo está no convento de São Boaventura e foi lá que entregou sua alma. Pio VI o declarou “Beato”; Pio IX o proclamou “Santo”, e Pio XI “Padroeiro dos missionários”.

Paz e bem!





Santo Antônio de Sant’Anna Galvão


25 de outubro


O primeiro Santo brasileiro

No dia 11 de maio de 2007, estávamos em São Paulo para participar da celebração de canonização de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão por Sua Santidade o Papa Bento XVI.
Posso garantir que foi uma emoção única. Ficamos por mais de dez horas até o momento final da celebração. Louvo a Deus pela vida e missão de Frei Galvão e por ter me permitido participar de sua canonização.

Sua vida

No ano de 1739, na bela Guaratinguetá, localizada em São Paulo, nasceu Antônio de Sant’Anna Galvão, filho do Capitão mor Antônio Galvão de França (franciscano da Ordem Terceira) e de dona Isabel Leite de Barros. Seus pais eram pessoas virtuosas, caridosas e tementes a Deus. A família era constituída do casal e de seus onze filhos.
Antônio de Sant’Anna, tão logo completou 13 anos, foi enviado ao seminário dos Jesuítas na Bahia. Seu irmão José já estava lá, no mesmo seminário. A formação que ambos tiveram foi exemplar. Por toda a sua vida, Antônio de Sant’Anna fez referência aos anos em que esteve com os jesuítas.
Tão logo completou 12 anos, pediu admissão na Ordem Franciscana, e, no ano de 1762, foi ordenado sacerdote como frade da Ordem dos Menores.
No ano de 1768, sendo confessor e pregado do Convento das Recolhidas de Santa Tereza, conheceu irmã Helena, mulher de oração e virtudes notáveis.
Irmã Helena, em seus colóquios com Frei Galvão, revelou as visões e revelações que Jesus lhe fizera. Nelas, o próprio Senhor pedia a construção de um novo recolhimento, com regras mais rígidas e um modo de vida mais austero.
Por esse tempo, todas as funções e construções estavam proibidas pelo Marquês de Pombal. Pombal nutria ódio pela Igreja e, em especial, pelos jesuítas. Frei Galvão, desafiando o próprio Marquês, iniciou a construção conforme às instruções de Irmã Helena.
No ano de 1774, o recolhimento ficou pronto contra ordens superiores, porém, atendendo à solicitação do próprio Jesus. O recolhimento recebeu o nome de “Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência”.
A jovem Irmã Helena veio a falecer no ano seguinte, e, para piorar, veio a determinação oficial de fechar o mosteiro. Frei Galvão obedeceu mais não cedeu, e, logo, um levante popular fez com que o Marquês reconsiderasse sua decisão, e o convento foi reaberto.
No ano de 1802, a igreja do mosteiro ficou pronta. No ano de 1811 fundou o Recolhimento de Santa Clara, em Sorocaba, a pedido do Bispo de São Paulo. Em seguida, é enviado como guardião do Convento de São Francisco, em São Paulo.
Com o passar do anos, o avanço da idade e o enfraquecimento das forças, Frei Galvão é autorizado a morar no Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição, na Luz, num pequeno quarto, atrás do tabernáculo nos fundos da igreja. Lá era tratado com muito carinho pelas irmãs e pelos dois confrades que lhe davam assistência.
Frei Galvão era homem de oração e ardente caridade; seu olhar era cheio de bondade e de seus lábios somente se ouviam exortações e admoestações de grande sabedoria.
Era zeloso da salvação e santificação das almas. Passava horas contínuas no confessionário e, para todos os que a ele recorriam, tinha um conselho e uma palavra de alívio nos sofrimentos.
Muito famosas são as pílulas de Frei Galvão. Conta-se que, por diversas vezes, o santo fez uso de uns pequenos papelotes e neles escreveu, “Depois do parto, ó Virgem, permanecestes intacta. Mãe de Deus, intercedei por nós”. Esses papeizinhos minúsculos eram enrolados e distribuídos como remédio. Muitos e vários forma os casos de cura e alívio de todos os males e dores, inclusive em partos difíceis.
Até hoje o Mosteiro da Luz distribui centenas de pílulas, as pílulas de Frei Galvão, a todos os que lá se dirigem em suas angústias e dificuldades.
O amor de Frei Galvão pela Virgem Imaculada era uma amor sem medidas e uma confiança total em sua materna proteção.
No dia 23 de Dezembro de 1882, estando com 84 anos, gozando de uma lucidez invejável e de santidade que exalava um perfume de rosas incomparável, cercado de suas filhas espirituais, seus confrades, entrega sua alma ao Senhor.
O Recolhimento, ou Mosteiro da Luz, como hoje é conhecido, se tornou patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO. Frei Galvão projetou, construiu e ajudou até mesmo como pedreiro, e hoje é declarado como Patrono dos arquitetos.
Foi beatificado por São João Paulo II em 25 de outubro de 1998 e canonizado em 11 de maio de 2007 em São Paulo.

Que Santo Antônio de Sant’Anna Galvão nos ajude e nos inspire em gestos de paz e bem! 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

São Januário (Genaro)


19 de setembro

Os judeus olhavam com horror os cadáveres, mas os cristãos consideravam-nos preciosos, porque eles foram habitação do Espírito Santo (1 Cor. 3, 6) e são como uma semente donde germinará um corpo glorioso no dia da ressurreição (1 Cor. 15, 42). Veneramos as relíquias dos santos para adorar aquele em quem e por quem eles morreram. (São Jerônimo). O próprio Deus honra as relíquias, porque se serve delas para operar milagres.

Aos pés do Vesúvio, o vulcão das grandes erupções da história, está a bela Nápoles. Bela por sua natureza e pela alegria de seus habitantes.
A história nos conta que Januário nasceu e viveu por volta do final do século III em Benevento, cidade localizada a uns 70 km de Nápoles.
Descendente dos nobres Januários, destacou-se desde a mais tenra infância por sua piedade e virtudes cristãs.

Januário, como sacerdote, foi sempre atencioso e solícito com seu rebanho. Seus sermões eram simples e cheios de ensinamentos...
Por sua conduta e formação exemplares, tornou-se bispo de Benevento. Era amado e respeitado por todos. Próximo de sua diocese, vivia um santo homem de Deus por quem o Bispo Januário nutria grande amizade. Era o Diácono Sósio.

Vivia-se um tempo de grandes perseguições aos cristãos. Era o Imperador Diocleciano que, em sua fúria contra a Igreja de Cristo, não media esforços para executar seus planos cruéis.
Pelo ano 303 deu-se a última e talvez mais cruel das perseguições.
O Diácono Sósio foi preso pelo Governador Dracônio, e este, cumprindo uma ordem imperial, exigiu que ele prestasse honras às divindades romanas. Sósio negou-se. Foi cruelmente espancado, quase morto, e encarcerado em Puzzuoli. Quando soube do acontecido, Dom Januário foi ao cárcere levar consolo e palavras de ânimo ao amigo e irmão de fé.
As perseguições se intensificavam e até mesmo o Bispo Januário foi levado ao cárcere. É torturado e recebe ordem de negar a sua fé. Sem apostasia, Januário professa publicamente sua fé em Jesus Cristo e na Santa Igreja. O Imperador, esbravejando, manda que o lançassem em uma fornalha ardente. As chamas por três dias ardem e não consomem o nobre e valente Bispo Januário. Novamente é levado ao cárcere e, mais uma vez, é espancado com crueldade.
Festo e Desidério, dois zelosos clérigos vão visitá-lo no cárcere. Acabam por ficar presos.
Foram todos levados à presença do Governador e, com firme decisão, disseram o mesmo, “Somos cristãos e estamos prontos para dar a vida por Cristo”.
Presos por pesados ferros, foram levados ao cárcere novamente. No dia seguinte, seguiram para o anfiteatro onde o Imperador e todo o povo aguardava o grande espetáculo. Seriam devorados pelos leões.

Dom Januário, seus clérigos e mais quatro jovens foram colocados no centro do anfiteatro, e, todos de joelhos, entoavam cânticos e louvores ao Cristo Jesus.
Quando as grades foram abertas, os leões famintos e furiosos partiram em direção aos condenados e como que mansos gatinhos, deitaram-se aos pés dos cristãos que não cessavam de louvar a Deus.
Toda multidão presente no anfiteatro ficou extasiada com o extraordinário acontecimento. O Governador Timóteo, humilhado e perturbado, mandou que decapitassem os condenados. Naquele momento, a multidão presente se rendeu à fé dos mártires, e com aclamações, os corpos foram levados e dignamente sepultados.

O sangue do Bispo Januário foi colocado em ampolas e guardado como relíquia.
O corpo de São Januário, assim como as ampolas com seu sangue, encontram-se em Nápoles, e, todos os anos, por ocasião de sua festa, acontece o Milagre da liquefação do sangue, sempre que as ampolas são aproximadas da cabeça ou de qualquer uma das relíquias do santo.
Na Catedral de Nápoles temos duas capelas que abrigam as relíquias de São Januário. Numa está conservado o corpo do santo e na outra a cabeça e as duas ampolas com o sangue do mártir.
Que o testemunho e o exemplo de São Januário nos inspire a testemunhar nossa fé, mesmo diante das maiores contrariedades e perseguições.
Somos Cristãos?

Paz e bem!


domingo, 6 de julho de 2014

São Bento de Núrsia

“Ora et Labora”
11 de julho
Em Nursia, perto de Roma, pelo ano 480, nasceram os gêmeos Bento e Escolástica. Seus pais dispensaram cuidados especiais para com os gêmeos, eram zelosos e vigilantes com tudo aquilo que se referia a educação moral e religiosa.
Eram de nobre linhagem, e assim sendo tiveram os melhores formadores e educadores da Europa. Em todas as matérias e disciplinas, destacavam-se com as melhores posições. Porém o que mais lhes atraíam eram as aulas de religião. Os irmãos Bento e Escolástica se encantavam com as histórias dos primeiros cristãos e dos mártires.
Tão logo alcançou a idade para o ensino superior, Bento foi enviado a cidade eterna para dar continuidade de seus estudos, tendo em vista uma boa colocação na magistratura. O Império Romano estava em queda, os princípios morais estavam em decadência, o ambiente, em Roma, era de leviandade o que levou o jovem Bento a retirar-se nas montanhas da Úmbria, seguindo o exemplo dos eremitas. O lugar que escolheu foi , um penhasco quase inacessível. Algumas vezes recebia alimentação por meio de um cesto amarrado em uma corda, que um irmão eremita lhe oferecia.
Bento, por três anos, ficou na solidão daquela gruta, sua vida de oração e penitência contagiou outros jovens que desejavam fazer a mesma experiência. Entre seus primeiros discípulos encontramos Mauro e Plácido. Inspirado na regra dos mosteiros do Oriente, as de São Pacômio e São Basílio, Bento procurou adaptar o que melhor encontrou para a sua ordem monástica do ocidente.
Com a expansão da nova ordem e não encontrando mais o primitivo sossego de , Bento já com 40 anos, segue com os seus para o sul de Roma e lá constrói o famoso Mosteiro de Monte Cassino, o berço da Ordem Beneditina em todos os tempos. Monte Cassino deveria ser um modelo de vida consagrada, vida comunitária, tendo como o superior o abade (Abbas-Pai), vivendo todos a mesma regra e sendo autossuficiente. Os mosteiros beneditinos tiveram uma impressionante expansão por toda a Europa e praticamente, todos os modelos anteriores de eremitérios foram extintos. O fundador Bento elaborou a regra com definições claras para formar bons cristãos, perfeitos em virtudes, seguindo os ensinamentos de Jesus Cristo, vivendo e praticando os mandamentos e os conselhos evangélicos. Ao redigir a regra Bento pensou no equilíbrio e na moderação. A regra deveria estar adaptável a todos e a capacidade de cada um. Todos os irmãos se sentindo encorajados nas batalhas cotidianas. O lema Ora et Labora é correspondente a Oração e Trabalho é um perfeito equilíbrio entre o tempo de repouso, de trabalho, oração e estudo, na dosagem perfeita.
Os Mosteiros Beneditinos tornaram-se na idade média, faróis de evangelização e ciência, centros de formação integral. Tendo em vista o desejo de expandir a regra para mulheres, São Bento contou com a ajuda de sua irmã gêmea – Escolástica, que a poucos quilômetros fundou o Mosteiro das Beneditinas.
São Bento foi homem de intensa vida de oração, levantava-se às 2:00 da madrugada para orar, jejuava diariamente e trabalhava diligentemente. Era na cruz do Senhor que encontrava forças e com ela operou incontáveis milagres e numerosos exorcismos.
Durante as refeições, São Bento era visitado por um corvo que se alimentava das migalhas que o santo lhe dava. Um dia deram ao Santo pão envenenado, e este tendo conhecimento do perverso plano, pediu ao corvo que levasse o pão envenenado para bem longe onde ninguém pudesse encontra-lo. O corvo foi e fez como São Bento pediu.
Mais uma vez tentaram envenenar o Santo. Alguns monges rebeldes desejosos de ver a regra mais flexível pensaram em eliminar o fundador e autor da regra. Durante o jantar, estando todos a mesa, São Bento pegou um copo de vinho e como de costume benze; o copo partiu e o veneno se espalhou. Retirou-se e voltou para o , por algum tempo.
São Bento era homem de profecias e grandes revelações, predisse inclusive que o mosteiro de Monte Cassino seria profanado e destruído. O que aconteceu em 850 e em 1944 na 2ª guerra mundial. São Bento morreu no mesmo ano que sua irmã Santa Escolástica, predisse sua morte e mandou abrir à sepultura seis dias antes de morrer. No dia 21 de março de 547 poucos dias depois de Escolástica, e estando com 67 anos, o patriarca São Bento entrega sua Santa Alma ao senhor e nosso Deus.

“A Cruz Sagrada seja minha luz, não seja o dragão meu guia, retira-te Satanás, nunca aconselhes coisas vãs, é mau o que tu ofereces, bebe tu mesmo o teu veneno”.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Corpus Christi

 O Santíssimo Sacramento

19 de junho

“Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isso em memória de mim...” (Lc. 22, 19)

O Senhor Jesus, na última ceia, logo depois de lavar os pés dos apóstolos, disse-lhes que desejava ardentemente comer daquela ceia com eles. Era a ceia da Páscoa, antecipada pelo que haveria de vir.
O coração do Senhor pulsa aceleradamente; é o amor transbordando como que a rasgar seu peito.  
Eis que atônitos estavam os apóstolos: tudo parecia sem sentido, aqueles gestos, aquelas palavras... Somente o olhar do Senhor irradiava uma luz penetrante e impactante. Tudo era mistério, e mistério de fé!
No partir daquele pão, Jesus deu uma volta no tempo, e fez memória do pão que saciou a fome de Eliseu, do pão deixado ao lado de Elias, embaixo do junípero, e que o faz caminhar por muitos dias. O pão sem fermento do povo de Israel ao sair do Egito... O maná do deserto... Os pães amassados cuidadosamente por sua mãezinha em Nazaré. As diversas multiplicações dos pães e, enfim, o pão da ceia do Senhor.
O gesto da partilha nos leva a pensar que no amor, quanto mais se parte e se reparte, mais aumenta o que se partilhar. Foi na quinta-feira que aconteceu a primeira celebração eucarística.
No horto das oliveiras, o Senhor convida alguns dos seus a vigiar e orar. Era a hora de vigília que Jesus nos quis ensinar.
Eis que na cruz o Santo Sacrifício é consumado. O Senhor se dá inteiramente, seu coração sacrossanto é rasgado, seu sangue preciosíssimo é derramado, “Eis o mistério da fé”: corpo e sangue e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Santo Tomás de Aquino, o apaixonado cantor da Eucaristia, nos diz que, “Assim como na vida corporal é necessária a geração, pela qual o homem recebe a vida, e o aumento, pelo qual o homem é conduzido à perfeição da vida, tão necessária é também o alimento para a sua conservação. O mesmo se dá na vida espiritual: se, para a vida espiritual, é necessário o Batismo, que é geração espiritual; se lhe é necessária a confirmação (Crisma), que é o aumento espiritual, não é possível que subsista sem o Sacramento da Santíssima Eucaristia, que é o alimento espiritual.”
Pão e vinho, corpo e sangue. O Concílio de Trento declarou que, “Nosso Salvador quis que recebêssemos este Sacramento como alimento espiritual da alma, para que fôssemos alimentados, confortados e tivéssemos a vida daquele que disse, ‘Quem come da minha carne, terá a vida em si’.”
A Eucaristia é o Santíssimo Sacramento, é o Sacramento por excelência. Nos outros Sacramentos, recebemos a Graça. Na Eucaristia, porém, está o próprio Senhor.
Eucaristia é ação de graças! Unimos nossas preces no altar do Senhor. Tudo se torna Eucaristia, e saímos da Igreja “eucaristizados”, plenificados com a Graça de Deus!
Dentre os símbolos eucarísticos encontramos o pelicano. O pelicano possui duas membranas no peito para reservas de alimento. Estas reservas são para si e para seus filhotes. Se, por alguma fatalidade, vier a faltar alimentos e as próprias reservas, a mãe pelicano rompe a última membrana e tira sua carne e seu sangue para alimentar seus filhotes. Neste processo, acaba morrendo para lhes dar vida.

Corpus Christi

É a solenidade festiva do Corpo de Cristo que acontece sempre na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade. É uma festa de guarda, para os católicos é obrigatório, portanto, participar da Santa Missa. A procissão pelas vias públicas atende a uma recomendação do Código de Direito Canônico – 944, de testemunhar publicamente a adoração e veneração à Santíssima Eucaristia.
A Igreja Católica, pelo século XIII, sentiu a necessidade de realçar e enaltecer a presença real do “Cristo todo” no pão consagrado. Foi instituída pelo Papa Urbano IV com a bula Transiturus de hoc mundo, em 11 de Agosto de 1264.
Quando Urbano IV era arcebispo de Liège, recebeu os manuscritos do segredo das visões da Irmã Juliana de Mont Cornillon, uma freira agostiniana. Nas referidas visões, Nosso Senhor demonstrou o desejo de ver a Sagrada Eucaristia venerada e adorada com grande destaque.
Para que a solenidade tivesse o devido esplendor, Urbano IV pediu que se apresentassem os ofícios para a festa. O escolhido foi “Lauda Sion”, de São Tomás de Aquino, que permanece até hoje na celebrações.
O decreto da solenidade de Corpus Christi foi assinado em 1264. Urbano morreu em seguida. Na Diocese de Colônia, na Alemanha, a festa tomou maiores proporções e foi lá que aconteceu a primeira procissão nos moldes de hoje, com flores, ramos verdes, tapetes, etc. Da Alemanha, seguiu para a França e depois Itália.
Nossa cidade de Itajaí nasceu sob as bênçãos do Santíssimo Sacramento e da Virgem da Conceição. Em 1824 foi criado o Curato do Santíssimo Sacramento e em 1830 foi erigida canonicamente a Irmandade do Santíssimo Sacramento.
A Matriz do Santíssimo Sacramento é o maior bem da cidade de Itajaí. Ela é por excelência um Sacrário. Desde sua porta principal, tudo em nossa Matriz é grandioso e belo: é um memorial e um testemunho de fé de tantos itajaienses que não pouparam esforços para erguer majestosamente o seu templo em homenagem a Jesus sacramentado.

“Graças e louvores se deem a todo momento ao Santíssimo e Digníssimo Sacramento”.


Paz e bem!    

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Santa Rita de Cássia


“Fostes a rosa preferida, ó Santa Rita de Jesus...”.
22 de maio
O pequeno povoado de Rocca Porena na Região de Cássia, e que está à 700 metros acima do nível do mar, é uma das mais belas povoações da Úmbria (Itália). É um lugar tão silencioso e tão tranquilo, que em tudo se respira paz.
Antonio Mancini e Amata Serri de Fogliano, um santo e feliz casal de Rocca Porena, eram admiradas por todos, por suas santas e piedosas virtudes. Eram assíduos na oração e na caridade, era no Crucificado que encontravam o consolo nos momentos de dor e de dificuldade. Os anos de convivência iam passando, e a cada ano aguardavam a benção tão esperada... A benção da descendência. Um lar sem criança é como um jardim sem flor!
Foram longos 53 anos de espera, até o dia que Dona Amata, em profunda e fervorosa oração, teve a visão de um anjo que lhe assegurou que suas preces tinham sido atendidas e que ela teria um filho (a) que seria grande diante de Deus.
A alegria foi sem conta, no lar humilde e piedoso de Antonio e Amata, quando a gravidez foi confirmada; e mais uma vez o anjo do Senhor apareceu a Amata, e lhe comunicou que seria uma menina e que lhe dariam o nome de Rita.
Era a primavera de 1381, o sol brilhante e benfazejo acariciava a bela vegetação, e dava um brilho cintilante as pequenas e singelas flores do campo. E na manhã do dia 22 de maio deste mesmo ano, veio ao mundo a bela e pequena Rita.
A pequena Rita foi batizada em Cássia, porém a pequena capela de Rocca Porena não tinha pia batismal. Alguns poucos dias depois do batismo, o feliz casal foi trabalhar e junto levavam a pequena Rita em um cestinho de vime. Debaixo da sombra de um belo salgueiro, a criança se entretia com suas pequenas mãozinhas e com o cantarolar dos pássaros.
Para espanto de todos, um enxame de abelhas brancas envolveu o cestinho da pequena Rita e faziam um zumbido especial. Muitas delas entravam em sua pequena boquinha e ali depositavam mel. Seus pais ficaram pasmados e encantados com a alegria de menina e com a insistência das abelhas em sobrevoar o leito da pequena santinha. Ao longo de sua vida, as abelhas brancas acompanharam Rita, até o momento de sua morte.
Desde muito pequena, seus pais, por serem idosos eram muito zelosos e exigentes com a formação e a educação da menina. Seus pais apesar de não serem alfabetizados, tinham a sabedoria dos simples e dos justos, e foi assim que instruíram a pequena Rita.
A menina crescia em idade, sabedoria, e graça diante de Deus dos homens. Sua beleza e suas virtudes eram admiradas por todos e muito cedo despertou os olhares dos jovens da aldeia.
Rita era muito dedicada aos pais, era determinada no cuidado da casa, do árduo trabalho no campo e principalmente em seus momentos de oração e contemplação do crucificado. Desejava ardentemente participar das dores do Senhor Jesus.
O coração da jovem Rita era nutrido pelo desejo de se consagrar totalmente a Deus, abraçando a vida religiosa. Quando insinuou aos pais seu desejo, foi logo desencorajada e ainda mais, foi terminantemente proibida de mencionar tal desejo.
Não desejando contrariar seus velhos pais que ao seu modo, desejam um futuro mais seguro para a sua preciosa menina. O casamento é o que almejam para Rita, as lágrimas, as preces e as mortificações foram companheiras inseparáveis de nossa santinha.
O pretendente Paulo Fernando era um jovem de temperamento explosivo, e de modos rudes. Fez o pedido de casamento e não aceitava outra resposta que não fosse o “sim”.
O casamento foi desde o primeiro dia um martírio, Rita abraçou literalmente a sua cruz no momento em que disse sim no altar do senhor. Paulo Fernando era um homem sem fé, totalmente dado à bebida, jogo e mulheres. Sua profissão: matador de aluguel. Era um homem temido por toda a região da Cássia.
Não foram poucas às vezes em que a Sra. Rita viu-se insultada, humilhada e até agredida pela fúria de seu esposo. Porém sempre, se manteve silenciosa e resignada com sua triste situação. Nem seus pais, nem seus vizinhos, sabiam o que realmente acontecia na casa do jovem casal.
Rita jamais desistiu da conversão de seu marido e aos poucos foi percebendo a transformação daquele diamante bruto em um brilhante. A mudança foi maior quando vieram os filhos gêmeos: Tiago Antonio e Paulo Maria.
Seus pais sempre viveram de fé e eram assíduos na oração; morreram com 90 anos, ele no dia 19 de março (Festa de São José), e ela 25 de março (Anunciação do Senhor). Foi um duro golpe para Rita. Em seguida seu marido foi assassinado por vingança, foi vingado pelos seus incontáveis crimes por encomenda.
Dona Rita estava viúva, e com dois filhos adolescentes. Não tinha irmãos e nem parentes com quem contar suas queixas, e suas dores eram compartilhadas somente com o crucificado. 
Seus filhos ao saberem que o pai tinha sido assassinado, juraram vingança e vingança de morte e derramamento de sangue. Mais uma vez o coração de Rita fica apertado em seu peito. O desejo de vingança dos filhos levou a jovem Rita, a implorar ao Senhor; que preferia ver seus filhos mortos a vir perder suas almas cometendo um terrível assassinato.
Foi um pedido doloroso, porém corajoso e logo foram atendidos, um ano depois da sua morte de seu esposo, seus filhos, num pequeno intervalo de tempo, partiram para a casa do pai. Rita estava sozinha, seu coração ainda nutria o desejo de se consagrar totalmente a Deus. Foi em busca do seu sonho. O Mosteiro das Irmãs Agostinianas sempre atraiu os seus olhares.
Decidida, vendeu seus bens e partiu para Cássia. Bateu porta do convento, foi rejeitada. Voltou para Rocca, intensificou suas preces. Numa noite, como que em sonho, viu seus santos protetores; São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolau de Tolentino, que a convidaram a segui-los.
Em pouco tempo estavam em Cássia na porta do Mosteiro de Santa Maria Madalena, a mesma porta que por três vezes se fechara diante dela. Em poucos minutos Rita estava dentro do mosteiro sem que pudesse explicar como! Seus protetores haviam desaparecido. As irmãs, percebendo a vontade divina acolheram a Santa dos Impossíveis.
A vida de Irmã Rita no mosteiro foi marcada, por visões e revelações. Sua vida de penitência e mortificação fez dela uma referência no mosteiro certo dia em oração profunda, pediu a Jesus que lhe permitisse participar de alguma forma de sua dolorosa paixão. De repente, da coroa do Crucificado, um espinho se desprendeu indo se alojar na testa da Irmã Rita. A dor foi muito intensa, que a fez desmaiar. Quando acordou, percebeu que sua testa sangrava e doía muito. Era a marca da paixão que Rita levou até a morte.
Os anos foram passando e a nossa Irmã começa sentir o peso da idade e as consequências das penitências muito austeras. Sempre humilde e obediente, não ousou questionar sua Madre quando está lhe pediu que plantasse um galho seco de parreira. O amor e a dedicação pensados aquele galho seco fez com que ele brotasse e desses frutos em abundância, para espanto de todos principalmente da Madre. Observa-se ai o valor da santa obediência.  
Rita, pouco antes de morrer, pediu a uma conhecida de sua aldeia, que quando viesse trouxesse uma rosa e dois figos de seu antigo Jardim. Mesmo sem crer, a conhecida foi e encontrou tudo conforme a irmã havia falado.
O mês de maio de 1457 ia avançando, e as forças de Rita iam minguando. Até que no dia 22 de maio, dia do seu aniversário, ela parte para a eternidade. Os sinos do convento tocam sozinhos, e com insistência, todos correm para a cela da Irmã Rita, seu corpo exalava um perfume sem igual e daquela chaga dolorosa e mal cheirosa, viu-se um brilho como que de um belíssimo rubi.
Outro sinal foi às abelhas brancas, que pousaram sobre seu caixão, seu corpo estava flexível e perfumado, seus membros conservavam a temperatura normal. Eram os sinais claros de Deus, de sua predileção a sua serva Irmã Rita de Cássia.
Até hoje seu corpo repousa no mosteiro de Cássia. E a devoção a Santa Rita de Cássia atravessa os séculos e se mantém sempre mais viva e atual.
Santa Rita de Cássia das causas impossíveis. Rogai por nós.

Paz e Bem!

domingo, 6 de abril de 2014

Eis o lenho da cruz!


Pouco a pouco ergue-se o madeiro da cruz que, plantado entre pedras e cascalhos, torna-se motivo de escárnio e derrota...
E o condenado, quem era o condenado? Quem mereceu tamanho castigo, e por que tanta humilhação? O que fez de tão grave?
O condenado é Jesus de Nazaré! Seu crime maior foi amar, e amou com tanta intensidade que ofereceu-se em holocausto por toda a humanidade. Ele, a vítima, ele, o cordeiro, ele, o mártir do amor.
Nasceu em Belém, a terra do Rei Davi. Ainda criança recém-nascida é obrigado a fugir, apertado entre os ternos braços de sua mãe, e sob a proteção de seu pai José; a fugir para o Egito dos deuses pagãos.
Quantas dúvidas e incertezas marcaram aquela viagem! Porém, cumpriram-se as Escrituras, “... do Egito chamei o meu filho.” José e Maria, mesmo sem perceberem, tornam-se ao lado do Menino Jesus, os protagonistas desta bela história de amor.
Ouve-se um soluço, um soluço de dor, a dar de Maria santíssima, a mãe do condenado. Seus olhos não conseguem reter o vale de lágrimas que preenchem os sulcos marcados pelo tempo em sua face.
Mão e filho se olham com ternura; aquela troca de olhar era na verdade um consolo mútuo. De Jesus, lágrimas de sangue, e de sua mãe, lágrimas de dor... Tudo somente em nome do amor!
O céu silencia, os anjos em coro entoam a mais bela sinfonia, a sinfonia do silêncio.
Aos pés da cruz encontramos o apóstolo do amor, João evangelista, Maria Madalena, a pecadora arrependida; Maria de Cleófas – tia de Jesus. Era casada com Alfeu Cleófas, irmão de São José; Maria de Salomé, filha de Maria de Cleófas, esposa de Zebedeu e mãe de Tiago e João; e a própria Senhora das dores, que mais uma vez e de coração repete, “Faça-se em mim segundo tua palavra.”
Ao contemplar sua mãe, seu único bem, seu bem maior, olha para João e diz, “Eis aí tua mãe”, (Cuida de minha mãe, e esse pedido é para todos nós).
...Olhando para a mãe com ternura e fazendo referência a João e a todos aqueles remidos com seu sacrifício (nós), exclama, “Eis aí teu filho.”
Ao chamar sua mãe de mulher, ele está na verdade se referindo a grande mulher do livro do Genesis, “Porei inimizade entre ti e a serpente, entre tua descendência e a dela.”
O testamento final... Todo o seu preciosíssimo sangue é derramado: com seu valor encharca a terra ressequida e como bálsamo vai vivificando a mansão dos mortos.
Seu corpo dependurado por quase três horas, ferido de dor e coberto de chagas, dá sinal de falência. Suas forças se esgotam... O menor esforço é por demais custoso. Seu corpo se contorce em câimbras dilacerantes. Todo o líquido do corpo vai se perdendo.
Tenho sede! – Sede de almas, sede de amor, sede... muita sede. O que lhe oferecem? – Uma esponja embebida em vinagre. O gesto cruel o levou a dizer, “Pai perdoai-os porque eles não sabem o que fazem!” Tudo está consumado. “Em tuas mãos entrego o meu espírito!”
Era o grito da vitória! O cordeiro foi imolado... As forças da natureza abalam a terra, fazendo estremecer até mesmo as mais altas colinas. As águas dos rios se lançam em fúria contra a terra. As trevas encobrem os céus em sinal de luto e de dor.
Eis somente as testemunhas da cruz! Contemplavam o corpo inerte e descorado do Senhor. O que se ouve são os lamentos, os gemidos e o sacudir da tabuinha encimando a cruz, onde estava escrito, “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus.”
O condenado é descido da cruz. Seu corpo frio e sem vida é colocado nos braços de sua mãe. Maria toma as mãos perfuradas pelos cravos e beija-as com ternura.”
Eis tua herança, Virgem dolorosa. Uma cruz manchada de sangue, uma túnica rasgada, uma coroa de espinhos e os cravos da dor.
No silêncio e na dor nasce a Igreja, a fonte dos Sacramentos, da chaga aberta do Coração de Jesus, de onde brotou o sangue e a água...
O Senhor foi retirado da cruz, porém a cruz permanece erguida como sinal de vitória. A vitória da vida sobre a morte.
“Como não há cruz sem Cristo, e não Cristo sem cruz, não há Jesus sem Maria, e Maria sem Jesus.”

Uma santa e abençoada Páscoa!

Paz e bem!

segunda-feira, 17 de março de 2014

São José de Anchieta


9 de junho


“És mãe e Virgem, Mãe Dulcíssima da Vida! Digamos tudo: Tu és a Mãe de Deus! Deste à luz o Unigênito do Pai: Cremos que ele é teu filho único e Primeiro. Somente ele nasceu do teu seio, deixando intacta a estrada triunfal da tua virgindade”. (Poema da Virgem – José de Anchieta).

A bela Tenerife, das Ilhas Canárias na Espanha, é testemunha do grande acontecimento que marcou o dia 19 de março de 1534: o nascimento do pequeno José de Anchieta, seu filho mais ilustre. Depois de horas difíceis de parto, o pequeno José (nome escolhido em homenagem a São José), vem ao mundo, trazendo alegria ao lar do Sr. João Lopes de Anchieta e de Dona Mência Dias de Clavijo y Larena.
D. Mência, filha de judeus convertidos ao catolicismo, era mulher forte e decidida; depois de José teve mais onze filhos, sendo três sacerdotes. Anchieta viveu com os pais até os 14 anos, depois se mudou para Coimbra em Portugal, onde foi estudar no Colégio das Artes, anexo à Universidade de Coimbra.
Em Coimbra estudou latim, dialética e filosofia, estudos estes que facilitaram seu ingresso na Companhia de Jesus, ordem recém fundada, por um parente distante Inácio de Loyola; Anchieta estava com 17 anos.
Anchieta foi noviço exemplar, distinguia-se pela sua humildade, obediência e extremada devoção a Ssma. Virgem Maria.
Dedicado e prestativo a todo e qualquer serviço, o jovem José não media esforços em tudo realizar para a maior glória de Deus. Seu corpo frágil sentiu por demais os esforços e trabalhos pesados. As dores na juntas e na coluna eram insuportáveis a tal ponto que pensou em deixar a ordem.
Aconselhado por seus superiores, que muito o estimavam, a partir para as Missões no Brasil, tendo em vista o clima tropical, Anchieta com 19 anos, embarcou para o Brasil em 1553, na expedição do Pe. Luis da Grã. Depois de 6 meses de viagem, chegou a São Vicente no natal daquele ano, e de lá foi para o planalto da Piratininga.
O jovem Anchieta dedicou-se a catequizar os índios brasileiros e para isso foi trabalhar com o Pe. Auspicueta e com ele aprender as primeiras palavras do Abanheega, língua geral dos índios Tupis e Guaranis, aprendendo seus idiomas, seus costumes e lendas.
Foi o primeiro a perceber que existia uma raiz comum nos diversos idiomas indígenas falados em nossa terra. Anchieta foi quem consagrou o termo “Tupi” para designar essa raiz comum entre os idiomas indígenas e foi a partir desse entendimento que ele elaborou a gramática da língua.
Suas incontáveis cartas serviram e servem de estudos para a história do Brasil; seus relatos contribuíram grandemente para a elaboração do perfil histórico do povo brasileiro. Anchieta, ao contrário do que muitos historiadores dizem, evangelizou os índios conforme os seus costumes e deles conquistou plena confiança. Ensinava-lhes o latim e compôs poesias em tupi; além de peças teatrais e autos. Ainda hoje Padre Anchieta é considerado patrono do teatro brasileiro.
Como poeta, sua obra prima é sem dúvida, o poema em latim à Bem-Aventurada Virgem Maria, escrito primeiramente nas areias da praia de Iperiog, no litoral santista, quando ficou prisioneiro dos Tamoyos por 5 meses. Quando foi libertado, transcreveu o poema de mais de 5000 versos para o papel.
No dia 25 de janeiro de 1554, o Pe. Manuel de Nóbrega celebra a missa festiva da conversão de São Paulo, no pátio do colégio, e com Anchieta é lançada a pedra fundamental da cidade de São Paulo.
José de Anchieta segue em companhia do Capitão-Mor-Estácio de Sá em direção a baía da Guanabara e em 1º março de 1565, lançam os primeiros fundamentos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
José de Anchieta foi ordenado sacerdote em São Salvador da Bahia. Pe. Anchieta sempre se mostrou como homem zeloso e sacerdote piedoso. Tinha grande devoção aos santos anjos. Foi num determinado momento da história que uma estranha epidemia atingiu os índios.
A situação era catastrófica e José de Anchieta, além de socorrer as vitimas e cuidar dos ferimentos, organizou uma novena em honra aos nove coros angélicos e com orações e procissões a epidemia foi cessando até o fim da novena.
Pe. José de Anchieta é escolhido Provincial da Ordem no ano de 1567, tendo em vista a morte do Pe. Manuel da Nóbrega. Foi com ele, Pe. Manuel da Nóbraga, que Anchieta conseguiu reatar a paz entre os portugueses e os índios Tamoyos.
Seus últimos anos de vida passou no estado do Espírito Santo, cidade de Reretiba, hoje Anchieta em sua homenagem.
No dia 09 de junho de 1597, com 63 anos e uma grandiosa história, já sem forças, e com seu corpo marcado pelas deformações dos ossos e juntas, que lhe causavam muitas dores, é assistido por 5 colegas e, depois de receber o Santo Viático, entrega sua alma ao Senhor. Seu corpo foi levado pelos índios até Vitória do Espírito Santo, e, nos 80 Km do percurso, os índios cantavam e rezavam em seu idioma, tomados pelas lágrimas e pela comoção.
Que São José de Anchieta nos inspire um desejo ardente de anunciarmos Jesus Cristo. No próximo dia 2 de Abril de 2014, o Santo Padre, Papa Francisco, assinará, atendendo aos incontáveis pedidos de Dom Odílio Scherer de Dom Raimundo Damasceno e de todos os bispos do Brasil, o Decreto de Canonização do Padre José de Anchieta.
Ao declarar José de Anchieta, “Santo”; a Igreja reconhece o valor inestimável de sua vida, totalmente dedicada e consumida em favor de um Brasil recém-descoberto e conhecido. Amém
Oração do Manto de Anchieta
Beato Anchieta, cujo coração abrasado pelo amor ao próximo buscou com afinco aliviar os males do corpo e da alma de todos os que estivessem necessitados, aliviai-nos hoje das aflições deste mundo tão conturbado.E assim como vosso santo manto tantas vezes vos protegeu do sol, do frio, dos ventos, das tempestades e dos perigos da selva, nas incansáveis andanças por terras do Brasil em nome do Senhor, rogamos também neste momento a vossa proteção.  Recolhei-nos de agora em diante sob ele.  Abrigai, envolvei, agasalhai e protegei o nosso corpo dos perigos que diariamente estamos sujeitos a enfrentar, fazendo com que possamos nos tornar invisíveis diante da agressão e da violência de um assalto e de um sequestro.  Abrigai também a nossa razão, o nosso entendimento, o nosso coração e a nossa alma para que reconfortados, fortalecidos e interiormente harmonizados possamos construir a nossa existência neste mundo, como o fizestes, "para a maior glória de Deus".
Beato Pe. Anchieta, a vós que num ato de coragem, tão próprio da vossa infinita bondade e do vosso amor ao próximo, vos tornastes refém dos indígenas, em nome da paz entre todos os irmãos, rogamos também que abrandeis hoje o coração de todos aqueles que nos tornam diariamente reféns do temor em decorrência dos seus atos de desmando cruel.  Dai-lhes discernimento!


Amém!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Franz de Castro Holzwarth

Servo de Deus

14 de fevereiro

O mártir da pastoral carcerária

O jovem casal Franz Holzwarth e Dinorah de Castro Holzwarth aguardavam com muita ansiedade o nascimento do primeiro filho para o mês de maio (mês de Maria). E assim, para a felicidade de todos, nasceu um menino. Era dia 18 de maio de 1942.
A feliz notícia correu por toda a cidade de Barra do Piraí/ RJ. Afinal, seus pais eram pessoas conhecidas e de certo modo influentes.
O primogênito dos Holzwarth recebeu na pia batismal, em 10 de Agosto de 1942, o nome de Franz de Castro Holzwarth. Franz teve como padrinhos, Dr. Onofre Infante Vieira e Lígia de Castro Martins.
Franz sempre demonstrou, desde muito pequeno, uma preocupação com os menos favorecidos e, mesmo antes de sua Primeira Eucaristia, demonstrava piedade em seus momentos de oração.
Quando completou oito anos, recebeu pela primeira vez Jesus eucarístico na Igreja de Santa Terezinha do Menino Jesus. Por toda sua vida sente o desejo de entregar-se totalmente a Cristo.
Durante o período escolar, Franz destacou-se como um aluno dedicado e estudioso. Para os colegas, uma referência positiva e para os professores dava sinais de uma futuro promissor.
Quando ainda estava cursando o ensino médio, começou a trabalhar; estava com 14 anos completos. Sentia-se feliz e realizado em ganhar o seu próprio salário.
Por várias vezes pensou em se tornar um sacerdote do Senhor, porém, segundo seus relatos, começou a protelar a decisão.
Foi no ano de 1963, estando com 21 anos, que entrou para a Faculdade de Direito na Fundação Valeparaibana de ensino em São José dos Campos. Por algum tempo morou em Jacareí e depois passou a residir e trabalhar em São José dos Campos.
Em uma de suas cartas, datada de 22 de fevereiro de 1964, escreveu: “Ninguém me virou a cabeça: há muito que ele me persegue e creio que, na minha futura profissão, com ele e por ele conseguirei muito”. Era o toque suave do amor de Deus.
No ano de 1965 conseguiu a colocação no Juízo de Direito de Jacareí. Foi admitido como administrador. Porém, no ano de 1967, disse ao Pe. Altamirando, um jesuíta amigo seu: “O que importa na vida é Cristo e trazê-lo aos outros como sacerdote. Há em mim um desejo de doação total. Espero em Deus que se faça a sua vontade. Estou disposto ao que me chamar.”
No ano de 1968, estando com 26 anos, Franz de Castro Holzwarth formou-se em Direito e como tal foi aprovado pela Ordem dos Advogados da Bahia.
Como advogado, sempre procurou defender os menos favorecidos, os excluídos, os sem voz e sem vez. Era o Doutor dos pobres e apóstolo dos encarcerados.
Pela sua conduta e princípios cristãos bem definidos, foi convidado a fazer parte da Associação de proteção e assistência aos condenados em São José dos Campos. Era o ano de 1975.
Como membro da Associação, sentia-se realizado, exercia sua função realmente como um apostolado.
Dr. Franz, como vice-presidente da APAC, era incansável no cuidado e no zelo pelos apenados e principalmente por aqueles mais esquecidos sem ter quem os defendesse. Os presos viam no Dr. Franz um pai, um irmão, um amigo. Ele e o Dr. Mário Ottoboni, Presidente da entidade, tiveram um papel importantíssimo na reintegração de centenas de presos à sociedade.
Corria o ano de 1981. Franz de Castro estava com 39 anos, quando no dia 14 de fevereiro, ele e o Dr. Mário foram chamados à cidade de Jacareí para evitar um derramamento de sangue durante uma rebelião na cadeia pública daquela cidade. A presença dos dois foi uma exigência dos presos.
A situação era muito tensa; policiais, juízes e diversas autoridades temiam pelo pior. Tanto Franz como o Dr. Mário sabiam do risco que estavam correndo. Decidiram que iriam enfrentar.
A negociação começou e no primeiro carro saíram o Dr. Mário Ottoboni, alguns reféns com alguns presos. No outro carro estava o Dr. Franz com cinco presos. Quando estavam saindo, o carro foi alvejado de tiros; todos morreram.
Franz de Castro Holzwarth está morto! Foi a Jacareí ao encontro do martírio. “O mártir é alguém que, para preservar outras vidas, se esquece de cuidar da própria vida” (G. K. Chesterton).
O apóstolo Paulo na Carta aos Romanos 5, 7, escreveu: “Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa boa, talvez alguém se anime a morrer. Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores”.
Dr. Franz de Castro Holzwarth é o mártir da Pastoral carcerária. Peçamos que ele interceda por todos aqueles que se dedicam com tanto amor àqueles que a sociedade se recusa a amar.


Paz e bem!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Santa Elisabete Ana Bayley Seton

Esposa, mãe, viúva e religiosa fundadora
 
14 de Janeiro

A primeira santa dos Estados Unidos

O ano de 1774 marcou profundamente a história dos Estados Unidos da América. Foi neste glorioso ano que começaram  as insurreições que terminariam na independência dos Estados Unidos.
Foi justamente no dia 28 de Agosto de 1774 que veio ao mundo Elisabete Ana Bayley, filha do ilustríssimo Dr. Bayley, médico de fama internacional. Seu avô materno era pastor da Igreja Episcopal de Nova Iorque e foi nesta igreja que Elisabete foi batizada.
Elisabete era uma menina feliz, fiel observante dos preceitos ensinados pelo seu avô pastor. Tudo corria da melhor forma possível; seu pai, sempre muito ocupado com sua profissão, dava pouca atenção à filha e até mesmo à esposa.
O bem mais precioso de Elisabete foi-lhe tirado pouco depois que completou três anos. Sua mãe faleceu repentinamente; seus dias felizes e ensolarados tornaram-se tristes e acinzentados.
Dr. Bayley, muito jovem, contraiu segundas núpcias; a madrasta sempre demonstrou que não lhe queria muito bem. A menina sentia-se abandonada, apesar dos esforços de seu pai em tentar suprir a falta da mamãe.
Sozinha e sentindo-se infeliz, Elizabete Ana buscou nas Sagradas Escrituras o consolo tão desejado. Abriu-se aos valores espirituais e às leituras religiosas.
Aos vinte anos, Elizabete viu-se apaixonada pelo bem sucedido comerciante William Seton. Casaram-se e dessa união nasceram dois meninos e duas meninas.
A vida corre tranquila para os Seton até que os negócios da família são atingidos por uma violenta crise financeira. Perdem tudo, bens móveis e imóveis, as dívidas se amontoam e como consequência Sr. William Seton adoece gravemente; está com tuberculose.
Foi nesse tempo de contratempos que os Seton receberam um convite providencial dos italianos Felicchi e com eles partem para a Itália em busca de dias melhores e da saúde do Sr. Seton.
Poucos dias depois de chegar a Litorno, Itália, William Seton veio a falecer. Viúva e com quatro filhos, Elisabete ergue a cabeça e com uma fé inabalável decide permanecer na casa dos italianos.
O testemunho de fé daquela família italiana foi, aos poucos, transformando os sentimentos de Dona Elisabete. Tudo parecia correr bem, sem grandes novidades, e foi nesses dias que recebeu a notícia do falecimento de seu pai, Dr. Bayley.
Pouco a pouco o catolicismo vai atraindo e cativando o coração de Elisabete. Sentia-se atraída pelos Sacramentos da reconciliação e principalmente da Eucaristia. Por mais algum tempo e depois de muita oração decide tornar-se católica junto com seus quatro filhos.
Elisabete, depois de uma longa estadia na Itália, retorna aos Estados Unidos, e lá revela sua intenção de tornar-se católica assim como seus filhos.
Muitos de seus familiares e amigos dão-lhe as costas e começam a desprezá-los. Logo após o recebimento dos Sacramentos, a família Seton sente-se imensamente feliz e revigorada na fé.
Nesse tempo a Sra. Seton estava com 29 anos e um novo vigor tomou conta do seu coração: era o Espírito Santo que suscitava seus desejos em seu coração.
Por aquele tempo as crianças católicas não tinham acesso às escolas e na maioria das vezes eram obrigadas a mudar de religião.
Seria preciso urgentemente criar-se escolas paroquiais para atender aos irmãos e filhos dos irmãos na fé. Assim, ajudada por outras jovens generosas, dá início às primeiras escolas católicas paroquiais.
As escolas paroquiais foram sendo criadas em todas as cidades e assim todas as crianças e adolescentes teriam direito à educação gratuita e sem distinção de credo.
Com Dona Elisabete surge uma nova instituição religiosa, as Irmãs de São José, que hoje são mais de dez mil a serviço da educação cristã.
Irmã Elisabete foi sempre incansável e zelosa no trato com todos. Seu olhar brilhante e seu sorriso farto marcavam sua existência. Era também um tudo para todos.
Com apenas 47 anos e cheia da Graça divina, tomando em suas mãos o santo terço, companheiro inseparável de sua caminhada, sente-se enfraquecida fisicamente e pouco a pouco vai percebendo que sua vida está no fim.
Une-se em oração com todas as irmãs e também com seus filhos; por algumas horas permanecem em oração.
Em seus últimos momentos pronuncia os sagrados nomes de Jesus, Maria e José, recebe os Santos Sacramentos e, reconciliada com Deus e os irmãos, entrega sua alma ao Senhor.
Seu exemplo e seu testemunho atravessam gerações e engrandecem seus descendentes.
Foi no ano de 1975 que o então Papa Paulo VI declarou
Santa Elisabete Ana Bayley Seton, a primeira santa dos Estados Unidos.
Que o testemunho desta leiga nos inspire.


Paz e bem!