domingo, 24 de agosto de 2008

O Crucifixo de São Damião


O Crucifixo de São Damião


1 – Alguns dados históricos sobre o Crucifixo

O Crucifixo de São Damião foi pintado no século XII por um desconhecido artista da Úmbria, região da Itália. A pintura é de estilo românico, sob clara influência oriental: o pedestal sobre o qual estão os pés de Cristo pregados separadamente; e de influência siríaca: a barba de Cristo; a face circundada pelo emoldurado dos cabelos; a presença dos anjos e a cruz com a longa haste segurada na mão, por Cristo, (só visível na pintura original), no alto, encimando a cruz.

Outros dados:

Sem o pedestal, o Crucifixo original mede dois metros e dez centímetros de largura.
A pintura foi feita em tela tosca, colada sobre madeira de nogueira.
Naquele tempo, nas pequenas igrejas, o Santíssimo não era conservado, isto é, a Eucaristia não era guardada mas, consumida no dia. Por isso, supõe-se que o Crucifixo foi pendurado na abside sobre o altar da capela, no centro da Igreja.
Provavelmente o Crucifixo permaneceu na Igreja de São Damião até que as Irmãs Pobres, em 1275, o levaram consigo à nova Basílica de Santa Clara. Guardaram-no no interior do coro monástico por diversos séculos. No ano de 1938, a artista Rosária Alliano restaurou o Crucifixo com grande perícia, protegendo-o inclusive contra qualquer deterioração.
Desde 1958 ele está sobre o altar, ao lado da capela do Santíssimo, na Basílica de Santa Clara, protegido por vidro.

2 – Descrição detalhada da pintura

Descobre-se, à primeira vista, a figura central de Cristo, que domina o quadro pela sua imponente dimensão e pela luz que sua esplêndida e branca figura difunde sobre todas as pessoas que o circundam e que estão todas vivamente voltadas para Ele. Esta luz vivificante que brota do interior de sua Pessoa (Jo 8, 12) fica ainda mais destacada pelas fortes cores, especialmente o vermelho e o preto.
Também impressiona este Cristo ereto sobre a cruz e não pendurado nela, com os olhos abertos, olhando o mundo.
Apresenta ainda uma auréola da glória com a cruz triunfante oriental em vez de uma coroa de espinhos, porque tornou-se vitorioso na paixão e na morte.
Aparecem os sinais de crucificação e as feridas sangrentas mas o sangue redentor se derrama sobre os anjos e santos (sangue das mãos e dos pés) e sobre São João (sangue ao lado direito).
Cristo se apresenta vivo, ressuscitado (Jo 12, 32), de pé sobre o sepulcro vazio e aberto (indicado pela cor preta), visível por trás. Com as mãos estendidas, Cristo está para subir ao céu (Jô 12, 32).
A inscrição acima da cabeça de Cristo, “Jesus Nazarenus Rex Judaerom” Jesus Nazareno Rei dos Judeus, é também própria do Evangelho de João.
Sobre a inscrição, esta a ascensão em forma dinâmica, na figura do Cristo ascendente, com o troféu da cruz gloriosa na mão esquerda (só visível na pintura original) e com a mão direita pela mão do Pai, no céu.
Do alto, a mão direita do Pai acolhe o seu Filho, circundado dos anjos (e santos) na glória celeste.
As cores vermelha e púrpura são símbolos do divino; o verde e o azul, do terrestre. Para “ver” bem o conjunto da pintura, deve-se realmente parar diante do Crucifixo, pois, ordinariamente, olha-se à imagem somente, de longe, como “turistas”.
À direita do corpo de Cristo, aparecem as figuras de Maria e João, intimamente unidas, enquanto Maria indica o discípulo predileto com a mão direita (Jo 19, 26). À esquerda, estão as duas mulheres, Maria Madalena e Maria de Cléofas, primeiras testemunhas da ressurreição (Jo 19, 25).
E, embora, Maria, à direita e Maria Madalena, à esquerda, ergam a mão direita no rosto em sinal de dor, nenhuma das outras pessoas próximas, manifesta expressão de sofrimento profundo mas uma adesão cheia da fé ao Cristo vitorioso, Salvador.
À direita das duas mulheres vê-se o centurião com a mão erguida, olhando para o Crucifixo. Com esse gesto está a dizer: “Verdadeiramente este é o Filho de Deus”.
Sobre os ombros do centurião aparece a cabeça de uma pessoa em miniatura, cuja identidade se discute: poderia ser o filho do centurião, curado por Jesus (Jo 4, 50) ou um representante da multidão ou ainda, o autor desconhecido da pintura.
Aos pés de Maria e do centurião, vê-se o soldado chamado Longino que, pela tradição, com a lança traspassa o lado de Jesus e, o portador da esponja, chamado de Estepatão, segundo a tradição (Jô 19, 29). Ambos estão voltados para o Crucifixo.
Debaixo das mãos de Jesus, à direita e à esquerda, encontram-se dois anjos com as mãos erguidas, em intenso colóquio. Parecem anunciar a ressurreição e a ascensão do Senhor.
As duas pessoas, à extrema direita e esquerda, parecem anjos ou talvez mulheres que acorrem ao sepulcro vazio.
Aos pés de Jesus a pintura original encontra-se muito deteriorada. É provável que seja: São Damião, São Rufino, São Miguel, São João Batista, São Pedro e São Paulo. Acima da cabeça de São Pedro, está a figura do galo (só visível na pintura original) a lembrar a negação de Pedro à Cristo (Jô 13, 38; 18, 15 – 27).
As pessoas aos pés de Jesus têm a cabeça erguida para o alto, expressando a espera do retorno gloriosos do Senhor, no juízo.
Deste Crucifixo descrito em detalhes, Francisco teve uma inspiração “decisiva” para a sua vida, diz Caetano Esser. Passamos a descrvê-la porque e dessa fato que se originou a admiração que hoje temos ao Crucifixo de São Damião.

3 – O Crucifixo fala a Frâncico

O jovem Francisco encontrava-se numa crise espiritual, cheio de duvidas e trevas. “Conduzido pelo Espírito”, entra na igrejinha de São Damião, onde se prostra, súplice, diante do Crucifixo. Tocado de modo extraordinário pela graça divina, encontra-se totalmente transformado. É então que a imagem de Cristo Crucificado lhe fala: “Francisco, vai e repara minha casa que está em ruína”.
Francisco fica cheio de admiração e “quase perde os sentidos diante destas palavras”. Mas logo se dispõe a cumprir esse “mandato” e se entrega todo à obra, reconstruindo a igrejinha. Depois pede a um sacerdote, dando-lhe dinheiro, que providencie óleo e lamparina para que a imagem do Crucifixo não fique privada de luz, mas em destaque naquele santuário.
A parir de então, nunca se esqueceu de cuidar daquela igrejinha e daquela imagem.
Francisco parecia intimamente ferido de amor para o Cristo Crucificado, participando da paixão do Senhor, de quem já trazia os estigmas no coração e mais tarde, em 1224, receberia as chagas do Cristo em seu próprio Corpo.
Segundo Santa Clara, esta visão do Crucifixo foi um êxtase de amor radiante e impulso decisivo para a conversão de Francisco.
Entre os estudiosos ainda existe uma dúvida a ser esclarecida: ao ouvir o Cristo do Crucifixo, Francisco pensa na igrejinha material de São Damião. Mas nada impede de se pensar que se trata do “templo de Cristo no coração de Francisco e nos corações dos homens”.
Enfim, a própria oração de Francisco diante do Crucifixo da São Damião sugere antes a reparação “espiritual” da casa do Senhor, crucificado no coração.
Tanto que ele pede especialmente pelas três virtudes teologais (fé, esperança e amor) para poder cumprir esse “mandato” de Cristo.

Mãe e Senhora das Dores


Mãe e Senhora das Dores

15 de setembro


“Teu filho será causa de queda e reerguimento para muitos. Ele será sinal de contradição e o teu coração será transpassado por uma espada! (Lc. 2, 34-35)”.
Eis o tesouro onde eram guardadas todas as coisas, todas as lembranças; o Coração de Maria, um coração tão humano, tão cheio de lembranças de momentos de alegrias e de dores. Um coração tão semelhante ao de Jesus, um coração tão cheio de amor.
Simeão predisse os combates, as dores e os sacrifícios que estariam diretamente ligados ao Messias no mistério da redenção.
Foi somente na apresentação do Menino Jesus e pelas palavras de Simeão que Maria viu claramente que o Mistério da Redenção lhe reservava uma boa parte de sofrimentos.
Maria conhecia, como todo o seu povo, as profecias das Sagradas Escrituras referentes ao seu Filhinho, o Messias, o Esperado.
O grande São Bernardo no deixou escrito que: “O Martírio da Virgem comemora-se tanto na Profecia de Simeão, como na própria Paixão do Senhor”.
Martírio de Maria? Na ladainha a invocamos como Rainha dos Mártires, e lemos no Profeta Isaias que: “Ele te coroará com uma coroa de tribulação... (Is. 22, 18)”, podemos concluir que o maior martírio, ou seja, a maior prova de sofrer inocentemente pela verdade e pela justiça no amor de Deus, foi suportado por Jesus e compartilhado por sua Mãe.
O peregrinar de Maria foi um misto de alegrias e dores, assim, logo após as alegrias da anunciação, do nascimento, do reconhecimento e da adoração dos Magos. Temos a dor da profecia de Simeão; a dor da fuga da fúria de Herodes; a dor da perda do Menino Jesus no templo e, em contrapartida, a alegria do reencontro; a dor do encontro a caminho do Calvário; a dor aos pés da cruz; a dor ao receber o corpo inerte e gélido do seu Filho em seus braços e a de ver fechar o túmulo, aliado à alegria de ver o Filho ressuscitado e a de sua Assunção aos céus.
A Grandeza de Maria consiste não só no fato de ser ela a Mãe do Cordeiro Divino, de lhe ter oferecido a carne e o sangue humano, mas também no fato de ter ela mesma nutrido e amparado este cordeirinho e tê-lo conduzido e acompanhado até o altar da cruz.
Foi aos pés da cruz que a Mãe das dores tornou-se a Rainha dos Mártires, e, no dizer de Santo Ambrósio: “Estava ao pé da cruz a Mãe... Olhava com piedade as chagas de Seu Filho sabendo que por elas se ia salvando o mundo”.
A partir do século XIII houve uma explosão de devoções que enalteceram a humanidade de Jesus, ex.: nascimento, a Paixão, etc., e assim também de Sua Mãe Santíssima, atribui-se à belíssima seqüência – Stabat Mater, - Lamentações de Maria (Planctus=Pranto), ao franciscano Jacoponi de Todi.
A liturgia lembra as dores de Maria na Sexta-Feira Santa e no dia 15 de setembro. Foi o Papa Pio VI que introduziu na liturgia a festa de Nossa Senhora das Dores.
Na Igreja os maiores propagadores da Coroa das Dores de Maria são os Servitas – Ordem dos Servos de Maria.
Concluímos com o Beato José de Anchieta em seu poema à Virgem Maria: “Uns açoites e uns cravos, um carvalho nodoso, uma lança e uma coroa ensangüentada, eis toda a minha herança; de tudo isto hei de me apossar como espólio meu legal”.


Bendita sejais, Senhora das Dores!

Amém,

Paz e Bem!

sábado, 23 de agosto de 2008

São Domingos de Gusmão

São Domingos de Gusmão

08 de agosto

O 1º Apóstolo do Rosário da Virgem Maria


“...antes que no seio fosses formado, eu já te conheci; antes de teu nascimento eu já te havia consagrado, e te havia designado Profeta das Nações (Jer. 1, 5)”.

Sua vida!


Na noite de 24 de junho do ano de 1170, na pequena cidade de Caleruega, em Castela, Província de Burgos na Espanha, nascia Domingos, o filho caçula do Conde, Dom Félix de Gusmão e Dona Joana D’Aza. Antes de nascer, sua mãe, profundamente religiosa, teve um sonho misterioso: viu um cão que trazia na boca uma tocha acesa que irradiava uma grande luz sobre o mundo (assim como o cão é fiel ao dono, São Domingos seria fiel a Deus, e com a tocha acesa, incendiou o mundo no amor de Deus).
Na Pia Batismal recebe o nome de Domingos, em homenagem ao Santo Abade Domingos de Silos. Ainda pequeno, porém, já em idade escolar, foi confiado aos cuidados de um tio padre que lhe ensinou as matérias elementares, além das funções litúrgicas e pastorais.
Quando completa 15 anos, aluga um quarto de pensão na cidade de Valência, e lá, dedica-se integralmente aos estudos na célebre Universidade de Valência. Destaca-se nas ciências liberais, cujo programa era a gramática, dialética, lógica, retórica, aritmética, música, geometria e astronomia. Cursou também filosofia, teologia e assim, obedecendo às aspirações de seu coração e ao chamado de Deus, tornou-se sacerdote.
Como sacerdote acompanhou o Bispo de Osma e, na viagem, pôde sentir de perto o problema religioso do sul da França e de outras regiões européias, infestadas por grupos religiosos, fanáticos e subversivos. Domingos decidiu permanecer no sul da França, dedicando-se junto com alguns sacerdotes, na simplicidade e na pobreza, ao ensinamento da Doutrina Cristã.
Deste grupo de pregadores surgiu a Ordem dos Pregadores ou Dominicanos, cujas características fundamentais eram: a espiritualidade sacerdotal com profunda formação teológica; o devotamento a Igreja, as almas, ao culto da verdade; a vida comunitária como meio ascético de santificação para maior desempenho da vida e ação sacerdotal; a espiritualidade apostólica, sobretudo na pregação.
Domingos era apaixonado pela música, e disto fez uso muitas vezes durante sua vida. No entanto, a grande alegria do jovem Pe. Domingos era caminhar por estradas, bosques e montes, cantando a “Salva Rainha”, meio pelo qual não cessava de louvar e enaltecer a Mãe do Filho de Deus, cantando-lhe as maravilhas dentro de uma poesia rica de lirismo e sentimento, muito próprio de sua época.
Nossa Santo reconhecia o valor dos que se enclausuravam, mas sabia que era também preciso agir, falar, fazer algo para que o Evangelho fosse anunciado. Assim, ele compreendeu a contemplação como meio principal pelo qual se formaria o missionário, o apostolo, através da oração, do estudo e da reflexão. É como se o dominicano fosse um vasilhame que colheu água da fonte para que os outros pudessem depois bebê-la. Por isso é que a Ordem tem por lema: “Dar aos outros o fruto da nossa contemplação”.

São Domingos e o Santo Rosário

Domingos de Gusmão, por meio de suas ardorosas pregações, tentou durante longos anos trazer de volta a Igreja todos aqueles que tinham se desviado da verdade do Evangelho. Porém, os eloqüentes sermões de São Domingos não conseguiam penetrar naqueles corações endurecidos e entregues a muitos vícios.
Domingos intensificou suas orações, aumentou suas penitências, porém pouco ou nada adiantaram seus esforços. As conversões eram raras e de efêmera duração. Vários, por pressão do ambiente, voltavam às práticas de seus erros.
Certo dia, São Domingos saiu de seu convento em Toulouse, no sul da França, decidido a obter de Deus as respostas para tantos fracassos. Entrou na floresta e entregou-se a oração e a penitência, disposto a não sair dali sem as devidas respostas.
Era ele muito devoto de Maria Santíssima e suas preces subiram até o trono do Altíssimo pelas mãos virginais da Mãe de Deus. Após três dias e três noites de incessante oração, quando as forças físicas já quase o abandonavam, apareceu-lhe a Virgem Maria, manifestando seu afeto maternal e sua grande predileção.
- Meu querido Domingos – disse-lhe Nossa Senhora com inefável suavidade – sabes de que meio se serviu a Santíssima Trindade para transformar o mundo?
- Senhora – respondeu São Domingos – vós sabeis melhor do que eu, porque depois de Vosso Filho Jesus Cristo, fostes vós o principal instrumento de nossa salvação.
- Eu te digo, então – continuou Maria Santíssima – que o instrumento mais importante foi à saudação angélica, ou a Ave Maria, que é o fundamento do Novo Testamento e portanto, se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza e propaga o meu Saltério (Minha Coroa de Rosas) .

São Domingos saiu dali com novo ânimo e imediatamente se dirigiu a Catedral de Toulouse para fazer uma pregação. Assim que Domingos começou a falar, nuvens espessas cobriram o céu e uma terrível tempestade abateu-se sobre a cidade.
São Domingos implorou a misericórdia de Deus e a proteção de Maria Santíssima, e por fim a tempestade acalmou, permitindo-lhe que falasse com toda a alma e todo o coração sobre as maravilhas do Rosário.
Os habitantes de Toulouse arrependeram-se de seus pecados, abandonaram seus erros e começaram a rezar o Rosário. Grande foi a mudança dos costumes na cidade.
Domingos tornou-se o Grande Apóstolo do rosário, e por meio do Rosário, Maria foi a verdadeira vencedora, pois ela reconduziu à fé católica todo aquele povo, salvando a França.
Foi São Domingos que compôs o cordão com as continhas, nas quais se rezavam Pais-Nossos e Ave-Marias, que são as orações evangélicas.
Encontrou-se com Francisco de Assis em Roma, quando ambos foram ao Papa pedir aprovação de suas ordens recém fundadas.
Domingos caminhou incansavelmente por toda a Europa, a pé, pregando a Evangelho, anunciando o Reino e propagando o Rosário.
São Domingos entregou sua Santa Vida ao Senhor no dia 06 de agosto de 1221, com a idade de 51 anos. No ano de 1234 foi canonizado pelo Papa Gragório IX.

Oremos

Ó São Domingos, zeloso pregador do Evangelho, que sempre foste sensível diante das misérias alheias, estende até nós as promessas que fizeste aos que choravam a tua derradeira partida, de ajudar-nos lá dos céus com tuas preces.
Ó Deus, que fizestes resplandecer a Vossa Igreja com a obra da pregação de vosso servo São Domingos, concedeis a todos os homens os bens necessários para viveram dignamente, mas sobretudo, abundância de bens espirituais.

Amém
Paz e Bem!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O Presépio de Gréccio

O Presépio de Gréccio -1223

Poucas pessoas conhecem a origem do presépio e como a Igreja adotou tão singela devoção para homenagear o nascimento do Menino Jesus. São Francisco de Assis foi o inspirador e criador do primeiro presépio. Vejamos como isto aconteceu:
Três anos antes de sua morte, ou seja, em 1223, Francisco resolveu celebrar com a maior solenidade possível à memória da natividade do Menino Jesus, a fim de aumentar a devoção dos habitantes de Grécio, na Itália. Mas para que ninguém pudesse tachar esta festa de ridícula novidade, pediu e obteve do Papa licença para celebrá-la. Francisco mandou pois, preparar um presépio e trazer muito feno, juntamente com um burrinho e um boi, dispondo tudo ordenadamente.
Reuniram-se os irmãos chamados dos diversos lugares; acorreu o povo ressoaram vozes de júbilo por toda à parte e uma multidão de luzes e archotes resplandecentes juntamente com os cânticos sonoros que brotavam dos peitos simples e piedosos, transformaram aquele noite num dia claro, esplêndido e festivo.
Francisco estava lá, diante do rústico presépio em êxtase, banhado de lágrimas e emoção. Principiou a missa solene, na qual, Francisco, que oficializava como diácono, cantou o evangelho, pregou em seguida ao povo e falou do nascimento do Rei Pobre a quem ele chamava com ternura e amor de Menino de Belém.
Havia entre os assistentes um soldado muito piedoso e leal que movido por seu amor a Cristo, renunciou à milícia secular e se uniu estreitamente ao servo de Deus. Chamava-se João de Gréccio, que afirmou ter visto no presépio reclinado e dormindo um menino extremamente lindo ao qual Francisco tomou em seus braços como se quisesse despertá-lo suavemente do sono.
Que esta visão do piedoso soldado é totalmente certa garante-o não só a santidade de quem a teve, como também sua veracidade e a evidenciam os milagres que a seguir se realizaram. Pois o exemplo de Francisco, mesmo considerando do ponto de vista humano, tem poder para excitar a fé de Cristo nos corações mais frios e aquele feno do presépio cuidadosamente conservado foi remédio eficaz para curar milagrosamente os animais enfermos e como antídoto contra muitas classes de peste.
Deus glorificava em tudo o seu servo e, pelos milagres evidentes, o poder de suas preces e de sua santidade.

Paz e Bem!

Marcio Antônio Reiser

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Natal é do Menino Jesus!

Natal é do Menino Jesus!

“Santo Menino Jesus de Praga”


25 de Dezembro

O anjo disse-lhes: “Não temas, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um salvador, que é o Cristo Senhor.” (Lc. 2, 10-11)

Quanto esperaram ouvir, o anuncio acima, os justos profetas do antigo testamento. Ansiavam pela vinda do Messias, o Prometido da Nações, aquele que viria endireitar os caminhos tortuosos, aplainar os montes, encher os vales, abrir os céu para a humanidade. Isaias, sete séculos antes da vinda de Jesus, anunciou que ele nasceria de uma virgem.
No inicio do Cristianismo, muitos foram os santos que enalteceram a grandeza de um Deus menino e seu humilde nascimento.
Grandes santos, tocados pela graça divina, manifestaram especial devoção a infância de Nosso Senhor Jesus Cristo, Nosso Pai São Francisco de Assis, ao meditar enternecido o Deus que se tornou menino numa manjedoura, reviveu aquele momento na montagem do primeiro presépio, em Greccio na Itália.
Santo Antonio de Pádua, seguindo o exemplo de seu mestre e fundador, encantava-se com o menino Jesus, e mereceu recebê-lo, varias vezes, milagrosamente em seus braços.
Porem as imagens em que o menino Jesus aparece de pé, passaram a ser difundidas e veneradas durante o chamado “Século de Ouro”, na contra-reforma espanhola.
A grande doutora da Igreja, Santa Teresa de Ávila, reformadora da Ordem Carmelita, introduziu essa devoção em seus conventos, e , a partir deles, por toda a Espanha e depois para o mundo todo. Seu discípulo e co-fundador do ramo carmelita masculino reformado, São João da Cruz, durante o natal, levava o menino Jesus em procissão, e o acalentava em seu colo, chegando a entrar em êxtase; compôs também, tocantes poesias sobra à natividade.
Dois séculos mais tarde, outra Carmelita, Santa Teresinha do Menino Jesus, honrou de modo especial o Deus Menino, não só ao escolhê-lo para seu nome religioso, mas iniciando a via da Infância Espiritual .
Uma das maiores propagadoras da devoção ao Santo Menino Jesus, foi a irmã carmelita Margarida do Ssmo. Sacramento, que faleceu com apenas 29 anos de idade no convento de Beaune, na França.
Irmã Margarida foi escolhida pelo próprio Senhor Jesus, para propagar e difundir a devoção a sua divina infância, fundando a Família do Menino Jesus, convidando todos os que dela quisessem participar a celebrar com fervor os dias 25 de cada mês, em lembrança da Santa natividade, e a rezarem a coroinha do Menino Jesus: 3 pai-nossos e 12 ave-marias, em honra dos 12 primeiros anos de sua vida.


O Menino Jesus de Praga
Praga, capital da atual Republica Checa, é considerada uma das mais belas capitais da Europa. Dentre os memoráveis prédios existentes na cidade, destaca-se a imponente igreja de Nossa Senhora das Vitórias, primeiro santuário barroco local, erigido de 1613 a 1644. Pertencente aos carmelitas descalços, nela esta a grande maravilha de Praga: a encantadora imagem do pequeno Rei, como é conhecido o Menino Jesus de Praga.


A Devoção

Pelos anos de 1628, em Praga, tendo ficado viúva, a princesa Polyxena de Lobkowicz, sentiu em seu coração a necessidade de doar aos padres carmelitas descalços, uma belíssima imagem do menino Jesus que possuía. Ele era representado de pé, portando trajes reais, com o globo na mão esquerda e a direita em atitude de abençoar. Tal imagem era por demais querida, pois era uma recordação da família. Sua mãe, D. Maria Manrique DeLara, a recebera como presente de casamento e dera também a filha como presente de casamento.
A princesa Polyxena disse ao prior ao entregar-lhe a imagem: “Eu vos ofereço, querido padre, o que mais valoroso possuo. Honrai este menino Jesus e assegurai-vos de que, enquanto venerado, nada vos faltara”.
A pequena imagem foi colocada no oratório do noviciado, ali os carmelitas se reuniam para louvar o Menino Jesus, e colocar aos seus pés todas as necessidades e recomendações. Sempre que a situação parecia impossível, o Deus do impossível, vinha em socorro dos seus servos fieis.
No ano de 1631, sob o comando do príncipe eleito na Saxônia, os protestantes se reagruparam e assediaram a cidade de Praga. Por prudência, frei João Maria, mandou seus frades para Munique.
Os soldados invadiram igrejas e conventos, profanando e destruindo objetos do culto católico. Puseram na prisão os dois frades carmelitas e começaram a destruir o convento. Vendo a imagem do Menino Jesus, começaram a zombar a rir e zombar dela. Um dos soldados decepou a mãozinha da imagem, com a espada, depois, empurrou-a para o meio dos escombros.



Ali o Menino ficou esquecido.




Frei Cirilo da Mãe de Deus, no ano de 1634, quando os carmelitas retornaram ao convento, reencontrou a imagem sem as mãos e colocou-a novamente no oratório. Certo dia, Frei Cirilo, em oração diante do menino Jesus, pedindo pela comunidade, quando este lhe disse tristemente: “Tende piedade de mim, e eu terei piedade de vos. Restitui-me as mãos que me cortaram os hereges. Quanto mais me honrardes mais vos favorecerei”.
A imagem foi restaurada e colocada dentro de uma urna de cristal próxima a sacristia. Cumpri-se o desejo expresso por Nossa Senhora a Frei Cirilo, de que o menino fosse exposto a veneração publica.
A devoção expande-se pelo mundo e ganha um novo santuário em Arenzano-Milão (Itália) no ano de 1895.
Impossível seria descrever os incontáveis favores do Santo Menino por este mundo afora. A devoção do Menino Jesus é antes de tudo, um sinal de maturidade da fé. Devemos honrar a Santa Infância de Jesus em todas as necessidades, em especial, quando pedimos pelas crianças; pois o próprio Senhor nos disse: “Deixai vir a mim as criancinhas, por que é delas o reino dos céus”.
O Coração do Santo Menino Jesus esta aguardando pelas suas manifestações de amor, no dia do seu aniversario: 25 de dezembro!

Parabéns Jesus!
Amém!
Paz e Bem!

sábado, 9 de agosto de 2008

Dia dos Pais!


Pai!

Acredito que o maior ensinamento que Jesus nos deixou, foi o de chamar Deus de pai, e para nós é quase impossível não relacionar Deus com a figura humana do pai.
Pai, palavra universal para designar um mesmo ser; um mesmo modo de ser com características tão distintas e tão iguais.
Pai, o jeito de Deus ser humano, de transmitir a vida, de prover o pão a qualquer custo, de ser o braço forte a defender e guiar o rebanho familiar.
Pai, ternura das lagrimas contidas das preocupações e noites mal dormidas, com o cuidado do lar.
Pai, presença que é segurança e proteção, é o leme firme no meio das tempestades o guardião do santuário da vida.
Pai, que entre os cansaços e cochilos permite um afago e concede um tempo para gargalhar, guerrear almofadas e ter de ser o herói das histórias contadas centenas de vezes e dos contos perdidos no tempo.
Pai, que muitas vezes ama de um jeito meio rude, com gestos e formas quase sempre sem jeito, mas que ama daquele jeito e deseja ser amado de qualquer jeito.
Pai, iniciante; Pai atuante, Pai ausente, Pai que já partiu, Pai energético, Pai bondoso, Pai amigo, Pai; meu pai meu herói, eu te vejo sempre maior, quando te permites ser frágil e precisas de colo.
Pai também gosta de colo filho!


Feliz dia dos Pais!
Agosto/2008

Anunciação do Senhor!


Anunciação do Senhor!

25 de Março!


“...Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que uma virgem conceberá e dará a luz a um filho, e lhe porá o nome de Emanuel, porque Deus está conosco” (Is 7, 14).

No início da primavera, os campos, da singela Nazaré da Galiléia, estavam florindo representando um cenário de cores diversas. A brisa da manhã trazia em si, um soprar divino. O verde das folhas, dos mais diversos tons, refletiam a luminosidade do sol primaveril. Os pássaros cantavam e encantavam melodias harmoniosas e alegres, preparando seus ninhos.
E é exatamente neste cenário rústico e comum que uma preciosa flor, tal qual o lírio do vale, iria desabrochar sobre o tronco de Jessé, da raiz de Davi.
A casa da jovem Maria de Nazaré era simples, suas paredes caiadas formavam um ambiente de paz, de uma paz que nasce do silêncio, da meditação e da entrega total aos desígnios de Deus! Uma paz que vem da intimidade com Deus!
Maria conhecia as escrituras, seus pais eram conhecedores das leis e dos profetas, a Virgem Maria fora educada no templo e como tal conhecia os fatos e circunstâncias em que deveria vir o messias.
Desde todo o sempre, foi a jovem Maria escolhida por Deus para ser a mãe de seu filho, o Emanuel, o Deus conosco que Isaías falou e que Maria aguardava com todo o povo de Israel.
Sem conhecer os planos de Deus, Maria vivia, no seu cotidiano, um contínuo servir, estando noiva do carpinteiro José. Era toda dedicação aos afazeres domésticos, ao serviço no templo e sempre tendo o olhar voltado para os mais necessitados.
E justamente num desses dias do início da primavera, nossa jovem Maria, provavelmente envolvida nos afazeres domésticos, não estava, esperando por visitas, e, muito menos, do embaixador celeste!
Gabriel quer dizer “Força de Deus”, é um dos sete arcanjos que estão sempre presentes e têm acesso junto a Glória de Deus (Tob.12, 15). Foi ele que trouxe a Maria a teofania (manifestação de Deus). Nela se realizaram as profecias e a plenitude dos tempos.
“Entrando onde ela estava, disse: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” Ela é a cheia de graça, a plena, da benevolência de Deus para com a humanidade. Anunciação, é com certeza uma das páginas mais emocionantes da bíblia. É a promessa do antigo testamento realizada no novo.
Diz às escrituras que Maria experimentou um sentimento fascinante e tremendo. Maria não cai por terra como Daniel, mas dialoga serenamente, Maria controla suas emoções. O encontro com Deus inebria a alma.
Meditando cada palavra de Gabriel e com o coração transbordando da Graça, a jovem questiona, argumenta e confia. Deus faz uma proposta e de Maria aguarda a resposta. A resposta de Maria era aguardada por Deus com tanta ansiedade, diz-se que o céu parou para ouvir o pronunciamento da sentença mais importante da história – o “Sim” de Maria – faça-se em mim segundo a tua palavra. “E o verbo se fez carne, e habitou entre nós”.
O “Sim” de Maria foi a comunhão mais longa da história. A palavra de Deus toma a forma humana em Maria. O primeiro e mais perfeito sacrário da terra. E no dizer de Santo Agostinho: “Ele escolheu a mãe que havia criado; criou a mãe que escolhera”.
Maria tinha consciência do seu “Sim” e soube vivê-lo da anunciação ao calvário.
Maria entendeu plenamente a sua missão de discípula e missionária, pois levou Jesus em seu ventre, como uma primeira procissão de Corpus Christi, a família de Isabel. Era o primeiro anúncio da Boa Nova – O evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Maria aceitou Jesus! O seu “sim” trouxe a salvação. Hoje ela nos convida a dizer um “sim” sem reservas ao seu filho Jesus!
Faça-se em mim segundo a tua palavra!
Paz e Bem

Beatos – Luiz Beltrami Quattrocchi e Maria Corsini Beltrami Quattrocchi


Beatos – Luiz Beltrami Quattrocchi e Maria Corsini Beltrami Quattrocchi

“A Santidade do Matrimonio”


“Vós gerais os vossos filhos para a pátria terrena, não esqueçais que, ao mesmo tempo, os gerais para Deus”. (João Paulo II)

“Maridos, amem suas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. Os maridos devem amar suas mulheres como seus próprios corpos. Quem ama sua mulher esta amando a si mesmo. Por isso, o homem deixara seu pai e sua mãe e se unira a sua mulher, e os dois serão uma só carne, portanto cada um de vocês ame sua mulher como a si mesmo, e sua mulher respeite o seu marido”. (Ef 5, 25-28,31-33)
O ideal de santidade é para todos, sem distinção, somos todos chamados a ser santos em todo o estado de vida, em todas as profissões, em todas as idades e, enfim, cada qual como o Senhor predestinou.
Vejamos o exemplo de nossos beatos Luis e Maria, o primeiro casal beatificado pelo Papa João Paulo II, em 21 de outubro de 2001.
A vida desse casal é um sinal vivo do que afirma o concilio do Vaticano II sobre a vocação de todos os fieis leigos à santidade, especificando que os cônjugues devem procurar esse objetivo seguindo seu próprio caminho.

Quem foram?

Luís nasceu na Catânia, Itália, no dia 12 de janeiro de 1880, ela em Florença, no dia 24 de junho de 1884. Luís estudou Direito e teve uma brilhante carreira como advogado, chegou a ser vice-advogado-geral do governo italiano, além de se destacar como consultor de grandes empresas e bancos. Maria formou-se em contabilidade e, depois, tornou-se professora. Muito religiosa desde menina, recebeu boa formação humanista, o que a tornou uma escritora famosa e notável personalidade na Itália. Escreveu 12 obras sobre família, formação dos filhos e espiritualidade.

O encontro

Durante os estudos universitários em Roma, conheceram-se e apaixonaram-se a primeira vista. Casaram-se em 1905 e viveram juntos por 50 anos na primeira metade do século XX, no qual a fé em Cristo foi posta à dura prova, por causa das duas Grandes Guerras. Maria e Luis amavam-se de verdade, mas reconheciam que seu amor era fruto de um amor maior: o amor de Deus! Por isso, em sua vida, sempre à luz do Evangelho, alimentaram com grande intensidade humana o amor matrimonial e dedicaram-se à vida familiar e comunitária.
Maria Corsini, nascida de família nobre de Florença, também era apaixonada pela musica. Trabalhou com voluntária da Cruz Vermelha durante a Guerra da Etiópia e na Segunda Guerra Mundial. Foi Catequista, era também comprometida com varias associações de caridade, como a Ação Católica Feminina. No lar dos Quattrocchi, não eram raras às vezes em que seus filhos os viram acolhendo em casa refugiados da guerra e organizando grupos de “Scouts” com jovens dos bairros pobres de Roma durante o pós-guerra.
Luis e Maria tiveram quatro filhos: o primeiro tornou-se sacerdote (Filipe, padre Tarcisio), a segunda entrou num mosteiro Beneditino (Stefania, como religiosa-irmã Maria Cecília) falecida em 1993. O terceiro fez-se monge trapista (César, hoje Pe. Paolino), e a quarta filha (Enriqueta) nasceu em 1914.
Enriqueta nasceu com fruto de uma decisão heróica do casal. Maria, quando ficou grávida, teve muitas complicações de saúde, o que levou o medico a sugerir um aborto para preservar a vida da mãe. O casal optou por levar a gravidez em frente, contrariando a proposta do ginecologista. Maria sabia de todos os riscos, mas confiante em Deus, preferiu enfrentar a morte, se preciso, para salvar sua filhinha. Enriqueta foi um presente de Deus, pois foi ela quem ficou em casa e acompanhou os pais, sobretudo a mãe, até o ultimo instante.
A decisão do casal de não aceitar o aborto, nada mais foi que uma decisão coerente de Cristãos Católicos, comprometidos com o evangelho e com a vida. Quando se vive o batismo, todas as decisões da vida são tomadas baseadas na fé e na esperança e cujo fim é o amor.
Maria, Luis e seus filhos, viveram uma vida normal, sem nada de extraordinário, cultivaram uma profunda espiritualidade centrada na eucaristia e na devoção filial à Santíssima Virgem, com a reza diária do Santo Terço. Na casa dos Quattrocchi, “Nenhum problema era resolvido sem que se pedisse ajuda do céu”, diziam sempre os esposos.
Luis Quattrocchi, assim como sua esposa, colocou sua vida e sua profissão à disposição de muitas pessoas que a ele recorriam como advogado, e que não tinham como pagar os honorários, eram atendidos com carinho e dedicação. D. Maria, além das atividades citadas anteriormente, devemos ressaltar sua atuação na Fundação da Universidade Católica da Itália.
Viveram para o amor conjugal, viveram para os filhos, viveram para os outros e viveram para Deus e com Deus.
Luis faleceu em 1951, com 71 anos de idade e Maria em 1965, com 81 anos, sendo o 1º casal, na historia da Igreja, elevado as honras dos altares. Seus filhos, Padre Tarcisio e Padre Paolino, ambos com 90 anos, e Enriqueta, participaram da missa de beatificação de seus pais.
João Paulo II falou na cerimônia:
“Queridas famílias, temos hoje uma particular confirmação de que o caminho de santidade percorrido em conjunto, como casal, é possível, é belo, é extraordinário e fecundo, e é fundamentalmente para o bem da família e da Igreja e da sociedade”.
Que o casal, Luis e Maria, intercedam por todos os casais do mundo e principalmente por aqueles que estão se preparando para o matrimonio, para que descubram a grandeza e a santidade a dois, e depois nos filhos que vierem”.



Chegou o tempo, Virgem Maria

“Chegou o tempo, Virgem Maria!”

Na humilde casa de Nazaré o jovem casal José e Maria, vive a doce espera do nascimento do Messias, afinal desde o dia da encarnação do verbo, no ventre da Virgem Maria, passaram-se quase nove meses.
No cotidiano, Maria já realizava as tarefas domesticas com dificuldade, buscar água na fonte já é quase impossível, pois os cântaros são grandes e pesados, José é quem vai à fonte.
Em seu quintal alguns animais domésticos partilham da convivência do santo casal, ovelhas, galinhas, pombos, cabritos e alguns passarinhos, além, é claro, do burrinho que serve de condução. Todos são tratados e amados pela jovem Maria, eles em retribuição manifestam seu afeto com suaves melodias.
Nas tardes ensolaradas de Nazaré, sentado à sombra de uma bela figueira, a futura mãe, borda e costura o enxoval do bebe, ao som das ferramentas tão bem manuseadas pelo seu dedicado e trabalhador esposo: o carpinteiro José.
Divagando em seus pensamentos Maria relembra as palavras do Anjo Gabriel, e com viva emoção sente os movimentos da criança procurando uma melhor posição para se acomodar.
Quanto gozo e quanta emoção, um misto de emoção, de ansiedade toma conta de Maria, afinal, ela viveu a comunhão mais perfeita e longa da historia, e como sacrário vivo adorava em seu ventre o seu filho e seu Senhor.
O silencio é interrompido por alguém, um mensageiro, trazendo uma intimação, o jovem casal deveria partir, imediatamente para Belém, para o recenseamento, conforme determinação do imperador, César Augusto.
Jose se angustiava, Maria se preocupa, afinal, são muitos quilômetros de distancia, e naquele estado então! Como fazer?
Tinham que obedecer, e assim o fizeram para que se cumprissem as escrituras.
“E tu, Belém terra de Judá, não és de modo algum a menos entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governara Israel, meu povo”. (Mig. 5,2)
José pegou o burrico, que era bastante manso, e sobre ele colocou cestos, cobertores, mantas para que Maria ficasse mais confortável possível, e levou pães assados na brasa, mel, algumas frutas, água e etc., para a longa e perigosa viagem até Belém.
Confiando na providencia, decidem partir, deixando para trás as duvidas, os medos, e a insegurança, pois o Senhor do céu e da terra colocaria o seu exercito de anjos para guardá-os.
Depois de aproximadamente 15 dias chegaram à Belém. A cidade de Davi estava lotada de peregrinos, descendentes do grande Rei de Israel.
Todas as hospedarias, pensões e albergues, estavam com excesso de hospedes, José e Maria, exaustos, não encontravam quem lhes acolhessem, ou pelo menos Maria, que estava prestes à dar a luz.
Depois de muito andarem, foram encaminhados para as grutas, na saída da aldeia, no inicio do vale. A gruta parecia labirinto, comprido e estreito, o cheiro era quase insuportável, pois servia de abrigo para o gado e estava cheia de excrementos.
Como o cansaço era maior, o jovem casal acomodou-se como pode, para o menos passara a noite. No dia seguinte, logo pela manhã, José sai à procura de um outro lugar, pelo menos mais limpo de descente, onde o Messias pudesse nascer com dignidade.
Ao final do dia, José volta para a gruta cansado e decepcionado por não encontrar um lugar melhor para hospedar sua esposa. Ao chegar encontra aquela gruta completamente transformada, Maria passara o dia limpando e arrumando da melhor maneira aquele lugar, que já estava habitável.
José trouxe roupas e comida, e assim preparam a ceia com pão, azeita e queijo e quando já estavam jantando, chegou, o dono da gruta trazendo consigo uma vaca.
Bastante irritado com os invasores, começou a insultá-los e a expulsá-los, pois a gruta servia para guardar a sua vaca.
José e Maria, sem muita discussão, começaram a arrumar seus pertences e mais uma vez estariam na rua não fosse a teimosa vaquinha.
Por mais que o camponês insistisse e usasse sua força bruta, não conseguia colocar a vaca para dentro da gruta, já desocupada.
O pobre animal agüentava os açoites sem se mover, quanto mais apanhava, mais resistia pra não entrar na gruta.
O camponês, já sem forças de tanto espancar a pobre vaca, desistiu e disse a José e Maria:
“Ai tendes a gruta, e também a vaca sabe Deus porque não entra. Quem sabe ela tem um coração melhor do que o meu que estive a ponto de obrigar uma pobre mulher a dar a luz na rua. Ficai em paz”.
José e Maria retornaram para a gruta com o burrico e a vaca, que entrou atrás do casal feliz por defender o direito do Messias de pelo menos, nascer em uma gruta de Belém.
E lá, naquele lugar pobre, sem beleza e sem riqueza, humilde e gloriosamente vem ao mundo o Salvador da Humanidade.
Jesus deixa o céu para encarnar no ventre imaculado de Maria, e ao nascer é colocado sobre a manjedoura, lugar onde se colocava o alimento para o gado, ele se tornaria o pão vivo descido do céu.
Belém quer dizer: “Casa do Pão”, foi lá que o pão da vida foi dado por Deus, para justificar o gênero humano, somente por amor, um Amor de Pai.
Quantas vezes nossos corações se parecem com aquela gruta, escuros, estreitos e apertados, talvez não muito limpos e muitas vezes indignos de receber Jesus.
Peçamos à Virgem Maria, que faça em nossos corações o que fez naquela gruta, que ela prepare o nosso coração para receber bem a Jesus, não somente no Natal mas a cada Celebração Eucarística.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Cristo Rei


Cristo Rei

25 de novembro

“És, portanto, Rei?” respondeu Jesus: “Sim, Eu sou Rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz.” Disse-lhe Pilatos: “Que é a verdade?...” (Jo. 18, 37-38)


Ó Feliz Verdade!

Um Rei desde toda a eternidade, revestido de esplendor e de majestade, decide, por amor e somente por amor, trocar o seu reino, seu trono real para nascer num cocho de feno e morrer no trono áspero e cruento da cruz. E tudo por amor, para que nós pudéssemos participar de sua realeza, revestidos de suas vestes reais.
Devemos sempre aprender com a doutrina do senhorio de Cristo, que viemos para servir, somos chamados a servir a Deus nos irmãos. “O Cristo, bom pastor, veio não para ser servido, mas para servir... e dar a vida pelas ovelhas”.
“Onde está o Rei dos Judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo”.
(Mat. 2,2)
Um reino ameaçado desde o inicio; um pequeno Rei é exilado desde os primeiros dias de vida, seus guardiões são seus pais, o carpinteiro José, e a humilde jovem Maria de Nazaré, que fogem para salvar a esperança de um povo; Maria aperta o seu filho de encontro ao coração. A guardiã do reino oferece ao rei o colo materno como seu trono real.
Um Rei que se fez obediência: “E crescia Jesus em sabedoria e estatura, e em graça diante de Deus e dos homens. O lar de Nazaré era o Seu reinado, porém quanto aos Seus pais... lhes era submisso”. (Lucas 2,51)
Os pobres eram amados e acolhidos no pequeno reino de Nazaré, o lar da Sagrada Família era um simples palácio real de portas abertas, onde todos partilhavam o pouco que era de todos!
O Rei operário que, de rústicas a móveis e ásperas tábuas, transformava em belos e elegantes móveis, preparava-se para transformar vidas e corações.
Um Rei sem exército, sem armas, sem palácio e sem coroa sai às ruas ao encontro dos Seus e lhes anuncia que o reino esta nos corações com um grão de mostarda, como um tesouro escondido.
Um Rei que acolhe, que perdoa, que ama, que vai ao encontro dos excluídos, que brinca com as crianças e que enfrenta os poderosos com autoridade, olhando-os nos olhos e enxergando os corações.
Um Rei que escolhe doze, não entre os capacitados, mas capacita os que escolhe, amando suas limitações, ajudando nas suas dificuldades, abrindo seus corações para o acolhimento do Reino, e lavando seus pés na sua última ceia.
Um Rei é perseguido e condenado, Suas vestes reais, que foram tecidas pelas mãos de Sua mãe Maria, são arrancadas! O Rei é despido de sua dignidade humana, Seu corpo é cruelmente flagelado, o sangue real e da nova aliança, é derramado sobra a coluna, e fecunda a terra! É o sangue redentor.
Uma coroa para o rei, porém de espinhos, um manto de púrpura e um cetro de cana verde, são motivos de escárnio, e já disforme em seu aspecto é apresentado: “Ecce Homo”.
Os seguidores fogem, os discípulos covardes, se escondem e negam o seu Rei, o apóstolo amado e algumas mulheres permanecem, junto com Maria aos pés da cruz!
O último trono, a cruz, o Rei presta contas ao Pai dizendo: “Pai perdoai-os, eles não sabem o que fazem!”.
O tesouro do Rei é aberto. O lado é transpassado e dele jorra o oceano da misericórdia! A fonte dos sacramentos e a chave do Seu reino!
Um Rei glorioso retorna ao seu reino celeste, desta vez gloriosamente revestido de humanidade e abre as portas para todos nós com a única chave possível! A chave em forma de cruz.
“Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!”. (Jo. 12, 13).


Paz e Bem!

Nhá Chica


Francisca de Paula de Jesus

“14 de junho”

“Nhá Chica, um diamante preciosos das Minas Gerais”.

“...Não relaxais o vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao senhor, sede alegra na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração. Socorro às necessidades dos fieis. Esmerai-vos na Pátria da hospitalidade”. (Rom. 12, 11-13)

Definimos nos versículos acima, o ideal de vida e a busca incenjante de santidade de nossa serva, Nhá Chica. Mulher de fé, cheia de Graça de Deus, distribuidora de todos os dons e carismas que Deus acumulou para o bem comum. Vamos conhecer um pouco da vida e da missão da serva de Deus: “Nhá Chica”.

Quem foi

No pequeno distrito de São João Del Rey, chamado Santo Antonio do Rio das Mortes, distante um pouco mais de 5 minutos de Caxambu, nascia à 26 de abril de 1810 à pequena Francisca de Paula de Jesus, filha da Senhora Isabel Maria, uma pedra preciosa vinha ao mundo para ser um sinal luminoso, no circuito das águas das Minas Gerais.
No dia 26 de abril é também batizada pelo Pe. Joaquim José Alves, e na Pia Batismal recebe o nome de Francisca de Paula de Jesus. Ainda muito pequena, com apenas 8 anos de idade, mudou-se com sua mãe e seu irmão para Baepend. Como eram muito pobres, procuravam um lugar mais prospero e com melhores condições de sobrevivência.
A pequena Francisca sofre com o falecimento prematuro de sua mãe, e com seu irmão Teotônio, é recolhida pelos parentes, que os tratavam com muito amor e carinho. Desde muito cedo recebeu o apelido de Nhá Chica devido à sua distinção e modéstia, sendo muito admirada pela população que a considerava o “anjo da cidade”.
Recebera de sua mãe uma forte influencia religiosa, era devotissíma de Nossa Senhora da Conceição, e sempre recorria à Maria como mãe, uma vez que sua mãe Isabel estava no céu.
Nhá Chica era de estatura média, vivaz, era alegre e a todos encantava com sua simplicidade e sua sabedoria. Não sabia ler nem escrever como a maioria das pessoas pobres de seu tempo por falta de escolas. Era profunda reconhecedora das escrituras, apesar de não alfabetizada, pois meditava o que ouvia nos sermões e nas leituras da Santa Missa.
Era mulher orante e atuante, participava da vida da comunidade paroquial, atendia a todos que vinham em busca de suas orações e de suas palavras de profecia e ciência. Nhá Chica sempre tinha em suas mãos, o seu terço de contas simples, e nele meditava os mistérios da vida de Jesus e Maria, enquanto rezava as Ave-Marias.
Apesar de sua humildade, não ficou oculta aos olhos do mundo, pois suas virtudes irradiavam tamanho esplendor que, nos seu modesto retiro, recebia multidões de visitantes a procura de seus conselhos; ao que sempre dizia que: “Quem dava os conselhos era Nossa Senhora, ela apenas os repetia.”
No ano de 1867, com 57 anos, resolveu erguer um templo em honra a Nossa Senhora da Conceição, sua padroeira, e a referida Igreja, apesar das muitas dificuldades financeiras, só ficou pronto em 1898, três anos após a sua morte.
Nhá Chica levava uma vida austera de pobreza, tinha em sua pobre casa apenas o necessário para viver. Seus imóveis eram rústicos, utensílios escassos, e tinha apenas uma muda de roupa, que para lavar, trancava-se dentro de casa até que a roupa secasse.
Sua casa era um entra e sai de pessoas, onde tudo era de todos, o que ganhava dos seus filhos espirituais repartia com generosidades não reservando nada para si. Mulher penitente e de grandes sacrifícios pela salvação das almas, em tudo colocava o amor de Jesus e por Jesus.
Com idade avançada, Nhá Chica, sofria com a deformação de suas mãos pelo reumatismo, sempre com um lenço dobrada sobre a cabeça, seu corpo encurvada pelo tempo, porem mantinha sempre viva e alegre dos ser cristão, de estar a serviço do reino dos irmãos, e por horas intermináveis, pessoas que não paravam de chegar de todos os cantos do Brasil.
Nhá Chica completaria 85 anos, e o peso dos anos e a saúde frágil declinava dia-a-dia, seu coração que tanto amou Jesus no irmão, já batia com dificuldade, seu olhar contemplava o céu.
No dia 14 de junho de 1895, Baependi e toda Minas Gerais, é surpreendida com a noticia do falecimento de Nhá Chica. Pelas ruas, caravanas vão chegando e pouco a pouco uma grande multidão cercava a pobre casa de Nhá Chica. Cânticos e louvores, lagrimas de dor e de saudade, eram seus milhares de filhos espirituais que vinham para o ultimo adeus.
Todos os que se aproximavam do corpo de Nhá Chica, sentiam um perfume suave de rosas frescas e seu corpo só foi sepultado no dia 18 de junho, pois todos os que chegavam queriam ver “a Santa de Baependi”.
Desde sua morte, Nhá Chica é venerada pelo povo mineiro e de varias regiões do Brasil. No ano de 1991 foram reconhecidas suas virtudes heróicas oficialmente pela congregação das causas dos santos, da Vaticano.
No livro das graças encontram-se mais de 16000 graças registradas, porém a causa da beatificação aguarda o primeiro milagre, confirmado pela ciência, para declamar: “Nhá Chica Bem-aventurada”.
Rezemos para que o milagre aconteça pela intercessão de Nhá Chica junto ao coração de Jesus.
Mais uma vez nos encantamos com as maravilhas que o Senhor opera em seus servos fieis. Louvemos e exaltemos o nosso Deus.

Oremos

Ó Pai, que mostrais a bondade e a sabedoria do Vosso Filho Jesus, naquelas pessoas que o procuram seguir, e que “ocultais as novidades do reino aos sábios e inteligentes, e as revelais aos pequeninos”, nos vos pedimos que a Igreja a possa reconhecer oficialmente as virtudes de amor ao próximo, de fé profunda e de grande sabedoria de vida que concedestes à vossa filha e serva Francisca de Paula de Jesus, Nhá Chica.
Por ter sido de uma vida exemplar, fiel seguidora de Jesus Cristo, devota de Maria Santíssima, e de grande amor à Igreja, nos vos pedimos que, pela sua valiosa intercessão, vos nos concedais a graça de que temos mais necessidade.
Concedei-nos também, ó Pai, que a seu exemplo, o nosso coração esteja cheio de ardente amor a vos e ao nosso semelhante. Tudo isso vos pedimos por intermédio de Jeusus Cristo, vosso Filho, em união com o Espírito Santo. Amém.

“Isto acontece porque rezo com fé.”
Nhá Chica

Venerável Margarida Occhiena

Venerável Margarida Occhiena
A mãe de São João Bosco
Abril/1788


“Aquele que da ensinamento a seu filho será louvado por causa dele”. (Eclo 30,3)

“Mães, ensinais aos vossos filhos as orações do cristão? Em consonância com os sacerdotes preparais os vossos filhos para os sacramentos da primeira idade: confissão, comunhão, crisma? Habituai-os, quando enfermos, a pensar em Cristo que sofre? A invocar o auxilio de Nossa Senhora e dos santos? Rezais o terço em família? e vós, pais, sabeis rezar com vossos filhos, com toda a comunidade domestica. Recordai: deste modo construís a Igreja!”. Paulo VI

É com alegria que apresentamos a vida da venerável Margarida Occhiena, a mãe de Dom Bosco e exemplo de esposa, mãe, madrasta, nora e educadora, mestra do saber dos simples e humildes que o Senhor cumula de bens!

Margarida:

A primavera dava seus primeiros sinais fazendo despertar as mais belas e singelas flores, tantas e tão variadas, que enchiam de encanto pássaros e borboletas, que como numa coreografia de movimentos, apresentavam um incomparável espetáculo.
Foi neste cenário de encantos que o Piemonte, que fica ao norte da Itália, no povoado de Capriglio, no dia primeiro de abril de 1788, viu nascer sua mais bela e ilustre flor: Margarida Occhiena.
A filha de Melquior Marco Occhienna e Domigas Bossone
A Europa se ressentia com as idéias liberais da Revolução Francesa, com a crueldade e os desmandos de Napoleão Bonaparte, como exílio do Papa Pio VII na França.
Foi neste cenário que Margarida passou sua infância e adolescência, foram tempos de instabilidades, dificuldades econômicas escassez de alimentos; porem, graças a contratempos, nossa jovem Margarida tornara-se uma mulher forte, decidida e corajosa.
Foi também, com o exemplo de sua mãe Domingas, em meio ao afazeres domésticos e na roça, que Margarida descobriu o amor ao trabalho aliado a oração, fundamentos sólidos de perfeição cristã.
O fato de serem muito pobres fez com que nossa jovem Margarida adquirisse uma vontade férrea pra enfrentar as agruras da vida, e a buscar sempre mais a inspiração divina em suas decisões.
Seu jeito simples de ser encantou o viúvo Francisco Luis Bosco e com ele casou-se em 6 de junho de 1812, assumindo com carinho seu filho Antonio, de 4 anos; e com ele teve mais dois filhos: José e João Melquior.
O dia 11 de maio de 1817 foi de muita dor para a jovem Margarida, pois seu esposo Francisco, vindo do campo cansado e suado, entrou na adega fria e logo começou a passar mal: febre, dor no corpo e dificuldade para respirar. Ele não resistiu e faleceu horas depois. A felicidade de seu casamento durou apenas cinco anos, Margarida estava viúva com 29 anos, Três filhos e muita responsabilidade e trabalho pela frente.
Apesar de aparecerem muitos pretendentes, Margarida, mulher forte e camponesa dada ao trabalho recusou-a todos, preferindo para si o duro trabalho da roça, o cuidado dos filhos pequenos e da sogra que vivia em sua cadeira de rodas.
Suas mãos calejadas das enxadas eram suaves e carinhosas em acariciar os filhos e manusear com devoção e zelo as contas do Santo Rosário, ao anoitecer junto à família.
Com tanto zelo cuidou de sua sogra até a morte, cheia de cuidados, dizia que sendo mãe de seu marido era sua também!
Mamãe Margarida era assim que chamavam todos os que a conheciam, e que dela precisavam. Jamais dizia não a quem batesse a sua porta. Apesar da pobreza de bens terrenos, era rica em dedicação e zelo por todos. Visitava doentes, e sua casa era local de acolhimento e socorro para os necessitados.
Os filhos cresciam e Antonio, seu enteado era de gênio difícil, implicava com o caçula João Bosco e não aceitava que este fosse estudar, pois achava que todos deveriam trabalhar para comer.
Mamãe Margarida sabia da vocação de seu filho João e para tanto, se empenharia em tudo par que ele fosse adiante nos estudos, apesar das dificuldades.
Com o coração cheio de dor, Margarida, para contornar a situação dos filhos, e evitar mais brigas, entre lágrimas, aconselhou Joãozinho a sair de casa e ir trabalhar para ganhar algum dinheiro e continuar a estudar. Foi daí que deslanchou a descoberta da vocação.
Na vida dos grandes santos, a presença e a formação das mães é uma constante.
João Bosco sempre demonstrou grande interesse e aptidão pela leitura, recebeu estimulo e a força daquela camponesa simples e analfabeta.
Os desafios e as provações não foram poucos para João Bosco; para poder estudar, trabalhou como garçom, alfaiate, sapateiro. Sempre sob os olhares atentos e cuidadosos de mamãe Margarida.
Como eram muito pobres, Margarida consertava as roupas que ganhava, remendado e reformando para os filhos.
Aos 19 anos, João Bosco deveria escolher sua vocação. Desejava entrar para o clero diocesano, queria ser padre para cuidar dos jovens.
No convívio do convento da paz, dos Frades Franciscanos, João Bosco sentiu atrair-lhe a vida religiosa, os frades o acolhiam de braços abertos, dispensando toda questão financeira.
Todos a decisão caberia ao filho João, Margarida falou para o filho:
- É verdade que queres ser religioso?
- Sim, mamãe. Creio que não vai se opor!
- O que quero é que você siga sua vocação, sendo que a 1º preocupação é a salvação da alma.
Não se preocupe comigo, e sim com as coisas de Deus.
- Quero que saibas, meu filho, que nasci na pobreza, vivo na pobreza, e assim vou morrer. Se você decidir ser padre diocesano e se tornar rico, eu jamais irei visitá-lo.
João Bosco se ordenou padre, depois de muito esforço, e no dia de sua ordenação ouve da mãe:
- Meu filho, agora que você é padre, pense em ajudar os outros que não tiverem a sua sorte.
Margarida, dotada de grande sabedoria, era sábia no falar e agir; acompanhou de perto o inicio da grande obra de seu filho. Dom Bosco a levou para o oratório para ser a mãe de seus meninos.
Mamãe Margarida era zelosa e carinhosa com os jovens de Dom Bosco. Para todos tinha uma palavra de carinho, um gesto de afeto. Cozinhava, lavava, passava, costurava e para cada um antes de dormir, dava um beijo de boa noite.
No na de 1851, mamãe Margarida, com seus 63, sentia o peso da idade e também dos intensos trabalhos, sentia-se cansada e desejava voltar para sua casa e para os seus filhos e netos.
Mamãe Margarida decide ir embora do oratório, com as malas feitas se encaminha a porta. Dom Bosco vai a seu encontro e diz:
- Tudo bem Mama, tens razão até de sair sem se despedir do filho. Mas e dele? Também não vai se despedir? (apontando para o crucifixo na parede).
- Pobre mamãe Margarida!
Nada mais precisou ser dito.
Desfez as malas e voltou para o seu trabalho, incansável com sempre e com o coração cheio de amor.
Assumiu sua cruz com resignação, e permaneceu no oratório com seu filho Dom Bosco até a sua morte em 25 de novembro de 1856.
Mamãe Margarida, a primeira Cooperadora de Dom Bosco, foi declarada venerável no ano passado e esta bem próximo o dia de ser declarada beata. Rezemos pedindo a sua intercessão.

Mamãe Margarida
Modelo de filha, esposa e mãe!
Incansável e dedicada em tudo o que fazia, vendo em cada rosto a imagem de Deus!
Mamãe Margarida,
Mãe de tantos que a ti recorrerem, volte teus olhos a nos e pede a Virgem Auxiliadora e ao Senhor Jesus por todos as nossas intenções...
Pai Nosso, Ave Maria, Gloria!

Amém Paz e Bem!

Nossa Senhora do Bom Conselho


Nossa Senhora do Bom Conselho

26 de abril

“Guarda, filho meu, os preceitos de teu pai, não desprezes o ensinamento de tua mãe!”. (Provérbios – 6, 20).

Quero recostar em teu regaço, e como filho, cansado da caminhada, experimentar a suavidade de teu consolo e atender aos teus conselhos cheios de ternura maternal!
Conselho “é a capacidade de julgar e discernir o que é mais conveniente fazer ou não em determinadas situações complexas...”. Todos nós, que buscamos a realização humana e almejamos a santidade, precisamos do dom do conselho.
Sabemos que como dom do Espírito Santo, o conselho é de um valor inestimável para o bom direcionamento de nossos atos e no reto empenho de nossas responsabilidades na comunidade e na sociedade.
Devemos implorar ao Espírito Santo sempre um novo derramamento de Seus dons, e, com toda confiança, devemos recorrer à intercessão de Maria Santíssima, mulher cheia de Espírito Santo, invocando sua ajuda e seu bom do conselho.
A invocação ou título “Mãe do Bom Conselho”, foi incluído na ladainha Lauretana da Nossa Senhora pelo Papa Leão XIII
Como Mãe do Bom Conselho, Maria guardava tudo cuidadosamente em Seu coração. Ela, mulher orante e atuante, esvaziava-se de si mesma para ser preenchida pelo Espírito Santo. Maria nunca ficou indiferente àquilo que Deus lhe falou e graças a essa intimidade com o Santo Espírito de Deus, soube discernir suas opções e atitudes diante do projeto de salvação.
Uma das passagens mais belas do evangelho é, sem dúvida, a das bodas de Caná da Galiléia. Nela Jesus ouve o apelo de Sua Mãe, um apelo confiante e comprometido com as necessidades alheias. Acredito que o que mais tocou o coração de Jesus foi o pronto conselho que Maria deu aos servos: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
Em Caná da Galiléia o conselho de Maria está em sintonia com a fórmula da fé da aliança que a comunidade pronunciou no Monte Sinai no Êxodo (19, 1- 8): “Faremos tudo o que disse Iahweh.”
A liturgia da igreja aplica a Maria o elogio da mulher perfeita: “Abria Sua boca com sabedoria e a lei da clemência estava em Sua língua” (Prov. 31, 26).
O dom do conselho deve ser motivo de constantes orações e súplicas, especialmente para pais, professores, médicos, juízes, psicólogos, cientistas, políticos, etc.

O Ícone da Mãe do Bom Conselho


O que a tradição nos diz é que entre os anos 432 e 440 o Papa Xisto III idealizou e mandou construir uma pequena igreja dedicada a Nossa Senhora do Bom Conselho na cidade de Genezzano, na Itália. O imperador Constantino, após sua conversão, doou a cidade de Genezzano a Igreja.
A cidade de Scutari, na Albânia, gozava do privilégio de ter também uma igreja dedicada a Mãe do Bom Conselho. Lá, o povo reconhecido pelos inúmeros benefícios concedidos por Deus pela intercessão de Maria, não cessava de render graças e louvores.
O amor do povo albanês pelo ícone da Mãe do Bom Conselho era manifestado por grandes romarias e peregrinações.
No ano de 1467, os turcos maometanos invadiram e dominaram a Albânia: os que mais sofreram foram os cristãos. A perseguição levou muitos albaneses cristãos a abandonarem o país e buscar asilo em outros lugares. Conta a tradição que o quadro da Virgem do Bom Conselho foi retirado da parede e como que envolto por uma nuvem, elevou-se ao céu em direção a Roma.
Em Genezzano, o pequeno santuário estava com as estruturas comprometidas, em ruínas pela ação do tempo e também pela falta de recursos. Os esforços da irmã Pedrina (irmã da ordem terceira de Sto. Agostinho), estavam esgotando-se: confiava na providência divina e desejava reconstruir o antigo santuário.
Era o dia 25 de abril, festa de São Marcos evangelista, realizava-se uma feira pública naquela cidade. Repentinamente surgiu no céu uma nuvem em forma de coluna que chamava atenção de todos. A nuvem desceu sobre a virgem da Nossa Senhora do Bom Conselho e imprimiu na parede, à vista de todos, a imagem da igreja da Albânia. A cidade ficou em polvorosa e as conversões foram inúmeras. Grandes peregrinações acorreram ao local para contemplar a Virgem do Bom Conselho. Em breve a igreja foi reconstruída com os recursos dos fiéis e devotos.
Dois peregrinos albaneses, ao saberem do fato, foram a Genezzano e lá puderam contemplar novamente a imagem que havia sumido de sua terra natal.
Durante muitos anos os albaneses desejavam que o ícone fosse devolvido, porém somente no pontificado de João Paulo II que as relações com os albaneses foram reatadas. João Paulo II dirigiu-se a Albânia e no antigo templo colocou uma réplica fiel da Mãe do Bom Conselho; o Vaticano reconstruiu o santuário e assim foi selada a paz entre o governo Albanês e a Igreja Católica.
Somos Teus filhos, Mãe do Bom Conselho! Roga e intercede por nós!

Paz e Bem!

Nossa Senhora do Carmo – A Virgem do Escapulário


Nossa Senhora do Carmo – A Virgem do Escapulário

16 de julho

“A força mais genuína da devoção à Virgem Santíssima, expressa pelo humilde sinal do escapulário, é a consagração ao seu coração imaculado”. (João Paulo II)

A ordem do Monte Carmelo

No inicio do século XIII, um grupo de eremitas vindos da Europa, se reuniu no Monte Carmelo na Terra Santa para viverem a plenitude dos ensinamentos deixados por Cristo. Pediram a Santo Alberto, patriarca latino em Jerusalém, que estabelecesse uma regra de vida para eles. Entre outras indicações, Alberto propôs que construíssem um oratório onde se reuniriam para a celebração da eucaristia.
Eles construíram o oratório e o dedicaram a Maria. Assim, suas vidas se ligaram de modo particular e especial à Santa Mãe de Deus. A partir de então, as pessoas passaram a chamá-los de “Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo”. Titulo que, mais tarde, foi oficializado pela Igreja. Em 1246, foi nomeado como superior geral da ordem carmelita, um santo homem, grande devoto de Nossa Senhora: São Simão Stock. A situação da ordem causou-lhe grande preocupação, a instabilidade política da região, a incompreensão de alguns setores da própria igreja, a guerra com o Islã, tudo isso interferia de modo dramático na historia da ordem. No meio de todo esse emaranhado, Simão Stock sente-se impelido a recorrer à Virgem Maria, e, em oração contrita, pede sinal a Nossa Senhora, um sinal de proteção para a sua ordem. E, assim, a Virgem ouviu as suas suplicas e lhe apareceu no dia 16 de julho de 1251, e apresentou-lhe um pequeno habito de lã e dirigiu-lhe estas notáveis palavras:
“Caríssimo filho, recebi o escapulário de vossa ordem, sinal da confraternidade, privilegio para vós e igualmente para todos os irmãos do Carmo. Todo aquele que morrer revestido deste santo escapulário, não arderá nas chamas do inferno. Este habito é um sinal de salvação, uma segurança de paz e aliança eterna”.
Publicado este privilegio milagroso, a ordem do Carmo cresceu em merecimento e santidade: e não só dentro dos conventos, mas também fora deles, muitas pessoas recebiam o santo escapulário. Pessoas de todas as classes sociais eram revestidas com o poderoso distintivo recomendado pela própria Rainha do céu.
No ano de 1314, Nossa Senhora, aparecendo ao Papa João XXII, prometeu especial proteção aos que trouxessem o escapulário, acrescentando que os livraria do purgatório, no primeiro sábado após sua morte.
Destacam-se entre os papas devotos do escapulário: Inocêncio IV, João XXII, Alexandre V, Bento XIV, Pio VI, Clemente VII, Urbano VII, Nicolau V, Sixto IV, Paulo III, São Pio V, Leão XI, Alexandre VII, Pio IX, Leão XII, São Pio X, Bento XV, Pio XI, João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, que com bulas apostólicas, aprovaram os seus privilégios, e cumularam de favores as confrarias do Carmo.
É vontade de Nossa Senhora Rainha do Carmelo que ponhamos o selo do seu escapulário sobre nosso peito para demonstrar que o nosso coração lhe pertence para guardar os tesouros que no coração se encerra.
Como é bom estarmos debaixo da proteção de uma mãe tão boa! Que força ousaria arrancar-nos de seu regaço?

Privilégios do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

Quem morrer com o santo escapulário não padecera no fogo do inferno. A Virgem Maria os livrará do purgatório o quanto antes, ou seja, no primeiro sábado após a morte.
- O escapulário é proteção em todos os perigos.
- O escapulário é sinal de paz e do pacto sempre eterno de concórdia, garantido por Maria.
- O escapulário é sinal de salvação.
- É um meio simples e pratico de honrar a Virgem Maria.
- O escapulário do Carmo é garantia da preservação da fé, e da firmeza na devoção à Virgem Maria, devoção que, por sua vez, é sinal de predestinação.
“Maria é tesouro de Deus. Onde esta Maria ai esta o coração de Deus”. (São Bernardo)
Jesus é o grande dom e sinal do amor do pai. Ele estabeleceu a Igreja como sinal e instrumento do seu amor. Na vida cristã também existem sinais. Jesus os utilizou: o pão, o vinho, a água, para nos fazer compreender as realidades que não vemos e não tocamos. Na celebração da eucaristia e demais sacramentos (batismo, crisma, reconciliação, matrimonio, ordem, unção dos enfermos), os símbolos (água, óleo, imposição das mãos, alianças) exprimem o seu significado e introduzem-nos numa comunicação com Deus, presente através deles. Além dos sinais litúrgicos, existem na Igreja outros ligados a um acontecimento, a uma tradição, a uma pessoa. Um desses é o escapulário do Carmo.
O escapulário é sinal:
- Aprovação pela Igreja há sete séculos;
- Representa o seguimento de Jesus e Maria;
- O escapulário não é um sinal de proteção mágica, ou amuleto;
- Também não é uma garantia automática de salvação, sem viver as exigências de uma vida cristã.
O escapulário é imposto somente uma vez por um sacerdote, através de um rito próprio. E benze e o impõe, dizendo: “Recebe este santo escapulário com sinal da santíssima Virgem Maria, Rainha do Carmelo, para que com seus méritos, o uses sempre com dignidade, seja tua defesa em todas as adversidades e te conduza a vida eterna”.
O escapulário do Carmo compõe-se de duas peças de pano de lã, de cor marrom, unidas entre si por dois cordões.
Não façamos do santo escapulário, objeto de decoração ou adereço de moda, ele é sinal de predestinação.

Nossa Esperança

“Oh, quantas coisas boas não nos diz esta titulo: Nossa Senhora do Carmo! Quantos pensamentos bons nos sugere! Na dor, na amargura, na angustia, na agonia a Virgem do Carmo é a nossa esperança. Nas privações, nos trabalhos, nos trabalhos, na pobreza, nas doenças, a virgem do Carmo é a nossa esperança. Nos desprezos, nas humilhações, nas calunias, nas perseguições, ela é nossa esperança. Nas duvidas, nos temores, nas tentações, nos perigos do corpo e da alma, enfim, em todas as necessidades, a Virgem do Carmo é a nossa esperança. Maria é também nossa esperança nas necessidades alheias, aquelas que principalmente padecem pessoas queridas, parentes ou amigos. Mas, sobretudo ela é nossa esperança nos bens celestiais; nos pedimos à Deus pela intersessão da Virgem do Carmo, o perdão de nossos pecados, a graça de nunca mais pecar, um firme e constante propósito de fazer o bem; confiando que seremos atendidos, porque ela, a Virgem do Carmo é a nossa esperança”. (Santo Afonso)
Confiemos nossas vidas nas mãos de Nossa Senhora, e assim, teremos a certeza que ela não nos abandonara, embora sejamos pecadores e indignos.

Sagrado Coração de Jesus


Sagrado Coração de Jesus

30 de maio

“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e vós encontrareis descanso” (Mat. 11, 28 – 29).

Na noite da ultima ceia, o Senhor, de maneira toda especial, falou aos seus amados tudo o que transbordava do seu amoroso coração. Falou o quanto ansiou por aquele momento; falou da separação; falou do traidor e teve compaixão; e foi neste exato momento que o discípulo amado, João, a pedido de Pedro, aproxima-se do Mestre e recosta sua cabeça em seu coração.
João, naquele momento, fez a primeira experiência do amor de Jesus; o pulsar do Coração do Senhor ecoará em seus ouvidos até o fim de seus dias, e até o fim ele repetirá: “Deus é amor”.
Aos pés da cruz, no alto do calvário, estava Maria, “que tudo guardava em seu coração”. De pé, ao seu lado, João, o apóstolo amado, que contempla o coração que pulsava de amor na noite anterior, ser trespassado pela lança de Longinus e dele jorrar sangue e água, para nos salvar (Jo. 19, 34).
Ó fonte inesgotável de amor e misericórdia, de Ti nasce a Igreja Sacramental; és fonte de amor sem limites; és o maior e mais perfeito sinal de um Deus apaixonado.

Em 16 de junho de 1675, estando Santa Margarida Maria de Alacoque (religiosa do convento da visitação de Santa Maria, em Paray-Le-Monial, França), em oração diante do Santíssimo Sacramento, quando Nosso Senhor lhe aparece e depois de um breve diálogo, Ele aponta para o seu próprio coração e diz:
“Eis aqui o coração que tanto amou os homens; que não poupou nada até esgotar-se e consumir-se, para testemunhar-lhes o seu amor. Por isso, eu peço, que a primeira sexta-feira depois da oitava da festa de Corpus Christi, seja dedicada a uma festa especial para honrar o meu coração...”.
Um Deus tão amoroso só poderia nos dar amor, e nos deu ainda mais, nos deu a fonte do seu amor, que é o seu Divino Coração!
São Pedro Julião Eymard nos adverte dizendo: “A alma fiel deve, pois, honrar o Coração de Jesus, como presépio onde O vê nascer pobre e abandonado; como a cátedra de onde nos promulga o seu preceito: ‘aprendei de mim que sou manso e humilde de coração (Mt. 11, 29)’; como a cruz que O vê morrer; o sepulcro de onde sai glorioso e imortal; e como o evangelho eterno que nos ensina a imitar as virtudes de que é o modelo perfeito”.
Nosso saudoso Papa João Paulo II, no ano de 2002, escreveu que: “Não há duvida de que a devoção ao Sagrado Coração do Salvador foi, e continua sendo, uma das expressões mais difundidas e amadas pela piedade eclesial”.
O Coração de Jesus não conhece limites de amor, ama incondicionalmente o “santo e o pecador”.

“Preciso de um coração ardente de ternura, que permaneça sempre meu apoio; que em mim ame tudo, até minha fraqueza; que nunca me deixe, nem de dia, nem de noite” (Santa Terezinha do Menino Jesus).
Paz e Bem!

Salve Senhora da Conceição


“A Imaculada Conceição”

8 de Dezembro


“Todas a nações contam as vossas glorias, ó Maria; Por Vós nos veio o Sol da Justiça. O Cristo, Nosso Deus”. (Prefácio da Imaculada Conceição)

Dentre todos os dogmas – verdades reveladas e proclamadas pela Igreja – sobre Nosso Senhora, o da Imaculada Conceição é talvez o mais difícil de ser explicado e ser entendido. Vamos a Luz da fé, tentar, com reverencia e humildade assim fazê-lo:

A Criação

Deus Pai, em sua infinita grandeza, criou nossos primeiros pais (Adão e Eva), a sua imagem e semelhança e depois de ver pronta sua obra concluiu que era muito bom. Deus os criou para uma felicidade que ultrapassava as mais exigentes aspirações do coração humano. Ingratos e desobedientes, que foram, se desviaram do Soberano Criador, num misto de vaidade e orgulho.
Deus, não se dando por derrotado, prepara uma revanche esplendorosa, e assim concebeu uma criatura de beleza admirável, que ultrapassaria a beleza dos anjos mais resplandecentes. Quando os tempos se completaram, ele realizou plenamente essa obra-prima de sua beleza e de seu amor: fez a virgem Maria, sendo seu primeiro privilégio o da Imaculada Conceição.

O Privilégio

Importa compreender esse privilegio único, em que a Conceição de Maria não aboliu em nada as leis gerais que regem a vinda dos homens a este mundo. Nossa Senhora não foi formada pela virtude milagrosa do Espírito Santo, como deveria ser um dia seu Divino Filho; ela teve um pai e uma mãe. Deus havia escolhido, desde a eternidade, Joaquim e Ana para darem vida à Rinha do Céu.
O privilegio da Imaculada Conceição consiste na isenção da hereditariedade do pecado original, que carregamos ao nascer. O momento que da vida aos nossos corpos, dá a morte as nossas almas. Em todo o tempo de nossa existência passageira sentimos pesar intensamente sobre nós as conseqüências da queda original. Deixamo-nos seduzir pelo erro e não possuímos em nos mesmos a força para resistir a todas as tentações, sempre precisam de Deus.
De tudo isso, Maria Santíssima foi preservada na hora de sua concepção. Ela é imaculada, ou seja, livre de qualquer fração infinitesimal de segundo da mancha de culpa original. Diante desse magnífico espetáculo o demônio foi tomado de terrível furor; pois reconheceu nela a Mulher Prometida, a Imaculada que deveria esmagar-lhe a cabeça sob seu calcanhar virginal.
Como Maria foi preservada do pecado original, é lógico que não deveria estar sujeita as conseqüências do mesmo.
Nos todos, que nascemos com essa herança do pecado original, colocamo-nos na comunhão com Deus através do Batismo que pelos merecimentos de Cristo, nos une novamente a Deus como filhos. Maria não precisou desse batismo; pois, pelos méritos previstos de Cristo, ela foi Batizada” na graça no exato momento em que foi concebida no ventre de sua mãe.
Não devemos nos esquecer que todos os privilégios que Deus concedeu a Virgem Maria, foi tendo em vista a redenção preservativa pelos méritos de Jesus Cristo.

O Dogma na História


Já nos primórdios do Cristianismo, a doutrina da Imaculada Conceição não era estranha aos cristãos.
Em defesa do privilégio da Imaculada Conceição de Maria, destacaram-se os franciscanos dos quais o mais célebre foi o bem-aventurado Duns Escotus. Tambem o Papa Sisto IV(franciscano), foi quem estabeleceu a Festa Liturgica da Imaculada Conceição em 1477, antes da definição oficial do dogma, no dia 8 de Dezembro!
Nos séculos XII e XIII, já no ocidente, celebrava-se a Imaculada Conceição com festas litúrgicas, apesar de controvérsias.
Em 1830, Nossa Senhora aparece a Catarina Labouré e pede a jovem noviça a confecção de uma medalha com a seguinte inscrição: “Ó Maria concebida sem pecado rogai por nós que recorremos a vós”. Era a Medalha Milagrosa.
Assim, no dia 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX proclama, ex cathedra, solenemente, o dogma da Imaculada Conceição, com a Bula Pontifícia Dogmática “Inefabilis Deus”. Diz a bula: “A Bem-aventurada Virgem Maria, desde o primeiro instante de sua concepção, por um privilegio e uma graça única de Deus Onipotente, em consideração aos méritos de Jesus Cristo, foi preservada de toda a mancha do pecado original”.
Assistida pelo Espírito Santo, a Igreja, pelo Papa proclamada, com certeza infalível, o Dogma da Imaculada Conceição de Maria, a Mãe de Deus.
Novamente em 1858, em Lourdes na França, Nossa Senhora aparece a jovem Bernadete e sua autodenomina “eu sou a Imaculada Conceição”; sendo assim, a confirmação do céu pelo Dogma proclamado pelo Papa quatro anos antes.

A Devoção

Acredito que de todos os títulos de Maria, o mais venerado é exatamente o da Imaculada Conceição; são milhares de Igrejas, Capelas, Santuários, a Ela, dedicados.
Congregações, Institutos Religiosos, Ordens, Irmandades, honram a Mãe de Jesus em sua Imaculada Conceição usando o seu titulo privilegiado.
Incontáveis Santos e Santas buscavam na Imaculada o consolo em suas dificuldades, o amparo em suas lutas, e um abrigo nas persiguições.
São tantas as Conceições espelhadas pelo mundo afora e que muitas vezes não se dão conta da beleza de seus nomes.
Itajaí também tem como Padroeira a Imaculada Conceição, com sua belíssima Imagem Venerada na antiga Matriz, conhecida carinhosamente como “Igrejinha Velha”.
Maria é contada e honrada em verso e prosa, nos ofícios da Imaculada, nos Terços e Ladainhas, é a Mãe de Jesus, é a nossa Mãe.
Peçamos a Deus que nos conceda um coração semelhante ao coração de Maria, pois nenhum coração amou mais Jesus como o coração Dela.
Maria é a Pedra Preciosa que Deus ornou a aliança que ele fez do céu com a terra, e ela só é rainha porque seu filho é o Rei do Universo.
Maria aceitou Jesus primeiro que nós.

Santissima Virgem Imaculada

Eu descobri que :
-Tu me colocas nos braços, e velas meus sonhos;
-Tu enxugas as minhas lagrimas; com teu manto virginal.
-Tu me ouves em silencio, e respondes com gestos de carinho;
-Tu caminha em meus caminhos;
-Tu te alegras com minhas alegrias e festejas as minhas conquistas;
-Tu me corriges nas horas certas;
-Tu me amas assim como eu sou, apesar de todas as minhas limitações;
-Tu não te cansas de interceder ao coração de Teu Filho Jesus por mim;
-Tu me ensinas a ser melhor, e ver em cada irmão que sofre o rosto de teu filho Jesus;
-Tu desejas minha santificação para que eu possa um dia contemplar no céu, a gloria do teu Filho Jesus ao teu lado, diante do Deus Altíssimo;
-Tu recolhes todas as orações e louvores, e sem reservar nada para ti, entregas tudo nas mãos do teu filho Jesus;
-Tu és minha Senhora, pois és a Mãe de Meu Senhor!
-Assim como teu filho, abominas o pecado, mas enche de amor o pecador

Amém!

Te amo!
Até a Gloria!

Paz e Bem

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Santa Bernadete Soubirous



Santa Bernadete Soubirous

16 de abril

“Não prometo fazer-te feliz neste mundo, mas sim no outro” (Nossa Senhora à Santa Bernadete).

Na gélida manhã do dia 07 de janeiro de 1844, na singela cidade de Lourdes, na França, o jovem casal Francisco Soubirous e Luisa Castérot derramam lágrimas de alegria e contentamento pelo nascimento da pequena e frágil Maria Bernarda, que carinhosamente passou a ser chamada de Bernadete. Era o primeiro dos seis filhos dos Soubirous.
Sr. Francisco, homem rude e simples, trabalhava nos moinhos de moer cereal, e no ano do nascimento de Bernadete, arrenda um moinho aos pés dos Pirineus.
Nos anos seguintes, todo o povoado e cidades vizinhas, experimentaram um terrível caos econômico. Os Soubirous, como os outros, não encontram opção, são despejados e se vêm obrigados a buscar alojamento no antigo presídio da cidade (era um lugar úmido, insalubre e sem ventilação), era um cômodo de 20m².
Quando conseguia comprar um pão, a mãe o dividia entre os pequenos, que ainda assim se sentiam insaciados. Muitas vezes, Bernadete privava-se de sua porção e com alegria a repartia com seus irmãozinhos.
Em função dessas dificuldades todas, Bernadete apresenta-se como menina com saúde frágil, sempre atacada pela asma. Fazia parte daquele número de crianças e jovens que não sabiam ler nem escrever por serem obrigados a trabalhar. A própria educação religiosa não lhe tinha dado condições de fazer a primeira comunhão. Em casa, com seus pais e irmãos, desfiavam as contas do rosário com devoção e grande respeito, diariamente!
Nossa pequena Bernadete ansiava receber a eucaristia; já estava com 14 anos e com grande dificuldade escrevia e lia seu próprio nome. Orações, conhecia o Credo, o Pai-Nosso, Ave-Maria e Salve Rainha.
Na fria e nublada manhã de 11 de fevereiro de 1858 (150 anos atrás), Bernadete, em companhia de sua irmã Toinette e da amiga Baloume, foi buscar lenha perto de Massabielle. Deviam passar descalças o rio Gave. Como Bernadete sofria de asma, hesitava em pôr os pés na água fria. De repente ouviu um barulho, levantou os olhos e viu uma Senhora vestida de branco com um cinto azul, e uma rosa amarela sobre cada pé; trazia em suas mãos um belíssimo terço de contas brancas.
Era a Santíssima Virgem que estava sorrindo e chamando-a para se aproximar dela. Temerosa, Bernadete não se aproximou; puxou o terço e começou a rezar. A Virgem acompanhou as orações em seu próprio terço e no final desapareceu.
Pelo caminho de volta, confidenciou à irmã sobre a visão: e esta por sua vez contou para a mãe sobre o acontecido.
D. Luisa, mulher prudente e piedosa, num primeiro momento, proibiu as duas de voltarem à gruta, mas no domingo, 14 de fevereiro com a autorização do pai conseguiu voltar à gruta e lá a Senhora apareceu-lhe novamente. Na terceira aparição, ao ser solicitada para escrever o seu nome com uma caneta, a Santíssima Virgem sorriu e respondeu pela 1º vez: “Não é necessário... quer ter a gentileza de vir aqui durante 15 dias? Somente do dia 25 de março, (Festa da Anunciação do Senhor) durante a 16º aparição ela revelou seu nome: "Eu sou a Imaculada Conceição”.
Foi a confirmação do céu. Pois quatro anos, em 1854, o Papa Pio IX havia proclamado o dogma da Imaculada Conceição.
Ao todo foram 18 aparições à Bernadete. Entre perseguições e desconfiança, os fatos atraíram a atenção e receberam cada vez mais o apoio popular: lá, junto à gruta, surgiu um belíssimo santuário. O Santuário de Lourdes é um sinal do amor de Deus por todos os seus filhos que sofrem com as enfermidades do corpo e da alma. Bernadete fez com grande emoção e piedade a 1º comunhão, em 3 de junho de 1858. Irmã Bernadete

Encerradas as aparições na gruta de Massabiele, Bernadete permaneceu na sombra durante o resto de sua vida. Ela costumava exclamar: “Oh, seu pudesse ver, sem ser vista!”. Nesta frase está resumido o período posterior às aparições em que recusou atrair sobre si as atenções das pessoas. Em 1864, com 20 anos, pediu para ingressar no convento das irmãs de Nossa Senhora de Nevers, porém, tendo em vista sua frágil saúde, teve de esperar dois anos. Somente em 1866 foi admitida.
O que mais lhe custou foi à separação de sua família e da gruta de Massabiele. Aos 24 de junho daquele ano, vestiu o hábito e tomou o nome de Irmã Maria Bernadete.
Já como irmã professa, humilde e jovem, apesar de pouco saudável, recebeu o encargo de dirigir a enfermaria do convento. Durante dois anos conseguiu cumprir com esta responsabilidade, sempre com grande amor e competência, até que a partir de 1875 caiu definitivamente enferma. Ela costumava comparar-se a uma vassoura: “Nossa Senhora se utilizou mim, depois me colocaram de novo em meu canto, onde me sinto muito feliz”.
Na quarta-feira, 16 de abril, era primavera e os campos de Nevers exalavam um delicioso perfume de junquilhos e outras mimosas e delicadas flores campestres. De repente ouve-se o repicar dos sinos do convento: a bela e humilde flor da gruta de Massabiele fora recolhida pelo Senhor e leveda para os jardins celestes.
Irmã Bernadete estava com 35 anos, adormeceu no Senhor depois de longa agonia. Aos 18 de julho de 1925, o corpo de Santa Bernadete, já anteriormente exumado e encontrado intacto perfeitamente, foi posto numa urna de vidro, e lá está até hoje do mesmo modo. Foi canonizada em 1933 pelo Papa Pio XI.
Seus restos mortais incorruptos constituem um dos mais belos vestígios da felicidade eterna. (Obs.: o corpo de Bernadete permanece em perfeito estado de conservação, e, para espanto da ciência, até os órgãos vitais como o fígado está intacto e com coloração natural).
Pela maneira como viveu, na simplicidade e na pobreza, nos damos conta mais uma vez que Deus escolhe, não os sábios e entendidos deste mundo, mas os simples e humildes, para Sua obra de conversão.
Quem trabalha na obra da evangelização também tem que seguir este caminho para que apareça em 1° lugar, Aquele que é fonte de vida e de toda a graça.
E que Santa Bernadete nos ensine o exemplo da humilde vassoura da Virgem Maria!

Amém!

domingo, 3 de agosto de 2008

Santa Catarina de Alexandria

Santa Catarina de Alexandria

25 de Novembro 305

A protetora e padroeira de nosso Estado!

“... Assim implorei e a inteligência me foi dada; supliquei e o espírito da sabedoria veio a mim. Eu a preferi aos cetros e tronos, e avaliei a riqueza como um nada ao lado da sabedoria”. (Sab. 7, 7-8)

Ó bela Alexandria, és a pérola do mediterrâneo, e uma das mais belas cidades do Egito. Fostes, na antiguidade, o centro de todo o conhecimento humano, quando da criação da célebre biblioteca de Alexandria.
Fostes, também, e com grande orgulho o berço de Catarina, a tua filha mais ilustre, e que apresentou as tuas maravilhas ao mundo.

Santa Catarina

Santa Catarina nasceu em Alexandria, principal cidade do Egito antigo. Era filha do ilustre Rei Costus e de D. Sabinela, nobres descendentes diretos dos reis e governadores do país!
A pequena Catarina era dotada de uma beleza incomparável, porém destacava-se pelo seu espírito alegre e despojado.
Desde muito cedo demonstrou uma inteligência clara e brilhante; teve como mestres os sábios de Alexandria e, tão rápidos foram seus progressos, que aos 13 anos era mestra das sete artes: eloqüência, poesia, música, arquitetura, escultura, plástica e coreografia.
Quando Catarina estava com 15 anos, o Rei Costus, seu pai, faleceu e assim foi com sua mãe para as montanhas das Cilícia, vivendo assim uma temporada de descobertas.
Durante aquele tempo conheceu Ananias, um velho sacerdote amável e comunicativo. Ananias transmitiu a Catarina os mistérios do Cristianismo.
Dona Sabinela, já era cristã batizada, e desejava o mesmo para a sua filha, além de um bom casamento que trouxesse segurança e proteção.
Numa determinada noite, mãe e filha, tiveram um sonho bastante significativo no qual a Santíssima Virgem Maria apresentava o Menino Jesus a Catarina, e este, tomando da mão de Catarina, coloca em seu dedo um anel de ouro, anel de compromisso. Maria pede a Catarina que seja batizada. Quando Catarina desperta do sono, percebe o anel em seu dedo!
Desejosa em cumprir o que prometera em sonho, Catarina procura ainda mais, instruir-se nas verdades da fé, e, assim sendo, recebe o Santo Batismo. Dona Sabinela e a filha confiaram o reino a um governador e voltaram à Alexandria.
Com a morte de sua mãe, Catarina transforma sua residência num lar de acolhida e escola de formação Cristã. A nossa jovem, tendo apenas 18 anos, é capaz de confundir os maiores filósofos de Alexandria e arredores.
Catarina é testemunho de fé e vida incontáveis são os que a seguem, e nela encontram as repostas das verdades do evangelho de Jesus Cristo!
O Imperador Maximiano havia decretado uma perseguição aos cristãos e sua doutrina, tendo Conhecimento e sabedor do grande preparo de Catarina, prometeu um prêmio ao filósofo que conseguisse afastar a jovem da religião Cristã. Numa discussão pública, para a qual Catarina foi convidada, tudo fizeram para desorientá-la. Ela porém, iluminada pelo Espírito Santo, respondeu-lhes com tanta clareza e sabedoria que os próprios filósofos abandonaram o erro.
Surpreendido pelo êxito inesperado da discussão pública, o imperador procurou, por todos os meios, arrancar Catarina do Cristianismo. Adulações e promessas de fazê-la imperatriz: tudo em vão!
Com soberano desdém, a jovem repeliu as ofertas do Imperador, declarando-se esposa de Cristo. Catarina foi lançada em um cárcere escuro, onde ficou doze dias. Quando saiu de lá estava mais bela do que nunca; seus olhos eram como fachos de luz e sua pele alva estava reluzente.
Nossa jovem mártir é entregue aos algozes, condenada ao martírio da roda. No momento em que ia ser estendida sobre a roda, Catarina traçou o sinal da cruz e esta despedaçou-se imediatamente. Este milagre fez com que o povo rendesse louvor ao Deus dos Cristãos e a própria Imperatriz confessasse a sua fé no Filho de Deus. Cada vez mais irritado e enfurecido, Maximiano, percebendo que todos os seus esforços eram em vão, pronunciou a sentença de morte e mandou levá-la ao lugar do suplício. Após uma oração de louvor e súplica e agradecimento ao Deus verdadeiro. Catarina foi decapitada e de suas veias saiu leite ao invés de sangue!
Seu corpo foi levado ao Monte Sinai, onde a sepultaram. Dizem que os próprios anjos levaram seu corpo! Mais tarde sobre sua sepultura foi construído um convento, que ainda hoje existe, e é habitado por monges gregos.
Santa Catarina de Alexandria, por seu grande saber, é padroeira dos estudantes, filósofos e juristas, e com muito orgulho, a padroeira do Estado de Santa Catarina.
“Eu olhei ainda. Havia ao lado dos querubins, quatro rodas, uma junto a cada um deles!” (Ez. 10, 9). Um dos querubins não será Santa Catarina?!

Oração que Santa Catarina recitou na hora do martírio:


“Jesus, Meu Senhor e Meu Deus, peço que seja socorrido em vós todo aquele que em momentos de aflição, invocar a lembrança de meu martírio. Livrai da morte súbita os meus devotos e concedei a eles, por toda a vida, abundância de pão e água, além da saúde. Que as doenças e as tempestades se mantenham longe de suas casas. Que as mulheres não abortem nem morram no parto. Que não haja carestia onde moram e que o orvalho do céu desça sobre suas cabeças dia e noite. Concedei que por fim, se alguém recorrer a meu nome, seja conduzido pelos anjos ao repouso eterno. Amém!”

Paz e Bem!
Marcio Antônio Reiser O.F.S.