sábado, 9 de agosto de 2008

Chegou o tempo, Virgem Maria

“Chegou o tempo, Virgem Maria!”

Na humilde casa de Nazaré o jovem casal José e Maria, vive a doce espera do nascimento do Messias, afinal desde o dia da encarnação do verbo, no ventre da Virgem Maria, passaram-se quase nove meses.
No cotidiano, Maria já realizava as tarefas domesticas com dificuldade, buscar água na fonte já é quase impossível, pois os cântaros são grandes e pesados, José é quem vai à fonte.
Em seu quintal alguns animais domésticos partilham da convivência do santo casal, ovelhas, galinhas, pombos, cabritos e alguns passarinhos, além, é claro, do burrinho que serve de condução. Todos são tratados e amados pela jovem Maria, eles em retribuição manifestam seu afeto com suaves melodias.
Nas tardes ensolaradas de Nazaré, sentado à sombra de uma bela figueira, a futura mãe, borda e costura o enxoval do bebe, ao som das ferramentas tão bem manuseadas pelo seu dedicado e trabalhador esposo: o carpinteiro José.
Divagando em seus pensamentos Maria relembra as palavras do Anjo Gabriel, e com viva emoção sente os movimentos da criança procurando uma melhor posição para se acomodar.
Quanto gozo e quanta emoção, um misto de emoção, de ansiedade toma conta de Maria, afinal, ela viveu a comunhão mais perfeita e longa da historia, e como sacrário vivo adorava em seu ventre o seu filho e seu Senhor.
O silencio é interrompido por alguém, um mensageiro, trazendo uma intimação, o jovem casal deveria partir, imediatamente para Belém, para o recenseamento, conforme determinação do imperador, César Augusto.
Jose se angustiava, Maria se preocupa, afinal, são muitos quilômetros de distancia, e naquele estado então! Como fazer?
Tinham que obedecer, e assim o fizeram para que se cumprissem as escrituras.
“E tu, Belém terra de Judá, não és de modo algum a menos entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governara Israel, meu povo”. (Mig. 5,2)
José pegou o burrico, que era bastante manso, e sobre ele colocou cestos, cobertores, mantas para que Maria ficasse mais confortável possível, e levou pães assados na brasa, mel, algumas frutas, água e etc., para a longa e perigosa viagem até Belém.
Confiando na providencia, decidem partir, deixando para trás as duvidas, os medos, e a insegurança, pois o Senhor do céu e da terra colocaria o seu exercito de anjos para guardá-os.
Depois de aproximadamente 15 dias chegaram à Belém. A cidade de Davi estava lotada de peregrinos, descendentes do grande Rei de Israel.
Todas as hospedarias, pensões e albergues, estavam com excesso de hospedes, José e Maria, exaustos, não encontravam quem lhes acolhessem, ou pelo menos Maria, que estava prestes à dar a luz.
Depois de muito andarem, foram encaminhados para as grutas, na saída da aldeia, no inicio do vale. A gruta parecia labirinto, comprido e estreito, o cheiro era quase insuportável, pois servia de abrigo para o gado e estava cheia de excrementos.
Como o cansaço era maior, o jovem casal acomodou-se como pode, para o menos passara a noite. No dia seguinte, logo pela manhã, José sai à procura de um outro lugar, pelo menos mais limpo de descente, onde o Messias pudesse nascer com dignidade.
Ao final do dia, José volta para a gruta cansado e decepcionado por não encontrar um lugar melhor para hospedar sua esposa. Ao chegar encontra aquela gruta completamente transformada, Maria passara o dia limpando e arrumando da melhor maneira aquele lugar, que já estava habitável.
José trouxe roupas e comida, e assim preparam a ceia com pão, azeita e queijo e quando já estavam jantando, chegou, o dono da gruta trazendo consigo uma vaca.
Bastante irritado com os invasores, começou a insultá-los e a expulsá-los, pois a gruta servia para guardar a sua vaca.
José e Maria, sem muita discussão, começaram a arrumar seus pertences e mais uma vez estariam na rua não fosse a teimosa vaquinha.
Por mais que o camponês insistisse e usasse sua força bruta, não conseguia colocar a vaca para dentro da gruta, já desocupada.
O pobre animal agüentava os açoites sem se mover, quanto mais apanhava, mais resistia pra não entrar na gruta.
O camponês, já sem forças de tanto espancar a pobre vaca, desistiu e disse a José e Maria:
“Ai tendes a gruta, e também a vaca sabe Deus porque não entra. Quem sabe ela tem um coração melhor do que o meu que estive a ponto de obrigar uma pobre mulher a dar a luz na rua. Ficai em paz”.
José e Maria retornaram para a gruta com o burrico e a vaca, que entrou atrás do casal feliz por defender o direito do Messias de pelo menos, nascer em uma gruta de Belém.
E lá, naquele lugar pobre, sem beleza e sem riqueza, humilde e gloriosamente vem ao mundo o Salvador da Humanidade.
Jesus deixa o céu para encarnar no ventre imaculado de Maria, e ao nascer é colocado sobre a manjedoura, lugar onde se colocava o alimento para o gado, ele se tornaria o pão vivo descido do céu.
Belém quer dizer: “Casa do Pão”, foi lá que o pão da vida foi dado por Deus, para justificar o gênero humano, somente por amor, um Amor de Pai.
Quantas vezes nossos corações se parecem com aquela gruta, escuros, estreitos e apertados, talvez não muito limpos e muitas vezes indignos de receber Jesus.
Peçamos à Virgem Maria, que faça em nossos corações o que fez naquela gruta, que ela prepare o nosso coração para receber bem a Jesus, não somente no Natal mas a cada Celebração Eucarística.

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