domingo, 18 de abril de 2010

Virgem Dolorosa


Virgem Dolorosa

A Lança rasga o peito do filho inanimado, e treme ao lhe cravar o coração”. (Pe. José de Anchieta)

Ouve-se o balançar da tabua, que traz a inscrição: “Jesus Nazareno Rei dos Judeus”. O vento sopra insistente e cruelmente dilacera as chagas abertas do Senhor Jesus.
Os olhos do Senhor, cheios de compaixão, e mareados pelo sangue que escorria dos espinhos, contemplam a presença frágil e corajosa de Maria, sua mãe. Os olhos de Maria, lavados pelas lagrimas de dor, não conseguem esconder a ternura e o pranto.
Uma espada de dor transpassará sua alma”. Maria relembra a profecia de Simeão no templo e refaz o seu caminho no tempo. Caminho de dores e de alegrias, momentos de duvidas e incertezas... “Tudo ela guardava no Imaculado e doloroso coração”.
Jesus contempla o choro de dor de sua mãe, porém é naquele momento que ela gera a humanidade em seu ventre. Jesus olha a humanidade representada em João, e vendo-a desprotegida diz a sua mãe: “Mulher, eis ai teu filho” – cuida dele.
No dia da anunciação, vemos Maria coroada com uma coroa de rosas brancas; vêmo-la como a virgem puríssima e imaculada que, cheia de jubilo e gratidão entoa o seu sublime cântico, O Magnificat.
Sobre o calvário, porem, vemo-la coroada de rosas vermelhas – como Rainha dos Mártires e mãe dos sacerdotes, “Que acaba de oferecer o sacrifício e de cujas mãos goteja o sangue divino de seu próprio filho”.
São Bernardo nos exorta dizendo que: “O Martírio da Virgem Maria, comemora-se tanto na profecia de Simeão, como no próprio fato da paixão de Nosso Senhor.”
Podemos adaptar à Virgem das Dores as exclamações do profeta Jeremias “A quem te compararei, ou a quem te assemelharei, ó filha de Jesuralem? A quem te igualarei e como te consolarei, ó Virgem, filha de Sião? É grande como o mar a tua tribulação!” (Lam 2,13).
Aos pés da Cruz do Senhor encontramos, além de sua mãe e de João (Maria de Cleófas (concunhada de Maria e Mãe de Tiago, Judas Tadeu, José entre outros), Maria Salomé (filha de Maria de Cleófas e mãe de João e Tiago – Filhos de Zebedeu) e Maria Madalena. Alguns soldados e aguardava a hora derradeira...
Eis ai tua mãe!”, Jesus deixa a João o acolhimento de Maria em sua casa e em sua vida. Concluímos que se Jesus tivesse outros irmãos, tal recomendação seria desnecessária.
Tudo esta consumado! Em tuas mãos entrego meu espírito! Rasga-se o véu do firmamento; o corpo de Jesus já não tem mais vida.
Um soluço abafado de dor é ouvido por toda extensão do universo, é a mãe que tem o coração dilacerado pela espada da paixão.
Silenciosa Maria assiste ao nascimento da igreja como fonte sacramental, do rasgar do lado esquerdo do peito de onde jorrou sangue e água – “Foi uma explosão de amor”.
Paciente, recebe em seus braços, o corpo gelado e coberto de chagas, nenhuma gota de sangue...
Maria, abrindo o tesouro de seu coração, relembra o momento do nascimento do seu menino em Belém. “Sangue do meu sangue, e carne da minha carne.” Do coxo de madeira ao madeiro da cruz, assistimos a mais bela história de amor de todos os tempos.
A Virgem Dolorosa toma em suas mãos, as mãos que tantos milagres realizaram, e que agora sem vida trás para junto de seu peito dilacerado de dor.
O Senhor sempre tem um olhar compassivo e generoso para com todas as mães. As lagrimas e as dores de uma mãe não ficam no esquecimento de Deus. Em cada mãe que sofre o Senhor contempla o olhar de Maria aos pés da cruz.
Amem!
Paz e Bem!

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