sábado, 9 de agosto de 2008

Beatos – Luiz Beltrami Quattrocchi e Maria Corsini Beltrami Quattrocchi


Beatos – Luiz Beltrami Quattrocchi e Maria Corsini Beltrami Quattrocchi

“A Santidade do Matrimonio”


“Vós gerais os vossos filhos para a pátria terrena, não esqueçais que, ao mesmo tempo, os gerais para Deus”. (João Paulo II)

“Maridos, amem suas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. Os maridos devem amar suas mulheres como seus próprios corpos. Quem ama sua mulher esta amando a si mesmo. Por isso, o homem deixara seu pai e sua mãe e se unira a sua mulher, e os dois serão uma só carne, portanto cada um de vocês ame sua mulher como a si mesmo, e sua mulher respeite o seu marido”. (Ef 5, 25-28,31-33)
O ideal de santidade é para todos, sem distinção, somos todos chamados a ser santos em todo o estado de vida, em todas as profissões, em todas as idades e, enfim, cada qual como o Senhor predestinou.
Vejamos o exemplo de nossos beatos Luis e Maria, o primeiro casal beatificado pelo Papa João Paulo II, em 21 de outubro de 2001.
A vida desse casal é um sinal vivo do que afirma o concilio do Vaticano II sobre a vocação de todos os fieis leigos à santidade, especificando que os cônjugues devem procurar esse objetivo seguindo seu próprio caminho.

Quem foram?

Luís nasceu na Catânia, Itália, no dia 12 de janeiro de 1880, ela em Florença, no dia 24 de junho de 1884. Luís estudou Direito e teve uma brilhante carreira como advogado, chegou a ser vice-advogado-geral do governo italiano, além de se destacar como consultor de grandes empresas e bancos. Maria formou-se em contabilidade e, depois, tornou-se professora. Muito religiosa desde menina, recebeu boa formação humanista, o que a tornou uma escritora famosa e notável personalidade na Itália. Escreveu 12 obras sobre família, formação dos filhos e espiritualidade.

O encontro

Durante os estudos universitários em Roma, conheceram-se e apaixonaram-se a primeira vista. Casaram-se em 1905 e viveram juntos por 50 anos na primeira metade do século XX, no qual a fé em Cristo foi posta à dura prova, por causa das duas Grandes Guerras. Maria e Luis amavam-se de verdade, mas reconheciam que seu amor era fruto de um amor maior: o amor de Deus! Por isso, em sua vida, sempre à luz do Evangelho, alimentaram com grande intensidade humana o amor matrimonial e dedicaram-se à vida familiar e comunitária.
Maria Corsini, nascida de família nobre de Florença, também era apaixonada pela musica. Trabalhou com voluntária da Cruz Vermelha durante a Guerra da Etiópia e na Segunda Guerra Mundial. Foi Catequista, era também comprometida com varias associações de caridade, como a Ação Católica Feminina. No lar dos Quattrocchi, não eram raras às vezes em que seus filhos os viram acolhendo em casa refugiados da guerra e organizando grupos de “Scouts” com jovens dos bairros pobres de Roma durante o pós-guerra.
Luis e Maria tiveram quatro filhos: o primeiro tornou-se sacerdote (Filipe, padre Tarcisio), a segunda entrou num mosteiro Beneditino (Stefania, como religiosa-irmã Maria Cecília) falecida em 1993. O terceiro fez-se monge trapista (César, hoje Pe. Paolino), e a quarta filha (Enriqueta) nasceu em 1914.
Enriqueta nasceu com fruto de uma decisão heróica do casal. Maria, quando ficou grávida, teve muitas complicações de saúde, o que levou o medico a sugerir um aborto para preservar a vida da mãe. O casal optou por levar a gravidez em frente, contrariando a proposta do ginecologista. Maria sabia de todos os riscos, mas confiante em Deus, preferiu enfrentar a morte, se preciso, para salvar sua filhinha. Enriqueta foi um presente de Deus, pois foi ela quem ficou em casa e acompanhou os pais, sobretudo a mãe, até o ultimo instante.
A decisão do casal de não aceitar o aborto, nada mais foi que uma decisão coerente de Cristãos Católicos, comprometidos com o evangelho e com a vida. Quando se vive o batismo, todas as decisões da vida são tomadas baseadas na fé e na esperança e cujo fim é o amor.
Maria, Luis e seus filhos, viveram uma vida normal, sem nada de extraordinário, cultivaram uma profunda espiritualidade centrada na eucaristia e na devoção filial à Santíssima Virgem, com a reza diária do Santo Terço. Na casa dos Quattrocchi, “Nenhum problema era resolvido sem que se pedisse ajuda do céu”, diziam sempre os esposos.
Luis Quattrocchi, assim como sua esposa, colocou sua vida e sua profissão à disposição de muitas pessoas que a ele recorriam como advogado, e que não tinham como pagar os honorários, eram atendidos com carinho e dedicação. D. Maria, além das atividades citadas anteriormente, devemos ressaltar sua atuação na Fundação da Universidade Católica da Itália.
Viveram para o amor conjugal, viveram para os filhos, viveram para os outros e viveram para Deus e com Deus.
Luis faleceu em 1951, com 71 anos de idade e Maria em 1965, com 81 anos, sendo o 1º casal, na historia da Igreja, elevado as honras dos altares. Seus filhos, Padre Tarcisio e Padre Paolino, ambos com 90 anos, e Enriqueta, participaram da missa de beatificação de seus pais.
João Paulo II falou na cerimônia:
“Queridas famílias, temos hoje uma particular confirmação de que o caminho de santidade percorrido em conjunto, como casal, é possível, é belo, é extraordinário e fecundo, e é fundamentalmente para o bem da família e da Igreja e da sociedade”.
Que o casal, Luis e Maria, intercedam por todos os casais do mundo e principalmente por aqueles que estão se preparando para o matrimonio, para que descubram a grandeza e a santidade a dois, e depois nos filhos que vierem”.



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