segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Eis que a Sagrada família teve de partir!






A fuga para o Egito

Acomodados como estavam por sobre o feno e rudes panos, eis que José e Maria adormecem! Estavam cansados... A visita dos magos deixou o menino Jesus agitado e seus pais ainda mais confusos.
O silêncio da noite é interrompido. Eis que, mais uma vez, o anjo do Senhor interrompe o sono de José e lhe diz, “José, José! Acorda, toma o menino e sua mãe e foge, pois Herodes e seus soldados estão a caminho e em seu coração nutre o desejo de acabar com a vida do menino Jesus”.
José acorda Maria e, com os corações apertados, começam a arrumar os poucos pertences no lombo do fiel burrico Soréc.
Tudo está pronto! Soréc orgulha-se de ser o primeiro meio de locomoção do pequeno Rei. O menino Jesus é acomodado confortavelmente nos braços de sua mãe, José toma o cajado e as rédeas do burrico, e eles saem pela madrugada fria e ventosa em direção ao desconhecido.
Os passos apressados de José vão marcando para sempre aquele caminho áspero e cheio de perigos.
Durante a noite trocam algumas poucas palavras; o menino Jesus dorme serenamente nos braços aconchegantes e seguros de sua mãe. As horas vão avançando e a aurora matutina já dá sinais da chagada de uma novo e belo dia.
- José!, exclamou Maria, vamos parar... O dia já amanheceu e Jesus acordou e está com fome.
Ao ouvir o sinal de parar, o burrico imediatamente obedece e se alegra em poder comer, beber água e descansar.
Nossa Senhora logo procura uma sombra para se proteger e ao menino também. Um belo e frondoso arbusto abre seus galhos e com sua folhagem esverdeada protege o momento mais sublime: o Santo Menino sugando com grande apetite o leite virginal da Virgem Maria.
Satisfeito e feliz, o pequeno Jesus adormece por sobre as mantas que com muito jeito Maria arrumou. Aquela sombra preciosa acalentou o sono do menino.
José tratou do burrico Soréc e para ele preparou uma bela sombra para descansar. Soréc era, além de um meio de transporte, um membro querido da família.
Maria encontra uma pequena fonte e então aproveita o tempo de descanso e o sol para lavar algumas peças de roupas da família.
As fraldas e os cueiros foram lavados e enxaguados por várias vezes. Afinal, todo cuidado é pouco quando se trata de um recém-nascido.
Os olhos de Maria buscam alguma coisa ao redor. Era preciso encontrar um lugar para pendurar ou estender as pequenas e límpidas peças de roupas.
Eis que encontra um pé de lilás, porém é alto demais, o lírio não resistirá ao peso das roupas. Restou-lhe somente o pé de alecrim. O alecrim, ao perceber que serviria para secar as roupas do pequeno reizinho do universo deu um profundo suspiro que encheu todas as peças com seu suave perfume.
Tão logo percebeu que as roupas estavam secas começou a recolher uma por uma...
O perfume suave das roupas encantou Maria e ela assim exclamou, “Belo alecrim, quão perfumadas deixaste as roupas do meu menino. O teu suspiro de alegria ficou impresso em todas as peças”. O humilde alecrim, ainda mais emocionado, fechou-se em suas folhas como que em preces. E daquele dia em diante o alecrim passou a se chamar também “Mãozinhas de Maria”.
A santíssima Maria olhou para o alecrim e acariciando seus galhos com as mãos exclamou, “Pelo teu suave perfume serás conhecido por todo o tempo. Serás de grande utilidade na culinária e também na medicina. De hoje em diante terás as flores da cor do manto que hoje visto, ou seja, azuis”. Cheio de alegria, o alecrim acompanha o movimento de José e Maria ao arrumar os pertences para partir.
Tudo ficou agraciado com aquelas presenças. A água, a vegetação, os animais... Tudo permaneceu igual na ordem natural, porém na sobrenatural, tudo era graça.
Ao longe se veem as marcas das sandálias de São José e das patas do burrico, já bastante descansado.
Partiram em busca do ainda desconhecido. Tudo parecia muito confuso. A viagem é bastante perigosa, porém o que os move é a fé!
É, na verdade, a boa nova que está sendo levada, enrolada naqueles panos, o Salvador!
O alecrim (rosmarinos officialis) tem sua origem no Mediterrâneo; é conhecido como chá da alegria. Seus efeitos são fantásticos.
O Santo Menino nos encanta com sua divina presença e sempre nos traz momentos de esperança.
Desejamos a todos um santo e abençoado Natal, com um 2014 de bênçãos e de graças.


Paz e bem!  

terça-feira, 5 de novembro de 2013

São José Moscati



                      
Médico e santo

16 de novembro

“Ama a verdade, mostra-te como és, sem fingimentos... Se a verdade te custa a perseguição, aceita-a; se te custa o tormento, suporta-o.” (São José Moscati)

No verão de 1880 a casa do renomado jurista de Benevento, Francesco Moscati estava bastante movimentada, afinal a Sra. Rosa de Luca dei Marchesi di Roseto estava para dar a luz ao seu sétimo filho, dos nove que teve.
No entardecer do dia 25 de Julho nasceu um belo menino, forte e corado, que na pia batismal recebeu o nome de Giuseppe Moscati (José Moscati); era uma forma de homenagear o esposo da Virgem Maria e pai adotivo do Menino Jesus.
A família Moscati, no ano de 1884, mudou-se para Nápoles. Giuseppe fez a sua Primeira Comunhão com 8 anos de idade e sua Crisma com 10 anos.
Foi neste período que conheceu o Sr. Bártolo Longo (hoje proclamado beato Bartolo Longo), e por toda a sua vida nutriu por ele uma sólida e santa amizade.
No ano de 1892, seu irmão Alberto, enquanto prestava o serviço militar, caiu de cavalo e teve traumatismo craniano.
Durante o tempo que Alberto ficou em casa, Giuseppe não se cansava de observar os cuidados médicos que todos dispensavam a ele. Foi ali que sentiu o desejo de estudar medicina tão logo terminasse o ensino médio em 1897. Neste mesmo ano, seu pai faleceu, deixando a família em profunda dor.
A família Moscati sempre foi conhecida pelas virtudes morais e pelos princípios cristãos. Giuseppe, ao receber o seu doutorado da faculdade de medicina da Universidade de Nápoles no ano de 1903, sempre manifestou o desejo de servir e fazer da medicina um apostolado.
Dr. Moscati, logo após a sua formatura, passou a integrar a equipe do hospital Riuniti degli Incurabili, e em pouco tempo foi nomeado como administrador.
No ano de 1906, com a erupção do monte Vesúvio, ficando um dos hospitais que o Dr. Moscati atendia muito próximo da cratera do vulcão, durante a madrugada ele retirou todos os idosos e enfermos e no amanhecer o teto do hospital desabou.
No ano de 1911, a cidade de Nápoles foi infestada pelo cólera. Mais uma vez o Governo napolitano encarregou o Dr. Moscati de realizar pesquisas e procurar a melhor maneira de erradicar a doença. Todas as suas ideias e sugestões foram aceitas e assim o cólera foi erradicado.
Como grande estudioso e pesquisador, Giuseppe Moscati era admirado e reconhecido por toda a classe médica. No tempo em que ele foi supervisor do Instituto de anatomia patológica, colocou na sala de estudos um crucifixo com a inscrição tirada do livro de Oséias, 13, 14, que diz, “Ero mors tua, o mors” (Ó morte, eu serei a tua morte).
No ano de 1914, nosso médico sente mais uma vez a dor da perda. Sua mãe morreu em decorrência do diabetes. Sempre pensando na dor e no sofrimento alheios, foi ele o primeiro médico napolitano a experimentar a insulina no tratamento do diabetes.
Com a explosão da Primeira guerra, Moscati tentou se alistar para servir seu país e os soldados feridos. As autoridades militares achavam por bem que ele serviria melhor no hospital. Seu hospital foi tomado por mais de 3000 soldados, e quase todos foram atendidos por ele. Moscati era “médico de homens e de almas”.
Exerceu a medicina verdadeiramente como um sacerdócio. Era assíduo na Missa e Comunhão diária; indicava os Sacramentos aos pacientes que manifestavam sua fé. Moscati jamais aceitou pagamento de consultas e outros atendimentos dos pobres. Incontáveis vezes enviava os pacientes para casa com a receita dos remédios e o dinheiro em um envelope para que pudessem comprá-los.
Seus diagnósticos eram precisos; muitas vezes somente por ouvir os sintomas do paciente. Era conhecido por todos, inclusive por seus colegas de profissão, por realizar curas humanamente impossíveis.
Foi ainda na adolescência que José Moscati fez voto de castidade, e assim se manteve fiel até aos seus últimos momentos. Era na comunhão diária que encontrava forças para seguir e completar sua missão.
A amizade com o beato Bártolo Longo, (o apóstolo do Rosário), o levou várias vezes ao Santuário de Nossa Senhora do Rosário em Pompeia, e lá também pode exercer grandemente a sua medicina, aliada à sua inabalável fé.
Consumido pelas aulas, conferências e o exercício de seu ofício, Dr. Giuseppe achava-se cansado, apesar dos seus 47 anos de idade. Era o dia 12 de abril de 1917; após assistir à santa Missa e receber a Comunhão, permaneceu no hospital até as 12h. Em casa, atendeu mais alguns pacientes que o aguardavam. Depois de ter atendido todos os pacientes, por volta das 15h, sentindo-se cansado, sentou-se numa poltrona de seu consultório e morreu santamente, como um soldado que lutou até o último instante! A arma que estava em suas mãos era o terço da Virgem Maria.
Foi beatificado em 16 de novembro de 1975 pelo Papa Paulo VI e canonizado em 25 de outubro por João Paulo II.
Que o exemplo de São José Moscati nos inspire e nos ensine a ser ainda mais uma luz para os nossos irmãos.


Paz e bem!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Vida e missão nas terras sagradas do sertão

Vida e missão nas terras sagradas do sertão

“Ide e anunciai”

No dia 15 de agosto, mais uma vez, partimos para a Bahia, mais precisamente para o sertão da Bahia. Nosso destino: Cidade da Barra – Paróquia São Francisco de Chagas.
Estávamos em três ônibus, aproximadamente 130 pessoas das diversas cidades de nossa Arquidiocese de Florianópolis. Pessoas de idades diversas, profissões das mais variadas, porém todos com um só desejo: “Servir!”.
Chegamos à cidade da Barra depois de quase 60 horas de viajem. Durante a viajem orações, cantos e contos preencheram o nosso tempo e nos encheram de esperanças.
A recepção, como sempre foi cheia de alegria e muito calorosa. Nos olhos de todos víamos um brilho, um brilho luminoso...
Banda, fogos, cumprimentos e abraços cheios de afeição e de boas vindas, parecíamos velhos amigos que se reencontravam.
Eis que, ao nosso encontro, vem o Bispo da Diocese da Barra, Dom Frei Luis, um franciscano no verdadeiro sentido, um pastor que conhece as ovelhas pelo nome e que tem o cheiro do seu rebanho. Dom Luis nos acolheu com carinho e gratidão. Seu olhar e seu sorriso expressam uma bondade sem igual.
Acolhida, almoço, distribuição das equipes e Missa de envio. Cada momento vivido era de muita expectativa e ansiedade.
De todos os lugares da cidade chegavam conduções para o translado dos missionários para as comunidades. Como imaginar uma paróquia com mais de 90 (noventa) comunidades, e apenas um padre (Pe. Antonio).
Quanto a mim fui encaminhado para a comunidade Nossa Senhora Aparecida, no bairro do Barro Vermelho, eu, Delaudino de Biguaçu, Cleide de Florianópolis, e Julio de Florianópolis e dona Joana do Muquém do São Francisco (BA).
Todos os dias o trabalho missionário começava com a aurora, rezávamos o terço, caminhando pelas ruas do bairro. Em seguida tomava-mos café e com os grupos divididos saíamos para as visitas nas famílias do bairro. Um sol escaldante que ardia e queimava os pés nas caminhadas (longas), porém o que compensava tudo, era acolhida e o carinho das pessoas visitadas.
Em cada casa, em cada família... Uma história, um testemunho. Em algumas partilhava-mos sorrisos e brincadeiras, outras era quase impossível conter o soluço e as lágrimas.
O ganhar um terço, um escapulário, uma medalha etc, é para aquelas pessoas um gesto de carinho imenso, que é retribuído com muita gratidão.
O povo do sertão não reclama, o povo do sertão é generoso com o pouco que tem, e em momento algum se ouve queixas ou lamúrias pelos infortúnios. Em tudo dão graças a Deus, e se Deus assim o quis, que assim seja.
A seca já dura mais de 3 (três) anos a terra escorre por entre os dedos, as plantas e os animais já dão sinais de não aguentarem mais. O Rio São Francisco está baixando, dia a dia, e o seu nível, e é ainda ele que abastece todo aquele sertão.
A comunidade Nossa Senhora Aparecida, tem a sua frente, uma grande líder, professora Angela, tem uma P.J., pequena, mas ativa entusiasmada são eles os catequistas e quem cuida da infância missionária.
Devemos lembrar com um carinho, das Legionárias de Maria, um verdadeiro exército em ordem de batalha.
Chegamos ao final da missão, nossos pés marcados pelo pó da estrada e nossos corações marcados com os gestos de carinho e afeição daquele povo, tão maravilhoso do sertão.
É hora de partir! Impossível é conter a emoção, os bilhetes e os desenhos das crianças, o olhar de despedida, e a gratidão dos idosos, tudo é indescritível!
Saimos, era uma noite linda, a lua e as estrelas desenhavam no céu um espetáculo de rara beleza e no silêncio da noite e jpa, em nossos bancos, no ônibus cantávamos, com voz embargada e silenciosa: “Não há ó Gente, ó não, não há - luar como esse do Sertão”
“O último olhar poderia ser de um até breve, ou quem sabe de um Adeus”.
Amém
Paz e Bem!

Márcio Antônio Reiser

Santa Teresa de Jesus (d’Ávila)

Santa Teresa de Jesus (d’Ávila)


Doutora da Igreja

15 de outubro

“Nada me perturbe, nada me espante, tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança! Quem a Deus tem, nada lhe falta, só Deus basta. Amém.” (Santa Teresa)

O ano de 1515 marcou para sempre a história da bela cidade de Ávila, na Espanha. Nasce para a Igreja e para o mundo a grande doutora da Igreja, Santa Teresa de Jesus.
Era, para o mundo, o século das grandes conquistas. Seus pais eram Alonso de Cepeda e Beatriz de Ahumada; eram nobres e muito piedosos; segundo seus biógrafos tiveram nove filhos. Na pia batismal nossa Santa foi batizada como Teresa de Cepeda y Ahumada.
Sua infância foi marcada pelas brincadeiras com os irmãos; o seu temperamento vivaz chamava a atenção de todos, pois aos 7 anos fugiu de casa para, segundo ela, sofrer o martírio entre os mouros na África.
O que despertou o desejo do martírio foram os livros que relatavam a vida dos santos mártires. A pequena Teresa sempre esteve às voltas com bons livros desde a mais tenra infância. Seu companheiro de aventuras era seu irmão Rodrigo.
Quando completou 12 anos sentiu a dor da perda. Sua bondosa mãezinha veio a falecer depois de uma breve enfermidade. A família sofre unida, sem perder a fé. Teresa, prostrada diante da imagem da Ssma. Virgem exclamou, “Mãe de misericórdia, a vós eu escolho para serdes minha mãe. Aceitai esta pobre orfãzinha no número de vossas filhas”. Sempre foi amparada pela Virgem Maria.
Já na adolescência deixou-se levar pelas vaidades. Por um tempo afastou-se das leituras religiosas, preferindo as profanas. As amizades fizeram a jovem Teresa perder o fervor e a devoção da infância.
Aos 20 anos seu pai entregou-a aos cuidados das religiosas agostinianas. A conversão foi imediata, firme e decidida. Foi neste tempo que uma grave enfermidade obrigou-a a voltar para casa, e na casa paterna sentiu um profundo desejo de servir a Deus na solidão do claustro.
O Sr. Alonso, ao saber de seu plano, opôs-se terminantemente. Teresa fugiu de casa. Seu destino: o mosteiro das Carmelitas de Ávila. Muitas foram as provações durante o tempo de noviciado. A jovem Teresa se prostra diante do Crucificado, e, lavada em lágrimas, implora a graça da fortaleza e da perseverança em servi-lo. A oração foi ouvida graças a intercessão da Ssma. Virgem e de São José.
Teresa sempre foi uma religiosa exemplar e determinada. Não admitia a mínima falta, e, nem o menor pecado venial; suas penitências eram rigorosas. Em uma das suas visões lhe foi mostrado o inferno; tal visão lhe impressionou tanto que sugeriu que os Carmelos restabelecessem a regra carmelita em todo o seu rigor primitivo.
Muitas foram as contrariedades. Teresa, porém, tendo a intuição de agir por vontade de Deus segue com seus planos e vence!
Com muita determinação põe os pés na estrada; viaja pela Espanha de alto a baixo (era chamada a “Freira viajante”) para erigir e ou reformar conventos.
Foram 32 mosteiros (17 femininos e 15 masculinos) por ela fundados, e outros tantos reformados. A antiga regra entrou em vigor.
Teresa de Jesus foi uma mística por excelência; sua vida interior, suas orações eram tão intensas quanto marcadas por visões e revelações celestes. Foi em um destes êxtases que teve o coração transpassado com uma seta de fogo por um anjo. Este fato é lembrado por toda a ordem carmelitana em cada 27 de Agosto. É a Festa da transverberação.
Os tempos seguintes foram de grandes provações. O inimigo, furioso como estava, semeou a discórdia e a perseguição a nossa Santa.
Em silêncio, oração e obediência, Teresa recolheu-se a um dos conventos, até que em 1580 o papa Gregório XIII declarou autônoma a ordem carmelitana descalça.
Santa Teresa era dotada de grande inteligência; seus conhecimentos teológicos eram profundos e bastante elevados. Era diante de Jesus sacramentado que Teresa achava a força necessária para a luta e para a vitória.
Seu diretor espiritual, São Pedro de Alcântara, era um mestre e para todas as situações tinha um sábio conselho. Dentre os dons extraordinários de Teresa estava o dom de ler as consciências e predizer o futuro.
Muitos foram os sofrimentos físicos, morais e espirituais. Atravessou a noite escura com tormentas violentíssimas visando abalar as suas estruturas sólidas de fé. Foi na oração que ela atingiu o mais alto grau da vida mística.
Teresa encontrou na própria ordem carmelitana masculina o frei João da Cruz, um místico de elevado valor e de inquietações semelhantes às suas. Santa Teresa e São João foram as colunas da mística e da oração para a Igreja de todos os tempos.
Os amores de Teresa eram: o Menino Jesus e a Ssma. Virgem e o glorioso São José (todos os conventos eram colocados sob a proteção de São José).
Oito anos antes de deixar este mundo, foi-lhe revelada a hora da morte. Sentindo esta hora se aproximar, dirigiu uma fervorosa circular a todos os conventos da ordem. Recebeu com muita devoção os santos sacramentos e constantemente rezava, “Meu Senhor, chegou afinal a hora desejada, que traz a felicidade de ver-vos eternamente”. – “Sou uma filha de vossa Igreja. Como filha da Igreja católica quero morrer.”
“Senhor, não me rejeiteis da vossa face. Um coração contrito e humilhado não haveis de desprezar.”
Teresa de Jesus, com a idade de 67 anos, retorna para casa do pai, e como São Paulo repete, “Combati o bom combate. Guardei a fé...”
Logo após a morte, o corpo de Santa Teresa exalou um suave e delicioso perfume que permaneceu até o sepultamento; era o ano de 1582.
O coração transpassado pela lança de fogo apresenta uma larga e profunda ferida e acha-se guardado no Carmelo de Alba.
Deixa relatada sua história no magnífico Livro da Vida; um clássico para todos aqueles que buscam aquele algo mais na vida espiritual.
No ano de 1970, o então papa Paulo VI, declarou Santa Teresa de Jesus “Doutora da Igreja”.
Aqui em Itajaí, temos o privilégio de contar com a presença das filhas espirituais de Santa Teresa. No Carmelo que traz seu nome, as carmelitas, como que para-raios, rezam intermitentemente por todos nós, conhecidos ou não, amigos ou não. As nossas irmãs, no silêncio e na clausura, nos dão o exemplo de seguimento a Cristo, um seguimento sem reservas...
Que Santa Teresa nos inspire e interceda por nós,

Amém,


Paz e bem!   

terça-feira, 17 de setembro de 2013

São Jerônimo

São Jerônimo


30 de setembro

“Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo e quem não conhece as Escrituras não conhece o poder de Deus nem sua sabedoria.” (São Jerônimo)

Jerônimo foi um luzeiro de seu tempo. Nasceu na Dalmácia pelo ano de 340. De seu pai Eusébio herdou valores morais e princípios éticos além do gosto pelas letras.
Com o dinheiro que herdou de seus pais viajou para Roma em busca de conhecimentos e com o intuito de estudar com os melhores mestres da cidade eterna. Foi batizado pelo Papa Libério, quando estava com 25 anos.
Todos os domingos aproveitava as horas de lazer para visitar os túmulos dos santos mártires.
Sempre em busca de algo mais, partiu para França e chegou a Trèves. Lá encontrou a célebre fundação criada pelo imperador Graciano. E foi lá também que decidiu seguir a vida religiosa; era o ano 370 quando entrou no convento de Aquiléia.
A busca pela perfeição e o desejo de agradar somente a Deus o fizeram partir para o oriente. Morou vários anos no deserto da Síria e foi lá que experimentou o rigor dos jejuns e penitências que quase o levaram à morte.
O desejo pelas leituras e pelas Sagradas Escrituras o levaram a Constantinopla e lá pôde ouvir e dialogar com o grande orador São Gregório de Nazianzo que lhe incutiu o amor pela exegese da Sagrada Escritura.
Foi no tempo em que esteve em Constantinopla que ordenou-se sacerdote pelo bispo Paulino. Apesar de não se achar digno do sacerdócio, o exerceu com grande dignidade e abnegação.
Encontrava na escrita sua realização. As pesquisas, os estudos exigiam dele um esforço sobre-humano. Seu maior desejo era difundir o cristianismo.
Foi um autodidata em línguas como o grego e o hebraico; era preciso estudar as Escrituras nas línguas originais.
Sabendo de seus avanços nas Sagradas Escrituras, o papa Dâmaso o convidou a ser seu secretário particular; ao mesmo tempo deveria traduzir as Sagradas Escrituras para o latim. O papa desejava um trabalho o mais fiel possível aos originais e que servisse para toda a liturgia.
Por quase todo o resto de sua vida Jerônimo dedicou-se à tradução da Bíblia que deu origem à Vulgata. O trabalho de Jerônimo foi oficializado no Concílio de Trento; ficou reconhecido pela riqueza de detalhes como tempo e os lugares relativos à Bíblia.
Por fim, viajou para a Terra Santa e escolheu a cidade de Belém para terminar seus estudos. Viveu em contínua penitência e rigor os jejuns até o seu falecimento no ano de 420. Era o dia 30 de setembro. Jerônimo estava com 80 anos.
São Jerônimo é Doutor da Igreja e padroeiro dos estudos bíblicos. Suas relíquias repousam na Basílica de Santa Maria Mador. Santo Agostinho, amigo e discípulo de São Jerônimo, comparava-o com o apóstolo São Paulo pelo zelo para com a Palavra de Deus.
Roguemos que São Jerônimo nos ajude a entender as Sagradas Escrituras para bem colocá-las em nossas vidas.
Amém.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A Santíssima Virgem é elevada aos Céus!

A Santíssima Virgem é elevada aos Céus!
15 de Agosto.

“Apareceu, em seguida, um grande sinal no céu: Uma mulher revestida de sol, a lua debaixo de seus pés, e na cabeça uma coroa de doze estrelas”.(Ap 12,1.
Ao ser descido da cruz, o Senhor é colocado sobre os braços de sua Mãe, e ali, Ele é novamente o filho de Maria. Aquela mãe dolorosa acaricia seus cabelos ressequidos de sangue, beija seu rosto desfigurado e toca suavemente as chagas de suas mãos. Quantas lembranças! Tudo quanto ela guardava no seu coração começava a ser desvendado.
Jesus é ungido, lavado e colocado no túmulo, e sua mãe assiste a cena com o coração silencioso, confiante na promessa da ressurreição.
Diz o evangelho secreto da Santíssima Virgem Maria,: “Na madrugada de sábado para domingo... Rezando e chorando, de joelhos junto à cama, voltei a adormecer. A cabeça e os braços sobre o leito, não sei quantas horas estive assim, só me lembro que, igual a trinta e quatro anos antes, senti, de repente, que havia alguém no quarto em que eu estava ,,despertei sobressaltada... Tinha a sensação de que uma luz extraordinária brilhava ao meu redor ainda que tudo continuasse as escuras.
Então vi... Ali estava e era Ele, esperando e velando o meu sono. “Filho”, gritei e me lancei em seus braços. “Mãe”, disse-me enquanto passava a mão por meus cabelos em desordem, “tranqüiliza-te”. Já aconteceu tudo. Estou de novo aqui contigo! Então me beijou... “Vencemos Mãe, vencemos. Enfim derrotamos o maligno. Finalmente a morte esta proscrita. A batalha dura e angustiante, mas a vitória é nossa e é definitiva. Também tu tiveste parte nela... Quanto me ajudou tua fortaleza e como me consolou ver-te ali junto à cruz, cheia de fé e de esperança”.
“O ultimo inimigo a ser destruído é a morte”. Lemos na primeira carta aos Coríntios. A morte, fruto do pecado, já não tem mais poder sobre quem não tem pecado. “Ave, cheia de graça”, disse o anjo a Maria, por que nela não há espaço para o que não é a vida de Deus.
Após 40 dias, gloriosamente ressuscitado, Jesus subiu ao Monte das Oliveiras... Abençoou os seus e se elevou ao céu por seu próprio poder... Dois anjos vestidos de branco vieram lembrá-los das realidades da vida. A Virgem e os discípulos retornaram juntos ao cenáculo.
Juntos estavam no cenáculo, 50 dias após a ressurreição, Maria e os apóstolos quando o Espírito Santo prometido veio sobre eles e todos ficaram cheios do poder de Deus, ali em Pentecostes nasceu a Igreja de Jesus Cristo ,com Maria e as doze colunas (os apóstolos) que a sustentariam, e sob o comando de Pedro, Papa Francisco.
Maria devia passar ainda muitos anos sobre a terra (dizem alguns que foram 30 anos), onde saboreara alegrias na intimidade de seu filho presente na Santa Eucaristia. Privada doravante de sua presença visível, ela devia exercer junto à Igreja nascente o papel de mãe, que lhe havia confiado o próprio Jesus.
Segundo a tradição, Maria recebeu Jesus eucarístico, pela primeira vez, das mãos do Apóstolo Pedro, e depois que foi com João Evangelista para Éfeso.Diariamente recebia, das mãos do Apóstolo que Jesus amava, e que confiou sua mãe, por não ter irmãos.
Quanto mais se prolongava o exílio, mais aumentava o desejo de partir e ir ao encontro de seu filho, e quando chega o momento, por ela tão esperado, e pressentindo que era chegada a hora de ir , Maria volta para Jerusalém, os Apóstolos são avisados e todos se dirigem para Jerusalém para as ultimas recomendações e despedidas.
Quando a Imaculada exalou o ultimo suspiro, os apóstolos lhe prepararam piedosamente os funerais, a Santíssima adormeceu no Senhor, e foi sepultada conforme os costumes judaicos, num tumulo que se encontra na vizinhança do Gethesêmani.
Três dias depois do sepultamento, conforme a tradição, chegou o apostolo Tomé. Pesaroso por não terchegado a tempo de  assistir a despedida da Mãe, (conforme era chamada por todos os Apóstolos), insistiu com os apóstolos para que lhe abrissem o sepulcro para que pudesse contemplar pela ultima vez o rosto virginal de Maria.
Os apóstolos cederam, mas quando abriram o tumulo, encontraram-no vazio. Só acharam os lençóis de linho, alvíssimos, e que exalavam um perfume celestial, belas rosas cobriam a pedra e a piedosa correia, que a Santíssima Virgem usava na cintura.
Era costume na Judéia, andarem as mulheres cingidas com uma correia, desde pequenas como símbolo de pureza. A santíssima Virgem Maria, como toda a judia, também usou, durante toda a sua vida, uma correia, sendo com ela sepultada.
Diz ainda, a tradição, que o Apostolo Tomé venerou, com muito respeito, a correia de Maria e, daquele dia em diante, usou uma correia semelhante em homenagem a Mãe. A correia original ficou no sepulcro e mais tarde Santa Pulquéria, a fez transportar para Constantinopla e colocá-la numa magnífica igreja em honra a Nossa Senhora,e assim, começou a difusão da Sagrada Correia entre o povo fiel.
A Santíssima Virgem Maria é levada aos céus pelos anjos de Deus. Aquele corpo Imaculado, que gerou o Salvador da humanidade, não poderia conhecer a corrupção.
“Quem é esta que sobe?” Assim teriam perguntado uns aos outros, os espíritos celestes que aguardavam a subida da Imaculada, pasmados de sua inefável beleza. “Quem é esta que sobe como a aurora, quando se levanta, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército em ordem de batalha? Quem é esta que sobe do deserto, inebriada de delicias, apoiada sobre seu amado?”. (Cant, 6,9;8,5).
Seu amado filho Jesus indo ao encontro de sua mãe dulcíssima, tê-la-ia convidado e chamado com carinhosas frases repassadas de amorosas saudades, e conduzida por ele até o trono do Pai celeste, este coroa a sua dileta filha com a coroa do poder, para que se torne a rainha do céu e da terra.
O Verbo Encarnado coroa sua Mãe Imaculada com a coroa da sabedoria, para que se torne nossa “Mestra e a sede da sabedoria”.
O Espírito Santo coroa sua castíssima esposa com a coroa do amor e da graça, para que se torne a “Medianeira e dispensadora das graças divinas”.


O Dogma

Atendendo a expectativa e a pedidos do povo católico do mundo inteiro, o Papa Pio XII definiu, em 1950, na Assunção de Nossa Senhora, como dogma de fé, pela constituição apostólica munificentissimus Deus, e afirmou: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma a gloria celestial”. 1º de novembro de 1950


Bendita seja sua glória e Assunção Gloriosa.

domingo, 7 de julho de 2013

Santa Maria Goretti

Santa Maria Goretti
6 de julho
No outono de 1890, o vento frio parecia impiedoso a soprar nos campos de Corinaldo; o céu apresentava um espetáculo de cores e luzes em tons dourados, era um lindo final de tarde daquele 16 de outubro, quando veio ao mundo o sétimo filho do casal Luís Goretti e Assunta Carlini; nasceu uma linda menina, que na pia batismal recebeu o nome de Maria (em homenagem a Virgem Mãe do Senhor); Maria Goretti.
Seus pais eram trabalhadores braçais, na agricultura encontravam o meio de sustento da numerosa família. A luta era sempre muito árdua...
A busca pela sobrevivência fez com que, por várias vezes buscassem em outras terras o sustento por meio do trabalho pesado no campo.
Foi na aldeia de Agro Pontinho, que depois de uma curta enfermidade, o senhor Luís Goretti veio a falecer; era o dia 6 de maio de 1900. A pequena Maria Goretti com apenas 9 anos, era quem consolava a mãe e lhe dizia para confiar na providência.
Foram tempos de muita penúria e dificuldades. Dona Assunta, com o coração despedaçado, e os olhos lavados pelas lágrimas da dor, encontra na mesa da eucaristia e aos pés da Ssma. Virgem, a coragem necessária para dar segurança aos seus filhos.
O trabalho se torna muito pesado, Dona Assunta, sozinha, não tem como lavrar a terra. É ai que surge a oportunidade de partilhar o trabalho e o lucro da terra com um viúvo e seus dois filhos. Eram eles: o Pai João e seus filhos, Gaspar e Alexandre.
Devemos esclarecer que o que uniu as duas famílias, foi tão somente o trabalho.
Com o trabalho partilhado, ambas as famílias saíram lucrando. Tudo, parece correr bem! Dona Assunta, sempre, muito determinada só tem olhos para o trabalho e as lidas da casa.
Maria Goretti, além do trabalho na lavoura, se desdobra em cuidados com a casa e com os irmãos menores apesar da pouca idade, Maria é muito responsável e piedosa. Seus dias são de oração e trabalho.
Durante o varrer do quintal, ouve-se ao longe sua voz e melodiosamente entoando hinos sacros e ladainhas.
No remendar as roupas, unia os pontos as contas do rosário, por fim incontáveis ave-marias eram rezadas ao dia.
O jeito doce e meigo de Maria Goretti despertou a malícia de Alexandre, o filho mais novo de seu João, o sócio de Dona Assunta. Seu olhar perseguia a jovem menina, que percebendo, evitava ficar sozinha com ele.
Os dias foram passando e Alexandre certo dia, solicitou que Maria pregasse os botões de sua camisa. A jovem se dispôs a  consertá-la. Alexandre, com toda a família, foi para o campo.
Tudo foi premeditado, Alexandre arruma uma desculpa e volta para casa. Chegando próximo da casa,  avista Maria, sentada, na porta cantando e pregando os botões.
Alexandre cheio de maldade, toma em sua mãos uma barra de ferro com um ponta de lâmina afiada, e chama por Maria.
Maria treme de medo, o olhar de Alexandre é de fúria, por duas vezes ele já havia tentado agarra-la, porém sempre sem sucesso, o que aumentou a sua paixão louca.
Maria tentou fugir, Alexandre ao ver que a menina não atendeu o seu chamado tomou-a violentamente pelos braços tapou-lhe a boca e com a mão arrastou-a para dentro de casa, enquanto com o pé fechava a porta.
A jovem menina com todas as suas forças implorava: Não! Não! Isso é pecado... Não! Que estas fazendo Alexandre... Por favor não! Irás para o inferno. E com um gesto de coragem lutou varonilmente.
Alexandre, em desespero, agarrou a jovem e cravou a lâmina da barra de ferro, repetidas vezes em seu corpo virginal. Maria com os olhos cheios de lagrimas exclamava:
-Meu Deus! Meu Deus! Estou morrendo... Minha mãe! Minha mãe!
Alexandre descontrolado, aperta a garganta da menina e acerta mais alguns golpes mortais. Alexandre foge, e Maria, com seu sangue, conserva o dom precioso da virgindade.
Alguns vizinhos ouviram uns gemidos e quando chegaram, encontraram a jovem, num mar de sangue. Chega também Dona Assunta, que tomando a filha em seus braços pergunta: Minha filha, o que aconteceu, quem... Foi... Diga-Me? Quase sem forças respondeu: Foi Alexandre! Ele queria fazer coisas más, e eu não quis e não deixei.
Em poucas horas Alexandre foi preso, confessou o seu crime, e foi levado para a prisão antes que o linchassem.
Maria Goretti, levou 14 golpes, foram lesões muito profundas, a pobre menina estava despedaçada. Foi levada ao hospital de Netuno e ainda viveu por mais 24 horas, somente por um milagre.
Naquela noite, cheia de alegria, recebeu a fita e a medalha de Filha de Maria. Aquela medalha suavizou suas dores e seus tremores.
Na manhã seguinte, era um domingo, dia 6 de julho, Maria recebeu a sagrada comunhão. Em seguida sua mãe perguntou-lhe:
-Maria, você perdoa de todo o seu coração o seu agressor (Alexandre)?
-Sim... Perdoo... Lá do céu rogarei para que se arrependa, e quero que um dia esteja comigo na eterna glória.
Ao ouvir tão doce revelação, o sacerdote que a tudo assistia, derramou copiosas lágrimas.
Por volta das 15:45, do dia 6 de julho de 1902, Maria Goretti entregou sua inocente e virginal alma ao Senhor da vida. Seu enterro foi uma verdadeira manifestação de fé e de amor.
Alexandre foi condenado a 30 anos de prisão, ao final dos 30 anos teve um sonho com a jovem mártir e se converteu indo viver com um monge até o final de seus dias.
No ano de 1950, estavam na Praça de São Pedro, Dona Assunta e seus filhos, assim como Alexandre Serenelli, sentado ao seu lado, assistindo a celebração eucarística da canonização de Santa Maria Goretti.

Que neste mês de julho, mês da Jornada Mundial da Juventude, possamos apresentar aos nossos jovens o modelo de Maria Goretti, e que ela interceda por todos. Amém!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Pedro: "O Apóstolo do Senhor, e O Príncipe dos Apóstolos"

Pedro: "O Apóstolo do Senhor, e 
O Príncipe dos Apóstolos"

"Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se acontecesse alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que vos possais alegrar e exultar no dia em que for manifestada sua glória". (1 Pedro 4, 12-13)

Eis a dispersão! Todos, e cada um em fuga, é quem mais pode fugir para não ser preso também.
Judas, em desespero e atormentado pelo remorso, busca de todas as formas, amenizar a consciência, inclusive tentando devolver as moeda da traição, tudo em vão!
João Evangelista ao que tudo indica, não fugiu pois decidiu acompanhar Maria Salomé, sua mãe e a mãe do Senhor no caminho do calvário. Outra hipótese é a de que não atingira a maior idade. Portanto não poderia ser preso.
E Pedro? Aquele que o Senhor escolheu para ser pedra, aquele a quem o Senhor falou:   " Simão filho de Jonas, de hoje em diante te chamarás Cefas - Pedra = Pedro! Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerá sobre ela!"
Nos momentos finais da última ceia, encontramos um Pedro corajoso dizendo ao mestre: "darei a minha vida por ti!"
Jesus respondeu: "darás a tua vida por mim!....em verdade, em verdade, em verdade te digo, não cantará o galo, até que me negues três vezes."
O mestre falava da traição daquele mesmo que algum tempo atrás havia dito na Cesareia de Felipe: "tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus; tudo o que ligares na terra, será ligado no céu; e tudo que desligares na terra será desligado no céu."
Devemos reconhecer que até por um momento, Pedro demonstrou coragem; foi no Monte das Oliveiras quando desembainhou a espada e cortou a orelha de um soldado para defender o Mestre.
Pedro era um homem genial, de temperamento explosivo a doçura das suas ações. Pedro era um pescador da Galileia, um homem de mãos calejadas pelo trabalho, e coração generoso e firme no professar a fé, no Senhor.
Seu nome de família era Simão, o filho de Jonas; o irmão de Andre. Diz-se nascido em Betsaída e morador em Cafarnaum.
Sabemos que Pedro era casado, pois os evangelhos nos falam que o Senhor curou a sogra de Pedro.
Creio que o que mais chamou a atenção em Pedro, foi o caráter decidido. Jesus vê, em Pedro, um diamante bruto que necessita ser lapidado.
As escrituras nos mostram o quanto Jesus estimava, São Pedro. Vemos que em muitos momentos, e principalmente nos momentos decisivos, Pedro estava ao lado do mestre.
A dor que rasgou o coração de Pedro foi a dor de ouvir o cantar do galo, o Senhor falou da negação, falou do galo etc.
Diz a tradição que São Pedro movido pelo remorso, derrama lágrimas de arrependimento, e eram tantas, as lágrimas, que marcaram a face do apóstolo transformando-a num vale de lágrimas.
Lemos nos livros dos atos dos apóstolos que Pedro, em seu discurso de pentecostes chegou a converter mais de 3000 pessoas.
Ainda no livro dos atos dos apóstolos lemos a passagem em que Pedro diz ao enfermo: "olha para nós; não temos ouro nem prata, mas o que tenho, eu te dou: em nome de Jesus Cristo, levanta-te e anda."
Logo após pentecostes Pedro torna-se, ao lado de Maria, o elo de união entre Cristo e os apóstolos.
Pedro, percebendo a necessidade de resolver algumas questões referente o futuro da Igreja, convoca o 1º Concílio.
Por vários lugares, Pedro anunciou o evangelho, Jerusalém, Antioquia, e por fim a cidade eterna.
Diz a tradição que no dia 29 de junho de 67', Pedro foi crucificado, de cabeça para baixo e seu corpo foi sepultado onde, hoje está a magnífica Basílica Vaticana.
Que o exemplo e o testemunho do apóstolo Pedro, nos favoreça.
Amém!

Paz e Bem!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Maria Santíssima


Maria Santíssima


Modelo de Mãe e Rainha da família

“A família, fundada e vivificada pelo amor é uma comunidade de pessoas: dos esposos, homem e mulher, dos pais e dos filhos, e dos parentes. Sua primeira tarefa  é a de viver fielmente a realidade da comunhão num constante empenho por fazer crescer uma autêntica comunidade de pessoas” (Beato João Paulo II).
Na dimensão familiar, a mãe é o centro do coração da família, é a vida, a luz, a alegria, a consolação dos filhos; é a medianeira, a ponte entre o pai e os filhos.
É por causa desta vitalidade e atividade benéfica da mãe na família, que Cristo em sua agonia na cruz incumbiu sua mãe diletíssima da missão maternal na sua instituição – a Igreja (fonte de sacramentos, nascida da chaga aberta do coração de Jesus).
Desde todo o sempre, o povo Cristão aclama Nossa Senhora como Rainha da Família. Esse titulo é atualmente muito oportuno pois valoriza uma das dimensões mais importantes da vida humana: “A família”.
Estar a serviço e promovendo a continuidade da obra criadora de Deus, é a tarefa  fundamental da família. “Os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e constituem um beneficio máximo para os próprios pais”, conforme o Vaticano II.
Foi na simplicidade, realidade dominante da Sagrada Família, que o plano de salvação, do gênero humano, de Deus Pai, concretizou-se. O que o Pai desejou, o filho realizou pela ação do Espírito Santo.
O sim de Maria, a simples e humilde serva do Senhor, unido ao gesto obediente do justo carpinteiro José, constituíram os alicerces sagrados que dariam sustentação ao plano de Deus. Jesus nasceria no seio de uma família.
José e Maria, desde o momento que aceitaram colaborar com plano de Deus, passaram a confiar unicamente na providência divina. A ida obrigatória a Belém, a falta de hospedagem, o alojamento naquela gruta fria, úmida e mal cheirosa, e o nascimento do menino naquele lugar são provas de entrega e confiança.
A vida em Nazaré é simples e difícil para todos: Jesus, Maria e José não são poupados em nada, o pão de cada dia é conquistado com trabalho e suor.
Tudo é comum, tudo é divino no cotidiano convívio da sagrada família; nada chama a atenção dos vizinhos e amigos. A casa de Nazaré é a mais perfeita escola de sabedoria, de virtudes, onde o silêncio era o mestre da perfeição. Tudo era guardado e meditado nos três corações unidos.
Durante 30 anos, Jesus viveu uma existência comum em Nazaré: a sabedoria que o Rei Salomão tanto desejou habitou e conviveu com a humildade e a simplicidade na pobre casa de José e Maria.
No ano de 1981, o então Papa João Paulo II, assim escreveu: “Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, seja também a mãe da Igreja Doméstica e, graças a seu auxilio fraterno, cada família cristã possa tornar-se verdadeiramente uma pequena Igreja, na qual se manifesta e reviva o mistério da Igreja de Cristo. Seja ela a escrava do senhor, o exemplo de acolhimento humilde e generoso da vontade de Deus; seja ela mãe das dores aos pés da cruz, a confortar e a enxugar as lagrimas dos que sofrem pelas dificuldades das suas famílias”.
Que a Santissima Virgem nos defenda e nos proteja como mãe, e como tal nos cubra com seu manto de amor.

Paz e Bem!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

São Jorge


São Jorge


23 de abril

“Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a Palavra de Deus.” (Ef. 6, 16 – 17)

A história do valente guerreiro, ou como é chamado no Oriente, o “Grande Mártir”, nos leva à Turquia e mais precisamente à região da Capadócia do século IV.
Segundo historiadores e a tradição, Jorge era filho de pais pagãos; as armas, as batalhas e o poder detinham os corações daquela família.
Sabemos que Jorge, talvez tocado pela Graça, partiu para a Palestina e lá passou a residir, indo alistar-se no exército do tirano imperador Diocleciano, inimigo mortal dos cristãos.
O jovem cavaleiro até então não conhecia Cristo, só conhecia o ódio do imperador pelos seus seguidores, e isto despertou, em seu inquieto coração, o desejo de conhecer o cristianismo.
Encontrou nos cristãos presos a resposta que buscou por toda a sua vida; o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo abriu-lhe os olhos e tocou seu coração. Imediatamente, trocou de milícia e foi alistar-se nas fileiras dos alegres soldados de Cristo.
O imperador Diocleciano descobriu a traição de Jorge e passou a persegui-lo sem piedade. A defesa da fé cristã pelo seu ex-soldado deixava o imperador com mais ódio.
De aspecto majestoso e traços nobres, Jorge passou a ser o guardião maior dos cristãos que viviam as escondidas; era um verdadeiro soldado com a espada da fé em punho.
O conhecimento mais profundo dos princípios cristãos fez de nosso soldado um terrível combatente das heresias pagãs. Saía, por várias vezes, gritando os santos nomes de Jesus, Maria e José e anunciando as verdades evangélicas e denunciando as maquinações dos hereges.
Diz a lenda que Jorge, na sua imagem de destemido cavaleiro, destruiu o dragão que ameaçava a vida e a paz de uma aldeia. Era na verdade o dragão da maldade, da injustiça, do ódio, da intolerância, da exploração e do desamor que o valente soldado combateu com todas as suas forças e com toda a coragem.
O imperador Diocleciano, enfurecido e tomado pela cólera, disse à sua esposa Alexandra, “Fui derrotado e morrerei, porque fui dominado por este homem”. A mulher lhe disse, “Ímpio e cruel tirano, quantas vezes eu te disse para não te colocares contra os cristãos porque o Deus deles luta ao seu lado? Pois bem, informo-te que também eu quero tornar-me cristã.” O imperador, surpreso, exclamou, “Ah, desgraça! Também tu te deixaste seduzir?” Dito isso, fez com que a suspendessem pelos cabelos e a chicoteassem cruelmente. Durante o suplício, a mulher se voltou para Jorge, “Jorge, luz da verdade, aonde pensas que eu irei se ainda não fui regenerada com a água do Batismo?” O santo respondeu-lhe, “Minha filha, fica serena, pois o sangue que está vertendo será teu batismo e a tua coroa”. E ele piedosamente, entregou sua alma a Deus, em súplicas e orações.
A prisão do soldado Jorge foi decretada. Ao ser encontrado na Lídia, foi levado à prisão, e, como recusou renegar a Cristo, foi cruelmente açoitado e em seguida enterrado até o pescoço em cal viva, intensificando seu sofrimento; por fim, foi decapitado.
No Egito, seu culto tornou-se muito popular. Foi declarado o protetor do exército de Constantinopla pelo ano 1000.
Ricardo Coração-de-leão declarou São Jorge padroeiro das cruzadas. Foi declarado defensor das mulheres e nações inteiras se colocaram sob seu patrocínio como a Inglaterra, a Alemanha, Portugal e Espanha.
Tanto no Oriente como no Ocidente, São Jorge é muito popular e bastante invocado. No Brasil, o sincretismo religioso abriu as portas da imaginação dando fôlego a muitas crendices.
Devemos invocar o valente soldado Jorge em todas as adversidades, nos momentos de perigo e também nas crises de fé.
São Jorge, cavaleiro intrépido e vencedor, defende-nos dos perigos do corpo e da alma.

Amém!