terça-feira, 8 de outubro de 2013

Vida e missão nas terras sagradas do sertão

Vida e missão nas terras sagradas do sertão

“Ide e anunciai”

No dia 15 de agosto, mais uma vez, partimos para a Bahia, mais precisamente para o sertão da Bahia. Nosso destino: Cidade da Barra – Paróquia São Francisco de Chagas.
Estávamos em três ônibus, aproximadamente 130 pessoas das diversas cidades de nossa Arquidiocese de Florianópolis. Pessoas de idades diversas, profissões das mais variadas, porém todos com um só desejo: “Servir!”.
Chegamos à cidade da Barra depois de quase 60 horas de viajem. Durante a viajem orações, cantos e contos preencheram o nosso tempo e nos encheram de esperanças.
A recepção, como sempre foi cheia de alegria e muito calorosa. Nos olhos de todos víamos um brilho, um brilho luminoso...
Banda, fogos, cumprimentos e abraços cheios de afeição e de boas vindas, parecíamos velhos amigos que se reencontravam.
Eis que, ao nosso encontro, vem o Bispo da Diocese da Barra, Dom Frei Luis, um franciscano no verdadeiro sentido, um pastor que conhece as ovelhas pelo nome e que tem o cheiro do seu rebanho. Dom Luis nos acolheu com carinho e gratidão. Seu olhar e seu sorriso expressam uma bondade sem igual.
Acolhida, almoço, distribuição das equipes e Missa de envio. Cada momento vivido era de muita expectativa e ansiedade.
De todos os lugares da cidade chegavam conduções para o translado dos missionários para as comunidades. Como imaginar uma paróquia com mais de 90 (noventa) comunidades, e apenas um padre (Pe. Antonio).
Quanto a mim fui encaminhado para a comunidade Nossa Senhora Aparecida, no bairro do Barro Vermelho, eu, Delaudino de Biguaçu, Cleide de Florianópolis, e Julio de Florianópolis e dona Joana do Muquém do São Francisco (BA).
Todos os dias o trabalho missionário começava com a aurora, rezávamos o terço, caminhando pelas ruas do bairro. Em seguida tomava-mos café e com os grupos divididos saíamos para as visitas nas famílias do bairro. Um sol escaldante que ardia e queimava os pés nas caminhadas (longas), porém o que compensava tudo, era acolhida e o carinho das pessoas visitadas.
Em cada casa, em cada família... Uma história, um testemunho. Em algumas partilhava-mos sorrisos e brincadeiras, outras era quase impossível conter o soluço e as lágrimas.
O ganhar um terço, um escapulário, uma medalha etc, é para aquelas pessoas um gesto de carinho imenso, que é retribuído com muita gratidão.
O povo do sertão não reclama, o povo do sertão é generoso com o pouco que tem, e em momento algum se ouve queixas ou lamúrias pelos infortúnios. Em tudo dão graças a Deus, e se Deus assim o quis, que assim seja.
A seca já dura mais de 3 (três) anos a terra escorre por entre os dedos, as plantas e os animais já dão sinais de não aguentarem mais. O Rio São Francisco está baixando, dia a dia, e o seu nível, e é ainda ele que abastece todo aquele sertão.
A comunidade Nossa Senhora Aparecida, tem a sua frente, uma grande líder, professora Angela, tem uma P.J., pequena, mas ativa entusiasmada são eles os catequistas e quem cuida da infância missionária.
Devemos lembrar com um carinho, das Legionárias de Maria, um verdadeiro exército em ordem de batalha.
Chegamos ao final da missão, nossos pés marcados pelo pó da estrada e nossos corações marcados com os gestos de carinho e afeição daquele povo, tão maravilhoso do sertão.
É hora de partir! Impossível é conter a emoção, os bilhetes e os desenhos das crianças, o olhar de despedida, e a gratidão dos idosos, tudo é indescritível!
Saimos, era uma noite linda, a lua e as estrelas desenhavam no céu um espetáculo de rara beleza e no silêncio da noite e jpa, em nossos bancos, no ônibus cantávamos, com voz embargada e silenciosa: “Não há ó Gente, ó não, não há - luar como esse do Sertão”
“O último olhar poderia ser de um até breve, ou quem sabe de um Adeus”.
Amém
Paz e Bem!

Márcio Antônio Reiser

Santa Teresa de Jesus (d’Ávila)

Santa Teresa de Jesus (d’Ávila)


Doutora da Igreja

15 de outubro

“Nada me perturbe, nada me espante, tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança! Quem a Deus tem, nada lhe falta, só Deus basta. Amém.” (Santa Teresa)

O ano de 1515 marcou para sempre a história da bela cidade de Ávila, na Espanha. Nasce para a Igreja e para o mundo a grande doutora da Igreja, Santa Teresa de Jesus.
Era, para o mundo, o século das grandes conquistas. Seus pais eram Alonso de Cepeda e Beatriz de Ahumada; eram nobres e muito piedosos; segundo seus biógrafos tiveram nove filhos. Na pia batismal nossa Santa foi batizada como Teresa de Cepeda y Ahumada.
Sua infância foi marcada pelas brincadeiras com os irmãos; o seu temperamento vivaz chamava a atenção de todos, pois aos 7 anos fugiu de casa para, segundo ela, sofrer o martírio entre os mouros na África.
O que despertou o desejo do martírio foram os livros que relatavam a vida dos santos mártires. A pequena Teresa sempre esteve às voltas com bons livros desde a mais tenra infância. Seu companheiro de aventuras era seu irmão Rodrigo.
Quando completou 12 anos sentiu a dor da perda. Sua bondosa mãezinha veio a falecer depois de uma breve enfermidade. A família sofre unida, sem perder a fé. Teresa, prostrada diante da imagem da Ssma. Virgem exclamou, “Mãe de misericórdia, a vós eu escolho para serdes minha mãe. Aceitai esta pobre orfãzinha no número de vossas filhas”. Sempre foi amparada pela Virgem Maria.
Já na adolescência deixou-se levar pelas vaidades. Por um tempo afastou-se das leituras religiosas, preferindo as profanas. As amizades fizeram a jovem Teresa perder o fervor e a devoção da infância.
Aos 20 anos seu pai entregou-a aos cuidados das religiosas agostinianas. A conversão foi imediata, firme e decidida. Foi neste tempo que uma grave enfermidade obrigou-a a voltar para casa, e na casa paterna sentiu um profundo desejo de servir a Deus na solidão do claustro.
O Sr. Alonso, ao saber de seu plano, opôs-se terminantemente. Teresa fugiu de casa. Seu destino: o mosteiro das Carmelitas de Ávila. Muitas foram as provações durante o tempo de noviciado. A jovem Teresa se prostra diante do Crucificado, e, lavada em lágrimas, implora a graça da fortaleza e da perseverança em servi-lo. A oração foi ouvida graças a intercessão da Ssma. Virgem e de São José.
Teresa sempre foi uma religiosa exemplar e determinada. Não admitia a mínima falta, e, nem o menor pecado venial; suas penitências eram rigorosas. Em uma das suas visões lhe foi mostrado o inferno; tal visão lhe impressionou tanto que sugeriu que os Carmelos restabelecessem a regra carmelita em todo o seu rigor primitivo.
Muitas foram as contrariedades. Teresa, porém, tendo a intuição de agir por vontade de Deus segue com seus planos e vence!
Com muita determinação põe os pés na estrada; viaja pela Espanha de alto a baixo (era chamada a “Freira viajante”) para erigir e ou reformar conventos.
Foram 32 mosteiros (17 femininos e 15 masculinos) por ela fundados, e outros tantos reformados. A antiga regra entrou em vigor.
Teresa de Jesus foi uma mística por excelência; sua vida interior, suas orações eram tão intensas quanto marcadas por visões e revelações celestes. Foi em um destes êxtases que teve o coração transpassado com uma seta de fogo por um anjo. Este fato é lembrado por toda a ordem carmelitana em cada 27 de Agosto. É a Festa da transverberação.
Os tempos seguintes foram de grandes provações. O inimigo, furioso como estava, semeou a discórdia e a perseguição a nossa Santa.
Em silêncio, oração e obediência, Teresa recolheu-se a um dos conventos, até que em 1580 o papa Gregório XIII declarou autônoma a ordem carmelitana descalça.
Santa Teresa era dotada de grande inteligência; seus conhecimentos teológicos eram profundos e bastante elevados. Era diante de Jesus sacramentado que Teresa achava a força necessária para a luta e para a vitória.
Seu diretor espiritual, São Pedro de Alcântara, era um mestre e para todas as situações tinha um sábio conselho. Dentre os dons extraordinários de Teresa estava o dom de ler as consciências e predizer o futuro.
Muitos foram os sofrimentos físicos, morais e espirituais. Atravessou a noite escura com tormentas violentíssimas visando abalar as suas estruturas sólidas de fé. Foi na oração que ela atingiu o mais alto grau da vida mística.
Teresa encontrou na própria ordem carmelitana masculina o frei João da Cruz, um místico de elevado valor e de inquietações semelhantes às suas. Santa Teresa e São João foram as colunas da mística e da oração para a Igreja de todos os tempos.
Os amores de Teresa eram: o Menino Jesus e a Ssma. Virgem e o glorioso São José (todos os conventos eram colocados sob a proteção de São José).
Oito anos antes de deixar este mundo, foi-lhe revelada a hora da morte. Sentindo esta hora se aproximar, dirigiu uma fervorosa circular a todos os conventos da ordem. Recebeu com muita devoção os santos sacramentos e constantemente rezava, “Meu Senhor, chegou afinal a hora desejada, que traz a felicidade de ver-vos eternamente”. – “Sou uma filha de vossa Igreja. Como filha da Igreja católica quero morrer.”
“Senhor, não me rejeiteis da vossa face. Um coração contrito e humilhado não haveis de desprezar.”
Teresa de Jesus, com a idade de 67 anos, retorna para casa do pai, e como São Paulo repete, “Combati o bom combate. Guardei a fé...”
Logo após a morte, o corpo de Santa Teresa exalou um suave e delicioso perfume que permaneceu até o sepultamento; era o ano de 1582.
O coração transpassado pela lança de fogo apresenta uma larga e profunda ferida e acha-se guardado no Carmelo de Alba.
Deixa relatada sua história no magnífico Livro da Vida; um clássico para todos aqueles que buscam aquele algo mais na vida espiritual.
No ano de 1970, o então papa Paulo VI, declarou Santa Teresa de Jesus “Doutora da Igreja”.
Aqui em Itajaí, temos o privilégio de contar com a presença das filhas espirituais de Santa Teresa. No Carmelo que traz seu nome, as carmelitas, como que para-raios, rezam intermitentemente por todos nós, conhecidos ou não, amigos ou não. As nossas irmãs, no silêncio e na clausura, nos dão o exemplo de seguimento a Cristo, um seguimento sem reservas...
Que Santa Teresa nos inspire e interceda por nós,

Amém,


Paz e bem!