segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Vida e Missão no Sertão da Bahia


Vida e Missão no Sertão da Bahia

O documento de Aparecida item 145, nos diz que: "A missão não se limita a um programa ou projeto, mas é compartilhar a experiência do acontecimento do encontro com Cristo, testemunhá-lo e anunciá-lo de pessoa a pessoa, de comunidade a comunidade e da igreja a todos os confins do mundo."
Meu nome é Marcio Antonio Reiser, sou natural de Itajaí-SC, tenho 50 anos, sou casado com Graziele Carvalheiro Reiser à 27 anos e sou pai de 3 filhos; Bruno, Gustavo e Fernando. Sou proprietário de uma livraria católica, em Itajaí, chamada Auxílio dos Cristãos.
Como cristão católico pertenço a Ordem Franciscana Secular, Fraternidade São Luchésio e Buonadona de Balneário Camboriú, onde professei em 2004. Sou catequista à 25 anos e sou Legionário de Maria, na Paróquia do Ssmo Sacramento de Itajaí-SC.
O desejo de participar das santas missões populares, foi despertado em meu coração quando li o livro: "Nos sertões do São Francisco", do amigo, Pe. José Artulino Besen. A descrição do mundo de missão me encantou e me deixou inquieto.
Confesso que por várias vezes fui convidado a participar do projeto missionário das dioceses irmãs, Arquidiocese de Florianópolis e a Diocese da Barra, São Francisco das Chagas.
Somente no ano 2010, decidi participar da primeira experiência missionária que aconteceu em Xique-Xique, na margem do rio São Francisco, paróquia do Senhor do Bom Fim. Foi realmente, uma experiência sem igual, um acontecimento que mudou significativamente a minha vida.
Eu, e mais dois jovens, Marcel de Florianópolis e Luzineide de Morpará (BA), fomos designados para a ilha do Mucamo, distante quase 5 horas de barco, do centro da cidade. Um lugar de muita seca, calor e privações, porém cheio da graça de Deus e de Homens e mulheres de fé e de corações generosos.
No olhar das crianças encontramos o brilho da inocência e nos gestos e brincadeiras a pureza e a simplicidade.
Ainda hoje trocamos correspondências, e a cada carta que chega, um aperto de saudade de um tempo que marcou profundamente nossas vidas para sempre...
Em julho deste ano de 2012, o nosso destino foi a cidade baiana de Brotas de Macaúbas, mais precisamente a comunidade do Cocal, foram quase 3 dias de ônibus, mais ou menos 3260 Km para ir e 3260 para voltar.
A comunidade do Cocal ou Pró-Paróquia do Cocal é bastante distante do centro, um povo alegre e acolhedor nos recepcionou na entrada, fogos, cânticos e saudações alegres. O Bispo da Barra Dom Frei Luis Capio, veio ao nosso encontro e a cada um dos missionários, saudou com palavras de gratidão e estímulo; um pastor cheio de bondade.
Os grupos foram definidos, logo após o almoço, servido com muito carinho e generosidade. Todas as equipes receberam de Dom Capio, o envio e a provisão temporária para o tempo de missão.
Nosso grupo foi designado para a comunidade de Santo André, distante 45 minutos do Cocal. Éramos 3 de nossa Arquidiocese e 3 da Diocese da Barra, e mais o Pe. Yuri, também da Diocese da Barra.
Fomos acolhidos com tanto carinho, que parecíamos velhos conhecidos que se reencontravam. O baiano é por natureza um povo que acolhe com alegria.
A cada dia visitávamos as casas e a cada visita os moradores nos acompanhavam, ao final éramos um grupo enorme, e todos se alegravam com as visitas e as bênçãos das casas.
Era um peregrinar, por vezes cansativo, pelo calor de quase 40 ºC, um sol  escaldante e as distâncias bastante longas. Porém o nosso conforto era a alegria dos moradores em receber os missionários e o número cada dia maior de pessoas nas celebrações Eucarísticas a noite.
O dia da missão iniciava com a reza do Santo Terço às 5:00 da manhã, em todas as comunidades, a religiosidade popular é um diferencial do povo do sertão. A beleza das cantigas e o simbolismo dos gestos enriquecem a nossa vida de fé. Somos eternos aprendizes!
Um povo que pede a benção e abençoa, é um povo abençoado. Quantas bênçãos recebemos daqueles idosos de rostos queimados e mãos calejadas pelo trabalho. Quantas histórias, quantos causos e quantas lendas.
O ofício de Nossa Senhora, o Santo terço, são devoções caríssimas para o sertanejo, o Santo Reis, a Bandeira do Divino e o Estandarte de São Sebastião percorrem as comunidades e cada um com uma característica própria.
Um povo simples e generoso, que tudo o que tinha de melhor é destinado para as missões. Encontramos jovens alegres e entusiasmados, seus olhos brilhavam com as propostas e os desafios que o evangelho nos impõe.
E o que dizer das crianças! Eram sempre momentos de alegria, todas as tardes às 15:00, as crianças sempre bem arrumadas, aguardavam a nossa chegada na igreja, para as orações, cantos, brincadeiras, leituras, pinturas e desenhos e no final doces, e uma pequena lembrança daquele momento.
A despedida é o pior momento, impossível é não chorar, impossível é não se comover com as expressões de carinho de todos. São bilhetes, desenhos, uma bala, um abraço muito apertado e um soluço quase abafado...
A missão é um eterno aprendizado! Trazemos muito mais do que levamos, deixamos um pedaço de nossos corações, e trazemos um pedacinho de cada um para preencher o nosso espaço.
Concretamente falando; Deixamos um grupo do terço dos homens com 52 membros. Foram dados os primeiros passos para criação da pastoral do idoso. Foram criados mais dois grupos bíblicos. O grupo de jovens e a pastoral catequética ganharam um novo impulso e a pastoral da criança ganhou mais duas voluntárias.
Quando estávamos entrando em nosso ônibus, uma jovem, chorando, disse: " Nossas vidas nunca mais serão as mesmas..." Eu digo a mesma coisa...

 PAZ E BEM!   

Santa Edwiges


Santa Edwiges
16 de Outubro

"Tanto na vida como na morte devemos adorar humildemente as determinações da divina providência" (Santa Edwiges ao receber a notícia da morte do marido).

Mais uma vez devemos lembrar o quanto o século XIII foi rico em santidade um século de grandes santos, fundadores, doutores reis e rainhas, nobres e pobres destinação. Neste mês escolhemos a duquesa Santa Edwiges.
No alvorecer do ano de 1174 a Alemanha serve de berço a sua ilustre filha, Edwiges. Filha de Bertholdo, duque de Carinthia, Margrave de Meran e Conde de Tirol. Sua mãe era, igualmente, da linhagem nobre e de profundas convicções religiosas.
Com o passar dos anos a pequena Edwiges, destaca-se pela determinação e pela coragem de manifestar sua fé, publicamente numa sociedade marcada pelas futilidades da corte. A sua maior alegria e distração eram as leituras piedosas e os exercícios espirituais.
Quando completou 12 anos, a jovem Edwiges, em obediência aos seus pais, aceitou casar-se com Henrique o vivaz duque da Polônia e Silésia. Edwiges e Henrique, no dia do casamento, prometeram além do que é de costume, também o zelo pela santidade, que o sacramento exige.
Ambos trabalhavam para o bem comum, os pobres encontravam, no Castelo de Edwiges e Henrique, o necessário para saciar a fome e o frio nas noites geladas de inverno.
Fazia-se penitências nos dias santos de guarda, assim como em todo tempo da quaresma. Em tudo este santo casal tinha como objetivo, a maior glória de Deus. Edwiges assim se expressava: "Quanto mais ilustre se for pela origem, tanto mais se deve distinguir pela virtude, e quanto mais alta for a posição social, tanto mais obrigação se tem de edificar ao próximo pelo bom exemplo".
Uma prole abençoada por Deus, sendo 7 (sete) os filhos do nobre e piedoso casal, educados na fé e no santo temor de Deus.
Naquele lar cristão, as virtudes da fé, da esperança e da caridade eram vividas por todos inclusive pelos serviçais do castelo, tratados com dignidade, e amor. Trilhavam todos o caminho da perfeição, exigidas pelo evangelho.
Edwiges visitava os hospitais, era a mãe consoladora daqueles, que, em nada mais encontravam consolo. Fazia curativos, ajudava a lavar os doentes, assistia os moribundos e os vestia. Era também o amparo dos órfãos e da viúvas, em todas as necessidades.
Atendendo ao seu pedido, Henrique I, seu esposo construiu o convento na cidade de Breslau, para as religiosas da Ordem de Cister. Muitas e incontáveis meninas foram educadas neste convento, lá se ensinava, além dos princípios cristãos, as letras,a aritmética e os valores morais.
Dona Ediwiges, a mãe dos pobres e desvalidos, vestia-se com modéstia e simplicidade, seus trajes eram simples e sóbrios.
Uma guerra, veio trazer a dor e o sofrimento ao castelo de Edwiges. Seu esposo foi preso pelos inimigos, ao receber a notícia, Edwiges,, cheia de fé, levantou-se e com coragem seguiu em direção ao campo de batalha, e falou com tanta insistência e convicção que o duque Conrado, libertou o seu amado esposo Henrique, que logo adoeceu e veio a falecer.
...."Nosso consolo deve consistir no cumprimento da vontade de Deus", respondia Edwiges a todos que lhe apresentavam pesares.
Três anos mais tarde um novo golpe de dor para o coração daquela viúva mãe. O filho mais velho, Henrique II, morreu na batalha contra os Tártaros.
Assemelha-se a Virgem e Senhora das Dores, e pelo resto de sua vida encerrou-se no convento de Trebnitz, onde sua filha Gertrudes era abadessa. Lá, no convento, fez-se a última e a mais serviçal de todas, observando com fidelidade absoluta as regras da ordem.
Seus sacrifícios e penitências foram intensificados no convento, por muito tempo permanecia descalça mesmo com o rigor do inverno. Dormia três horas, apenas, durante o dia, era vigilante e zelosa para com os momentos de oração e adoração.
Sua devoção mais querida era o meditar a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Em suas meditações derramava lágrimas de dor pelos pecados do mundo e que feriam o corpo desfigurado de Cristo.
A Ssma. Virgem era sempre a sua terna consoladora mãe, seus olhos brilhavam ao pronunciar o santo nome da doce Virgem Maria.
Ainda em vida, Deus por meio de seus insistentes rogos, concedeu incontáveis milagres. Sempre que traçava sobre os enfermos o sinal da Santa Cruz, um milagre acontecia.
Em vida, Edwiges doou todos os seus bens aos pobres e desvalidos socorreu os órfãos e as viúvas em suas necessidades. Seus filhos, apesar de todos os bens que herdaram eram solícitos e generosos como seus santos pais.
Edwiges, sentindo que os seus dias estavam para terminar, intensifica suas orações e pede o recebimento dos sacramentos a reconciliação e da unção dos enfermos. Todas as palavras são por ela acompanhadas com fervor e emoção. Todos os presentes se comovem com sua aparência luminosa e seu olhar radiante de felicidade.
Era o dia 15 de outubro de 1243, Edwiges estava com 69 anos, seu corpo esta sepultado e é venerado no convento de Trebnitz (Silésia).
O papa Clemento IV, declarou Edwiges Santa, e padroeira da Polônia.
*        Santa Edwiges, foi o socorro dos endividados em vida, hoje no céu seu poder de intercessão, junto a Jesus, é infinitamente maior.

Santa Edwiges, rogai por nós,
Amém!

Paz e Bem!