domingo, 22 de fevereiro de 2009

São João de Deus


São João de Deus

8 de Março

Protetor dos hospitais, dos doentes e enfermeiros.

“Em verdade vos digo, todas as vezes que fizestes a um destes maus irmãos menores, a mim o fizestes” (Mt 25, 40).


A história

No dia 8 de março de 1495, na pequena cidade de Montemor-o-Novo, em Portugal, nascia João Cidade, filho de pais piedosos e tementes a Deus.
O pequeno João viveu na simplicidade e cercado de amor, porém, seu espírito de aventura fez o nosso santo fugir de casa, com apenas 8 anos de idade, para a Espanha, de modo misterioso.
Na Espanha, João foi morar e trabalhar na casa de Francisco Maioral, feitor de uma grande fazenda da região de Oropesa, na Estremadura. Na adolescência e juventude, João trabalhou no campo, sempre convivendo com pessoas simples e piedosas; e no contato com a natureza, aprendeu a amar a obra da criação e a respeitá-la. João era estimado por todos, tanto pelos familiares adotivos como por todos os seus vizinhos e amigos. Com sua simplicidade e naturalidade conquistava a todos.
Francisco Maioral pensava em poder esposá-la com sua filha, porém João Cidade, sentindo que aquela não era sua vocação, decidiu afastar-se alistando-se na Milícia de Carlos V, que então se preparava para fazer guerra a Francisco I, Rei da França.
Como Santo Inácio de Loyola, bem depressa se apercebeu de que a vida de soldado não era aquela que o Senhor lhe destinava.
As distrações da vida de soldado o impediram de fazer seus exercícios espirituais e suas orações cotidianas, porém, Nossa Senhora o vigiava e esperava o momento de chamá-lo de novo ao caminho certo.
Faltando alimentos no campo de guerra, o soldado João Cidade foi encarregado de encontrá-los para suprir a fome dos soldados.
Partiu durante a noite, sozinho, porém, seu cavalo saiu em disparada, e como não conseguisse domá-lo, foi jogado num precipício, ficando por muito tempo sem sentidos.
Quando acordou, recomendou-se à Virgem Maria pois nutria em seu coração o desejo de abandonar os campos de batalha.
Por este tempo, o Papa andava encorajando a Cruzada contra os Turcos, João Cidade alistou-se no exército dos cruzados sob a insígnia do Duque de Alba. Terminadas as lutas e sentindo um vazio imenso, decide voltar para Portugal e para sua cidade natal, porém a tristeza e o vazio aumentaram quando soube, através de um tio, que seus pais não existiam mais.
Com o coração despedaçado, João se sente como ave inquieta que voa de galho em galho, sem que algum lhe pareça suficientemente seguro para construir seu ninho.
Sem saber o que fazer, João retorna a Espanha, vai a Aymonte e segue para Sevilha, afim de trabalhar como pastor dos rebanhos de D. Leonor Lunhiga. Vive cada vez mais inquieto e insatisfeito e sai a procura de outro lugar onde sinta-se bem.
Para onde ir? Tantos vão para África? Por que não ir também?Talvez lá encontre a paz tão desejada. E parte. Vai até Gibraltar e atravessa a Ceuta.
Na viagem, encontra-se com um fidalgo português que, com sua família, ia para lá desterrado. João o consola e põe-se a seu serviço. É mais uma tentativa e um meio de se manter. Porém, os recursos que o fidalgo possuía esgotaram-se. João Cidade passa a trabalhar na construção das muralhas em volta de Ceuta e com seu salário ajuda no sustento da família do fidalgo português, que estava na miséria.
Ceuta foi para João Cidade e para seu coração inquieto, mais uma decepção. Decide então voltar para Gibraltar em 1538, e, para ganhar o pão de cada dia, opta por vender livros de vários gêneros, principalmente evangelhos e catecismos: era vendedor ambulante.
A convivência com os livros, mesmo só para comércio, deixa sempre seus frutos. Com o conhecimento adquirido pelos livros, João Cidade pôde explicá-los melhor ao povo. De cidade em cidade, João vai vendendo seus livros, até chegar em Granada, na Espanha, e na Rua Elvira, João monta sua tenda de livreiro.
A graça divina espreitava a ocasião para operar em João de Deus esta profundo transformação.
Na festa de São Sebastião, veio a Granada um grande pregador e mestre, João d’Ávila, e grande multidão acorria para ouví-lo.
João Cidade ouvia atento as palavras do orador e a graça de Deus foi agindo, preenchendo e transformando aquele coração inquieto. Embargado pela comoção, João Cidade saiu da Igreja gritando em alta voz: “Misericórdia Senhor, misericórdia!” e rolando por terra confessava em público suas culpas passadas.
Levaram-no primeiro ao Padre João d’Ávila, que compreendeu o trabalho da graça e o exortou a confiar em Deus e a imitar Jesus crucificado.
João Cidade foi considerado um louco e foi internado no Hospital Psiquiátrico Real. Porém, logo perceberam que João não apresentava nenhum grau de loucura, o que serviu para João conhecer as condições subumanas em que viviam os internos.
Aos pés da Virgem, João decide fundar um Hospital para acolher os velhos abandonados, os doentes mentais, enfim, todos os excluídos e marginalizados.
Serviria a Jesus nos pobres!
Um dia, diante do crucificado, ouviu as seguintes palavras do Senhor: “João, é por meio dos espinhos, trabalhos e sofrimentos que deves ganhar a coroa que meu Pai te preparou. Cuida dos meus irmãos que sofrem!”.
Aos 42 anos, sem trabalho, sem dinheiro, sem profissão, João arrenda, contando somente, com a graça de Deus, um espaço que servirá de Hospital.
João de Deus, como passou a ser conhecido, atrai seguidores, conquista corações e benfeitores para sua obra.
Era costume de nosso Santo, lavar os pés de todos os doentes que entravam no Hospital; Certo dia, quando lavava os pés de um peregrino, viu as chagas de Jesus impressas, e, ao levantar os olhos para o peregrino, percebeu que era o próprio Cristo, seu rosto resplandecia em glória, e lhe disse: “João de Deus, tudo o que fazes aos doentes é a mim que o fazes!”.
João de Deus, sente o peso do trabalho incansável: noites em dormir, jejuns constantes e principalmente um doar-se sem medida, consumiram as forças de nosso Santo. E no dia 8 de março de 1550, após meditar a paixão do Senhor, João de Deus Lhe entrega sua alma, carregada de boas obras. Contava com 55 anos de idade.
Por certo, quando a Igreja honra seus filhos, que de várias formas testemunharam o amor de Cristo e o evangelho, ela o faz, tendo em vista o exemplo que deles podemos tirar.
Os Santos são setas que nos apontam para o Cristo, e graças às obras destes homens e destas mulheres de fé, o mundo não está pior, sempre podemos descobrir um fio de esperança.
Hoje, os irmão hospitaleiros de São João de Deus, estão espalhados pelo mundo inteiro, atendendo Jesus nos leitos dos irmãos enfermos.
Que São João de Deus nos ensine, com sua vida, a esperar no Senhor por encontrar a nossa vocação e a nossa missão.
Amém.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Tempo da Quaresma


Como viver bem o tempo da Quaresma.


“Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4-4)”.

Jesus, ao dizer estas palavras ao demônio, na deserto, fez referência ao que o Senhor Deus falou a Moisés no livro do Deuteronômio 8-3, e significa que o homem não é somente matéria, é também espírito; e o espírito do homem tem fome de ideal religioso e ensinamento divino.

Conforme nos exorta o nosso Papa Bento XVI, “A Quaresma recorda-nos de que a existência cristã é um combate incessante, no qual devem ser utilizadas as armas da oração, do jejum e da penitência”.

A Quaresma é, por excelência, o tempo litúrgico da conversão, um tempo em que somos convidados a meditar a palavra de Deus, através de três linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade, como conseqüência da penitência.

O cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, paz e amor, e lembrar que: A paz é fruto da justiça” (Is. 32, 17).

A duração da Quaresma (40 dias), além de lembrar os 40 dias que Jesus passou no deserto da Judéia, lebramos os 40 dias do dilúvio, dos 40 anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto e dos 40 dias de Elias e Moisés na montanha; na Bíblia, o simbolismo do número 40 significa: “provação”.

Devemos fazer de nossa Quaresma um retiro espiritual, fazer a experiência do deserto em meio ao corre-corre diário. Silenciar interiormente, quando o mundo nos impõe todo o tipo de poluição sonora, jejuar de nossos apetites desordenados e fazer penitência de nosso comodismo, destruir todo o egoísmo para ser “dom” para todos.

O tempo da Quaresma compreende a Quarta-Feira de Cinzas até a Quinta-Feira Santa como a Missa dos Santos Óleos; o Senhor nos concede um tempo, um tempo único e precioso e como nos escreveu São Josémaria Escrivá: “Não podemos considerar esta Quaresma como uma época a mais, repetição cíclica do tempo litúrgico; este momento é único; é uma ajuda divina que é necessário aproveitar. Jesus passa ao nosso lado e espera de nós, hoje, agora, uma grande mudança”.

A Igreja inicia a Quaresma com a imposição das cinzas, este sacramental lembra-nos de que estamos de passagem por aqui; e que um dia a vida termina neste mundo. Deus disse a Adão: “És pó, e ao pó voltarás” (Gênesis, 2-19).

Ao terminar a Quaresma celebraremos o tríduo pascal, a alegria da Ressurreição de Cristo e a nossa também!

Paz e Bem!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Mãe e Senhora do Perpétuo Socorro




Mãe e Senhora do Perpétuo Socorro

27 de Julho

Em milhares de igrejas do mundo inteiro, nas quartas-feiras, tradicionalmente se realiza a novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Na realidade, a maioria dos fiéis devotos da Virgem do Perpétuo Socorro desconhecem sua origem e simbologia, tão rica em detalhes doutrinários.

A História:

Conta-se que um rico comerciante, da região da ilha de Creta, roubou um milagroso quadro da Virgem Maria, que era venerado pela população daquela região. Seu interesse era unicamente comercial.
Atravessando o Mediterrâneo, o navio, que transportava a preciosa carga, foi atingido por uma terrível tempestade, que ameaçava submergí-lo. A tripulação, mesmo desconhecendo a presença da imagem, implora a proteção da Virgem Maria e logo a tormenta amainou, permitindo que a embarcação ancorasse a salvo num porto italiano.
Com a morte do comerciante, a Virgem Maria apareceu a uma menina, filha da mulher que guardava a imagem em sua casa, pedindo que a mesma fosse colocada numa igreja e invocada pelo título de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro; e assim, no ano de 1499, o milagroso quadro foi entronizado solenemente na capela de São Mateus, em Roma.
Durante 300 anos, o quadro permaneceu naquela cidade e ali, recebeu milhares de peregrinos que prestavam as mais significativas manifestações de fé e devoção, até que o templo foi criminosamente destruído, e os religiosos, que guardavam a preciosa relíquia se dispersaram.
Em meados do século XIX, o Papa Pio IX chamou a Roma os padres redentoristas que se estabeleceram no antigo Convento dos Agostinianos, antiga capela de São Mateus.
Um dos padres redentoristas encontrou documentos relativos à imagem da Virgem Maria, famosa pelos grandes milagres que realizava. Após muita procura, o quadro foi encontrado por uma revelação especial de Nossa Senhora.
No ano de 1866, a milagrosa imagem foi conduzida triunfantemente ao seu atual santuário, por ordem do Santo Padre Pio IX, que recomendou aos filhos da Santo Afonso (os redentoristas): “Fazei que todo o mundo conheça o Perpétuo Socorro”. De seu trono no monte esquilino a devoção se irradiou por todo o planeta. No Brasil, esta devoção chegou em 1893.
Durante muitos séculos, a ilha de Creta esteve dominada pelos mulçumanos, que foram os maiores responsáveis pela destruição de documentos cristãos, fato este, que impediu que se descobrissem maiores detalhes sobre o quadro.
O quadro é uma pintura sobre madeira, em estilo bizantino, onde se enlaçam a arte e a piedade, a elegância e a simplicidade, dizem, também, os entendidos, que o quadro deva ser uma das diversas cópias do retrato da Virgem feitas para São Lucas.


A Simbologia

O olhar de Maria é algo transcendental e ao mesmo tempo muito humano, um misto de doçura de Mãe e uma delicada censura, como a dizer: “Não agridam meu Filho, não magoem meu coração...”. O pequeno Jesus está refugiado nos braços da Mãe: a mão esquerda o sustenta e a mão direita segura as mãozinhas trêmulas do filhinho assustado.
O menino, sentindo-se seguro nos braços da mãe, olha espantado para os instrumentos da paixão que os dois anjos laterais lhe apresentam: à esquerda, o arcanjo São Miguel apresenta à Jesus a lança, a vara, com a esponja e o cálice da amargura. À direita, o arcanjo São Gabriel apresenta à Jesus a cruz e os cravos.
A boca de Maria é pequenina, fechada, lembrando-nos do silêncio da fé, que ela guardou na situação delicada da encarnação e gravidez.
Os olhos de Maria são grandes, abertos, voltados a nós, com uma delicada admoestação de não pecarmos; a confiança que ela inspira, dizendo-nos estar presente em nossas perpétuas necessidades.
As mãos de Jesus, apoiadas nas mãos da Mãe, não estariam a nos dizer que Ele gosta de colocar nas mãos da Mãe, todas as graças, proclamando-a Nossa Medianeira? E o acolhimento seguro que Ela dá ao Filho, recebendo-o no colo, não estará nos dizendo que suas mãos estão sempre prontas a nos acolher? Já reparou no detalhe da pequena sandália desprendendo-se de um dos pezinhos do Filho? A sandália não será o pecador ainda preso a Jesus pelo fio da sandália, fio esse que significaria a devoção de Maria?

(clique na imagem para sua extensão)


1 – A abreviatura da palavra grega MHTHR, que significa “mãe”.
2 – A abreviatura da palavra grega QEOU , que significa “de Deus”.
3 - A abreviatura da palavra grega ARKAGGELOS MIKAHA, que significa “Arcanjo Miguel”, apresentando-lhe a lança, a vara com a esponja e o cálice.
4 – A abreviatura da palavra grega ARKAGGELOS GABRIHL , que significa “Arcanjo Gabriel” que apresenta Jesus à cruz e aos cravos.
5 – A abreviatura da palavra grega IHS CRISTOS, que significa: “Jesus Cristo”.
6 – A estrela no véu de Maria é a estrela que nos guia no mar da vida até o porto seguro.
7 – A boca de Maria é pequena para guardar silêncio. Ela fala pouco.
8 – Os olhos de Maria são grandes e voltados sempre para nós, para nos ajudar em todas as necessidades.
9 – A túnica vermelha, distintivo das Virgens no tempo de Maria.
10 – A túnica azul, distintivo das Mãe daquela época.
11- As mãos de Jesus estão apoiadas na de Maria, significando que por Ela nos vêm todas as graças.
12 – A sandália desatada: símbolo de um pecador preso ainda a Jesus por um fio último: a devoção à Nossa Senhora.
13 – A mão esquerda de Maria segura o Filho no colo. As mãos de Mãe sempre acolhem o Filho.

Oremos:

Quantas vezes, ó Mãe do Perpétuo Socorro, meu coração fica triste, atribulado, cheio de dúvidas e angustiado. Isso acontece porque não me recolho no silêncio da oração e nem procuro ver o que Deus quer de mim. Não sei escutar a Deus; Maria, peço-vos a graça de acreditar que Deus me ama sempre. Amém. Paz e Bem.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Santa Josefina Bakhita


Santa Josefina Bakhita
A Afortunada de Deus

08 de fevereiro

“...ainda embrião, teus olhos me viram e tudo estava escrito no teu livro, meus dias estavam marcados antes que chegasse o primeiro...” (Salmo 138,16).


É impossível não se encantar com a trajetória de vida de Santa Bakhita. Tudo em sua vida é manifestação divina, é o próprio Deus diriindo seus passos até mesmo nos cruéis anos de escravidão.
Bakhita, um pouco anjo, um pouco criança, grande mulher, que foi elevada à honra dos altares pelo caminho da obediência e da simplicidade.

A Escravidão

Bakhita nasceu no Sudão, região de Dafur na África, no ano de 1869 e através de suas poucas informações sabemos que sua aldeia natal é Olgossa, cuja pronúncia é “algoz”, que em árabe significa “Dunas de Areia”.
De família abastada, seu pai possuía terras, plantações e gado; ele era irmão do chefe da aldeia. Sua família era composta pelos pais e sete filhos, sendo muito unidos e afeiçoados.
Não devemos nos esquecer de que, apesar de possuírem terras, gado, etc., viviam num aldeia onde as cabanas eram de barro com telhado de palha. Todos nas aldeias estavam sujeitos ao grande perigo que eram os bandos negreiros que raptavam homens, mulheres e crianças para negociar no mercado de escravos.
No ano de 1874, sua irmã mais velha foi raptada. A dor dilacerou o coração daquela família tão unida e feliz.
Bakhita” não foi o nome que recebera dos pais quando nasceu. No ano de 1876, com mais ou menos 7 anos de idade, foi raptada e arrancada do seio de sua família. A pequena menina tomada de pavor, foi levada brutalmente por dois árabes e foram eles que impuseram o nome de “Bakhita”, que significa: “afortunada”.
A pequena escrava, depois de um mês de prisão, foi vendida a um mercador de escravos. Na ânsia de voltar para casa, Bakhita se arma de coragem e tenta fugir. Porém, foi capturada por um pastor e revendida a outro árabe, homem feroz e cruel, que, por sua vez, revendeu-a a outro mercador de escravos.
Novamente ela é vendida a um general turco, cuja esposa era mulher terrivelmente má. Desejou marcar suas escravas e Bakhita estava entre elas. Chamou então uma tatuadoura que, com uma navalha, ia marcando os corpos das meninas que se contorciam de dores, mergulhadas numa poça de sangue. Bakhita recebeu no peito, no ventre e nos braços 114 cortes de navalha que eram esfregados com sal para que as marcas ficassem bem abertas. A jovens escravas foram jogadas sem tratamento e nenhum cuidado, durante um mês.
No ano de 1882, o general turco vendeu Bakhita ao agente consular Calisto Legnani que seria, para ela, seu anjo bom. Na casa do cônsul, Bakhita conheceu a serenidade, o afeto e os momentos de alegria, lembranças dos momentos felizes na casa dos pais.
Em 1885 o sr. Calisto é obrigado a retornar à Itália; Bakhita pede para acompanhá-lo e obtêm consentimento. E assim partiram em companhia de um amigo, o sr. Augusto Michieli, a quem o cônsul presentearia em Gênova com a jovem africana.
Chegando à Itália com seu 7º “patrão”, o rico comerciante Michieli, foi para vila Zianino de Mirano Veneto onde Bakhita se tornou babá de Mimina, a filhinha do casal. Apesar de serem pessoas boas e honestas, não eram praticantes de religião. Como sempre, Deus tem seus caminhos e acabou colocando no caminho de Bakhita, o administrador dos Michieli, Iluminato Chechini.
Iluminato era um homem muito religioso e logo se preocupou com a formação religiosa de Bakhita; e ao dar um crucifixo a ela, disse em seu coração: “Jesus, eu a confio a Ti”.
Quando os Michieli tiveram de voltar para Suakin, na África, por motivos de negócios, Bakhita e a pequena Mimina ficaram aos cuidados das Irmãs Canossianas, em Veneza, e isto graças ao sr. Iluminato.
Bakhita iniciou o catecumenato (catequese para receber os sacramentos iniciais), no Instituto das Irmãs. Ao final de nove meses, a sra. Maria Turina voltou à Itália para buscar sua filhinha Mimina e aquela que considerava sua escrava, pois retornariam à África.
Naquele instante, Bakhira já toda apaixonada por Jesus, prestes a receber os sacramentos, recusa-se a voltar para a África, apesar do afeto que nutria pela família Michieli e principalmente pela pequena. Sentia em seu coração um desejo inexplicável de abraçar a fé e vivê-la para sempre.
Apesar dos apelos e até ameaças da sra. Michieli, nossa jovem africana não cedeu em sua minima resolução. Bakhita estava livre, na Itália não havia escravidão. Sua patroa retornou à África com sua filha e Bakhita prosseguiu com sua catequese, feliz mesmo sabendo que seria a última chance de rever seus familiares na África.
No dia 09 de janeiro de 1890, Bakhita é batizada, crismada e recebe a 1° comunhão das mãos do Patriarca de Veneza, Cardeal Agostini. No batismo recebe o nome de Josefina Margarida Bakhita. Ela descreveria este dia como mais feliz de sua vida: sentir-se filha de Deus era-lhe uma emoção inigualável, assim como receber Jesus na eucaristia era o Céu na Terra.
Bakhita nutria em seu coração o sublime desejo de se tornar religiosa, uma Irmã Canossiana. Josefina Bakhita foi aceita na congregação das Filhas da Caridade Canossianas, servas dos pobres e, depois de três anos de noviciado, no dia 08 de dezembro de 1896 pronunciou os votos de: Castidade Pobreza e Obediência.
Depois da profissão religiosa, nossa Irmã Bakhita foi transferida para a cidade de Schio, em outra obra da Congregação, e lá permaneceu por 45 anos, onde passou a ser conhecida como a “Madre Morena”.
Irmã Bakhita era atenciosa com todos, sem distinção, desde as crianças do colégio, seus pais, sacerdotes, com suas irmãs religiosas, etc., sempre levando a todos palavras de conforto, consolo e amor incondicional a Deus Pai.
Em todas as funções que exerceu, sempre colocou seu coração doce e sincero na Igreja, na Sacristia, na portaria ou na cozinha, era tudo para todos, com seu sorriso de anjo.
Irmã Bakhita, em sua infância na África, mesmo sem saber nada de Deus, pensava em seu coração inocente e puro, quando olhava a lua e as estrelas: “Quem será o patrão de todas estas coisas?”. Oh! Bakhita, Deus já estava te preparando para Ele!
Bakhita sonhava com a conversão do povo africano e, no dia de sua profissão religiosa, rezou: “Ó Senhor, se eu pudesse voar lá longe, entre a minha gente e proclamar a todos, em voz alta, a tua bondade. Oh! Quantas almas eu poderia conquistar para Ti! Entre os primeiros, a minha mãe e o meu pai, os meus irmãos, a minha irmã ainda escrava... e todos, todos os pobres negros da África. Faça, ó Jesus, que também eles te conheçam e te amem!”.
No ano de 1947 Bakhita adoeceu, já quase sem forças, em cadeira de rodas, passava horas em oração, em adoração e contemplação. Era o dia 08 de fevereiro de 1947, nossa Irmã Morena murmurava: “Como estou contente! Nossa Senhora! Nossa Senhora!”.
Depois de algum tempo, em seus últimos momentos, disse: “Vou-me devagarinho para a eternidade... Vou com duas malas: uma contém os meus pecados; a outra, bem mais pesada, contém os méritos infinitos de Jesus Cristo. Quando eu comparecer diante do Tribunal de Deus, cobrirei a minha mala feia com os méritos de Nossa Senhora. Depois abrirei a outra e apresentarei os méritos de Jesus Cristo. Direi ao Pai: ‘Agora julgai o que vedes’. Estou segura de que não serei rejeitada! Então me voltarei para São Pedro e lhe direi: ‘Pode fechar a porta porque eu fico!”
Às 20 horas, irmã Bakhita entrega sua alma a Deus. O povo em grande multidão quer dar o último adeus à Madre Morena, sua fama de santidade se espalhou rapidamente e todos recorriam ao seu túmulo pedindo sua intercessão.
Em 17 de maio de 1992 foi beatificada e, em 1º de outubro de 2000, foi elevada à honra dos altares, declarada “Santa” pelo nosso Santo Padre, o Papa João II, sendo que o milagre que a levou a ser reconhecida como Santa, aconteceu em Santos, no Brasil.
Santa Bakhita deve sempre inspirar sentimentos de confiança na Providência, doçura para com todos e alegria em servir.

Paz e Bem!
Amém

Nossa Senhora de Lourdes

Nossa Senhora de Lourdes

11 de fevereiro de 1858


“Aurora luminosa da nossa salvação, de vós, Virgem Maria, nasceu o sol da justiça, que nos veio visitar lá do alto, como luz que ilumina todo homem”.

São Luís G. Maria de Monfort, por inspiração divina, escreveu: “Maria é tão caridosa que a ninguém repele, que implore sua intercessão, ainda que seja um pecador; pois como dizem os santos, nunca se ouviu dizer, desde que o mundo é mundo, que alguém que tenha recorrido à Santíssima Virgem, com confiança e perseverança, tenha sido desamparado ou repelido”.
Que palavras tão sábias e que soam suavemente em nossos ouvidos como um cantar angelical. É como bálsamo derramado em nossos corações feridos.

Lourdes

Lourdes é um pequena cidade localizada ao sul da França, encantadora por suas belezas naturais e inesquecível por suas manifestações sobrenaturais.
Um dos maiores santuários marianos do mundo encontra-se em Lourdes. Lá, os corações batem mais fortemente, as línguas emudecem diante de um espetáculo de fé e devoção. Em Lourdes, todos os peregrinos falam e entendem o mesmo dialeto: o dialeto terno e melodioso dos cantos e das orações.
Presencia-se um espetáculo de solidariedade incomparável. Jovens voluntários de toda a Europa trabalham em Lourdes atendendo aos doentes que chegam a todo instante. Os doentes e enfermos são transportados em macas e cadeiras-de-roda até os locais das celebrações e também para os banhos nas piscinas de águas milagrosas.
Lourdes é um daqueles lugares impossível de descrever, pois cada peregrino, cada visitante tem uma experiência diferente com Deus.
As aparições a Bernadete

Bernadete Soubirous, jovem camponesa, pobre, analfabeta e muito doente, era de uma simplicidade sem igual, de uma pureza transparente e de um coração extremamente generoso, virtudes essas que em tudo expressam a preferência de Deus.
Era o dia 11 de fevereiro de 1858, no rigor do inverno dos Altos Pirineus, aldeia de Lourdes, quando Bernadete, sua irmã e uma amiga, saíram por buscar lenha para aquecer o pequeno casebre onde moravam e também para cozinhar a pobre refeição noturna de que dispunham.
Ao passar diante da Gruta de Massabiele, ouviu um barulho como se fosse a rajada de um vento forte. Olhando para cima, viu uma senhora de grande beleza, envolta por um deslumbrante resplendor. A bela senhora estava de pé, trajando um vestido branco que lhe cobria até aos pés. Tinha na cintura uma faixa azul, seus pés estavam ornados de rosas e segurava um belíssimo rosário por entre as mãos.
A pequena Bernadete caiu de joelhos extasiada, tirou o seu modesto avental o terço e começou a rezá-lo. Quando acabou de rezar a última Ave-Maria, a bela senhora desapareceu. Como detalhe, vale lembrar de que a Virgem acompanhou as orações de Bernadete e na hora de rezar o Glória, Nossa Senhora inclina a cabeça em reverência à Santíssima Trindade.
A bela senhora reaparece no mesmo lugar da Gruta de Massabiele, à margem do rio Gave, dois dias depois e também não fala nada. Na terceira aparição, Bernadete oferece à Virgem um papel e uma pena, dizendo-lhe: “Quer ter a bondade de por seu nome por escrito?”; Nossa Senhora responde: “Não é necessário”, e lhe faz um convite: “Queres ter a gentileza de vir aqui durante 15 dias?”. Depois disse a Bernadete: “Não te prometo fazer feliz neste mundo, mas sim no outro”.
Na aparição do dia 19, os demônios começaram a gemer e uivar de um modo terrível, ao que Maria apenas levantou a cabeça e as vozes cessaram. Na sexta aparição, Nossa Senhora diz: “Rezai a Deus pelos pecadores”. Na sétima e na oitava, repete por três vezes: “Penitência”... Na nona aparição, Bernadete cava a terra com as mãos, bebe aquela água lodosa, come das ervas amargas (obs.: no local onde Bernadete cavou, nasceu a fonte milagrosa das águas de Lourdes). Na décima aparição, Nossa Senhora diz: “Ide beijar a terra em sinal de penitência pelos pecadores”. Nos 11º e 12º dias, a multidão imita Bernadete nos sinais de penitência pelos pecadores. No 13º, diz a Bernadete: “Vai dizer aos sacerdotes que se venha aqui em procissão e que se construa uma capela”. No dia 25 de março de 1858, diz: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Apareceu ainda duas vezes e depois não falou mais nada.
Nossa Senhora falou pouco, porém o essencial: Rezar principalmente o Rosário, fazer penitência pela conversão dos pecadores.
E assim nossa Mãe nos deixa, mais uma vez, a mensagem do amor de Deus e a sua preocupação em nos reconduzir ao coração de seu filho Jesus através da oração e da penitência.
Bendita és Tu, Minha Senhora e Minha Mãe, pois se por Ti nos veio o Salvador do mundo, Jesus, é por Ti que nós também iremos a Ele e com Ele viveremos na Glória de Deus.
Amém!

Paz e Bem!