terça-feira, 8 de outubro de 2013

Santa Teresa de Jesus (d’Ávila)

Santa Teresa de Jesus (d’Ávila)


Doutora da Igreja

15 de outubro

“Nada me perturbe, nada me espante, tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança! Quem a Deus tem, nada lhe falta, só Deus basta. Amém.” (Santa Teresa)

O ano de 1515 marcou para sempre a história da bela cidade de Ávila, na Espanha. Nasce para a Igreja e para o mundo a grande doutora da Igreja, Santa Teresa de Jesus.
Era, para o mundo, o século das grandes conquistas. Seus pais eram Alonso de Cepeda e Beatriz de Ahumada; eram nobres e muito piedosos; segundo seus biógrafos tiveram nove filhos. Na pia batismal nossa Santa foi batizada como Teresa de Cepeda y Ahumada.
Sua infância foi marcada pelas brincadeiras com os irmãos; o seu temperamento vivaz chamava a atenção de todos, pois aos 7 anos fugiu de casa para, segundo ela, sofrer o martírio entre os mouros na África.
O que despertou o desejo do martírio foram os livros que relatavam a vida dos santos mártires. A pequena Teresa sempre esteve às voltas com bons livros desde a mais tenra infância. Seu companheiro de aventuras era seu irmão Rodrigo.
Quando completou 12 anos sentiu a dor da perda. Sua bondosa mãezinha veio a falecer depois de uma breve enfermidade. A família sofre unida, sem perder a fé. Teresa, prostrada diante da imagem da Ssma. Virgem exclamou, “Mãe de misericórdia, a vós eu escolho para serdes minha mãe. Aceitai esta pobre orfãzinha no número de vossas filhas”. Sempre foi amparada pela Virgem Maria.
Já na adolescência deixou-se levar pelas vaidades. Por um tempo afastou-se das leituras religiosas, preferindo as profanas. As amizades fizeram a jovem Teresa perder o fervor e a devoção da infância.
Aos 20 anos seu pai entregou-a aos cuidados das religiosas agostinianas. A conversão foi imediata, firme e decidida. Foi neste tempo que uma grave enfermidade obrigou-a a voltar para casa, e na casa paterna sentiu um profundo desejo de servir a Deus na solidão do claustro.
O Sr. Alonso, ao saber de seu plano, opôs-se terminantemente. Teresa fugiu de casa. Seu destino: o mosteiro das Carmelitas de Ávila. Muitas foram as provações durante o tempo de noviciado. A jovem Teresa se prostra diante do Crucificado, e, lavada em lágrimas, implora a graça da fortaleza e da perseverança em servi-lo. A oração foi ouvida graças a intercessão da Ssma. Virgem e de São José.
Teresa sempre foi uma religiosa exemplar e determinada. Não admitia a mínima falta, e, nem o menor pecado venial; suas penitências eram rigorosas. Em uma das suas visões lhe foi mostrado o inferno; tal visão lhe impressionou tanto que sugeriu que os Carmelos restabelecessem a regra carmelita em todo o seu rigor primitivo.
Muitas foram as contrariedades. Teresa, porém, tendo a intuição de agir por vontade de Deus segue com seus planos e vence!
Com muita determinação põe os pés na estrada; viaja pela Espanha de alto a baixo (era chamada a “Freira viajante”) para erigir e ou reformar conventos.
Foram 32 mosteiros (17 femininos e 15 masculinos) por ela fundados, e outros tantos reformados. A antiga regra entrou em vigor.
Teresa de Jesus foi uma mística por excelência; sua vida interior, suas orações eram tão intensas quanto marcadas por visões e revelações celestes. Foi em um destes êxtases que teve o coração transpassado com uma seta de fogo por um anjo. Este fato é lembrado por toda a ordem carmelitana em cada 27 de Agosto. É a Festa da transverberação.
Os tempos seguintes foram de grandes provações. O inimigo, furioso como estava, semeou a discórdia e a perseguição a nossa Santa.
Em silêncio, oração e obediência, Teresa recolheu-se a um dos conventos, até que em 1580 o papa Gregório XIII declarou autônoma a ordem carmelitana descalça.
Santa Teresa era dotada de grande inteligência; seus conhecimentos teológicos eram profundos e bastante elevados. Era diante de Jesus sacramentado que Teresa achava a força necessária para a luta e para a vitória.
Seu diretor espiritual, São Pedro de Alcântara, era um mestre e para todas as situações tinha um sábio conselho. Dentre os dons extraordinários de Teresa estava o dom de ler as consciências e predizer o futuro.
Muitos foram os sofrimentos físicos, morais e espirituais. Atravessou a noite escura com tormentas violentíssimas visando abalar as suas estruturas sólidas de fé. Foi na oração que ela atingiu o mais alto grau da vida mística.
Teresa encontrou na própria ordem carmelitana masculina o frei João da Cruz, um místico de elevado valor e de inquietações semelhantes às suas. Santa Teresa e São João foram as colunas da mística e da oração para a Igreja de todos os tempos.
Os amores de Teresa eram: o Menino Jesus e a Ssma. Virgem e o glorioso São José (todos os conventos eram colocados sob a proteção de São José).
Oito anos antes de deixar este mundo, foi-lhe revelada a hora da morte. Sentindo esta hora se aproximar, dirigiu uma fervorosa circular a todos os conventos da ordem. Recebeu com muita devoção os santos sacramentos e constantemente rezava, “Meu Senhor, chegou afinal a hora desejada, que traz a felicidade de ver-vos eternamente”. – “Sou uma filha de vossa Igreja. Como filha da Igreja católica quero morrer.”
“Senhor, não me rejeiteis da vossa face. Um coração contrito e humilhado não haveis de desprezar.”
Teresa de Jesus, com a idade de 67 anos, retorna para casa do pai, e como São Paulo repete, “Combati o bom combate. Guardei a fé...”
Logo após a morte, o corpo de Santa Teresa exalou um suave e delicioso perfume que permaneceu até o sepultamento; era o ano de 1582.
O coração transpassado pela lança de fogo apresenta uma larga e profunda ferida e acha-se guardado no Carmelo de Alba.
Deixa relatada sua história no magnífico Livro da Vida; um clássico para todos aqueles que buscam aquele algo mais na vida espiritual.
No ano de 1970, o então papa Paulo VI, declarou Santa Teresa de Jesus “Doutora da Igreja”.
Aqui em Itajaí, temos o privilégio de contar com a presença das filhas espirituais de Santa Teresa. No Carmelo que traz seu nome, as carmelitas, como que para-raios, rezam intermitentemente por todos nós, conhecidos ou não, amigos ou não. As nossas irmãs, no silêncio e na clausura, nos dão o exemplo de seguimento a Cristo, um seguimento sem reservas...
Que Santa Teresa nos inspire e interceda por nós,

Amém,


Paz e bem!   

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